POTENCIAL DISPERDIÇADO

CoariAcabo de regressar de uma viagem a Coari AM e decidi pesquisar um pouco sobre o município na Internet.

Segundo o IBGE (2015), a cidade possui 83 mil habitantes. Sua área é maior do que a de diversos estados brasileiros e de muitos países.

Possui 57,9 mil Km2. Apenas para comparar, a Paraíba tem 56 mil Km2 e a Holanda 41,5 Km2.

Além das riquezas naturais ligadas à fauna e à flora, sob seus rios e florestas existem importantes reservas de petróleo e de gás natural.

Não se trata de descoberta recente. O primeiro poço de petróleo de Coari foi perfurado em 1917.

Antes do petróleo e do gás natural, a economia do município girava em torno da produção de banana, limão, goiaba, mamão, cupuaçu e maracujá. E também tinha atividades extrativistas, como ocorre em toda a Amazônia: Madeira, cacau e castanha do Pará.

A Petrobrás começou a explorar petróleo e gás na região em 1986. Hoje, existem mais de 70 poços em produção. A província petrolífera, conhecida como Urucu, fica a 250 Km de Coari. De lá, gás natural e petróleo são transportados até Manaus. A Transpetro possui um terminal Aquaviário na cidade. Dados de 2007 indicavam produção diária de 53 mil barris de petróleo de excelente qualidade e de 10 milhões de m³ de gás.

Seja por gasoduto ou por navio, a parte do gás natural que é aproveitada (escrevo “parte” porque um volume de gás equivalente ao importado da Bolívia é queimado), Urucu abastece usinas termoelétricas que geram um total de 760 MW de energia elétrica para cidades do Norte e Nordeste do Brasil. A fonte pesquisada cita Manauara, Tambaqui, Jaraqui, Aparecida, Mauá, Cristiano Rocha e Ponta Negra.

Em grande parte devido à forte presença da Petrobrás e à pequena população, a renda Per Capita da cidade é uma das mais altas do Brasil, R$ 33 mil. Infelizmente, não está sendo, nem mesmo indiretamente, repassada à população.

Um piloto de helicóptero que mora no hotel onde estive hospedado, me contou que interesses econômicos de um grupo que explora o transporte e distribuição de combustível para a cidade estão impedindo, há anos, que o gás de Urucu seja usado para produzir a eletricidade de Coari.

Paradoxalmente, a energia elétrica de Coari é gerada por motores diesel, combustível vem de longe e que custa muito caro.

Estava tomando o café da manhã e aproveitei para perguntar para a cozinheira do hotel o valor mensal de sua conta de energia. “Duzentos e cinquenta reais por mês”, disse ela. Esta quantia representa 30% do que ela ganha. E é bom que se diga que ela mora numa casa de 60 m2. A conta dela é mais alta do que a minha, que moro numa casa cinco vezes maior.

No caso de Coari, Deus fez a parte dele. Infelizmente os responsáveis pelo desenvolvimento daquela importante região, não estão fazendo a parte deles.

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