Muita atenção no momento de adquirir caixas de emenda para cabos ópticos…

Desta feita, trago à baila um problema recorrente, observado nas inspeções finais de redes ópticas do projeto Cidades Digitais do MCTIC e em auditorias realizadas em redes ópticas do projeto RedeComep da RNP.

O alerta é endereçado para os responsáveis por compras das empresas que prestam serviços para a RNP e para o MCTIC e se refere a kits de emenda do tipo CEO-96, de fabricação Fibracem.

Para saídas de derivações das Caixas CEO 96, é necessário comprar, em separado, um DERIVADOR PARA CEO SVT (código FIBRACEM KIT.00008).

A causa principal do problema está numa falha de redação na instrução de montagem fornecida pela Fibracem. Mas, em boa parte, deve-se à falta de uma boa comunicação entre clientes e fabricante.

Quando o comprador não especifica o kit 0008 da Fibracem, as caixas são entregues com um tubo termocontrátil compatível com uso externo e de tamanho adequado para a mama oval (dotado de adesivo hotmelt), acompanhado por dois  e tubos termocontráteis, curtos e desprovidos de adesivo. Segundo a Fibracem, os dois tubos foram acrescentados aos kits de tempos para cá, para serem usados no interior da caixa caixa.

Pois bem, em todas as emendas inspecionadas numa determinada cidade (rede totalmente subterrânea), os tubos “indicados para uso interno” foram usados como elementos de vedação nas mamas cilíndricas das bases das caixas.

Estou certo que isto não foi feito devido à má fé de quem construiu a rede. Aconteceu por falta de treinamento, por falha na interpretação das instruções de uso e por falta de informação assertiva de parte do fabricante, no momento da venda.

O uso equivocado destes tubos vem causando consequências danosas às redes. Em auditoria técnica realizada recentemente numa rede da RNP (aérea), depois que esta entrou em operação há cinco anos, foram executadas três emendas de manutenção.  As três caixas foram abertas porque, nos testes realizados durante a auditoria, as fibras acusaram alta atenuação pontual. Nas três caixas, os tubos permitiram a entrada de água nas emendas.

Em caso de água, o tempo é implacável, quanto mais o tempo passa, maior é a atenuação no ponto

Na foto acima, o tubo de maior diâmetro é adequado para realizar e garantir uma boa vedação, mas, o tubo que aparece na parte de cima da foto não pode ser usado para vedação.

A instrução de uso é obscura e induz os artífices ao erro.

Contatado, o engenheiro Sebastião da Fibracem, colocou-se à disposição para resolver e sanar dúvidas sobre a aplicação dos produtos

TRECHO do Manual PP.00075 REV.02 :

…Neste kit seguem 02 tubos termocontráteis 24/8 x 100 mm que servem para USO INTERNO na caixa, da seguinte maneira:

# Opção 1:  Se o cliente quiser transportar as fibras da base da caixa de emenda (REGIÃO INTERNA) até a entrada da bandeja através dos tubos cânula (translúcidos), também fornecidos no kit, deve seguir a seguinte instrução do manual PP.00075 REV.02 Em anexo.

# Opção 2: O cliente pode optar em levar o próprio tubo loose do cabo até a bandeja (REGIÃO INTERNA). Neste caso, não usará os tubos cânula e os tubos termocontráteis 24/8 mm x 100 mm.

Se a opção escolhida for a 1, a montagem deve seguir o procedimento abaixo.

TRECHO do Manual PP.00075 REV.02

Após realizar a pré-montagem acima, posicione de forma centralizada o termocontrátil 24/8 x 100 mm cobrindo parte do cabo, tubo loose e parte da cânula. Aqueça com cuidado o termocontrátil. Este procedimento se faz necessário para garantir a transição entre o cabo e os tubos cânula (translúcidos).

Os KITS DE DERIVAÇÃO são vendidos separadamente conforme opcionais do manual da caixa de emenda PP.00075 REV.02

O tubo termocontrátil fornecido para derivação (USO EXTERNO) é o 33/8 x 150 mm, que possui diâmetro inicial e comprimento maiores, adequado à esta aplicação.

Os 02 tubos termocontráteis 24/8 x 100 mm, fornecidos na caixa de emenda SVT, são indicados SOMENTE PARA USO INTERNO.

A ficha técnica pode ser observada no site:

http://www.fibracem.com/wp-content/uploads/2016/01/derivador-para-ceo-svt-R05.pdf

Resumindo:

Para cada entrada cilíndrica é necessário comprar um DERIVADOR PARA CEO SVT, código FIBRACEM KIT.00008.

FERRAMENTAS DE UM BOM TÉCNICO DE FIBRAS

Pode-se dizer que a confecção de uma emenda óptica é muito mais simples e exige muito menos mão-de-obra do que uma emenda de cabo multipar.

Entretanto, requer o uso de caixas de emenda que garantam a integridade do serviço durante a vida útil esperada da rede, que é de muitos anos, e de ferramentas e instrumentos especializados.

A emenda de fibras ópticas não admite improvisos.

É muito diferente da emenda de um condutor de cobre, que pode ser feita até mesmo por torcimento, que irá funcionar.

Todo e qualquer profissional que trabalha neste segmento sabe que o investimento a ser feito em veículo, instrumentos e equipamentos especializados facilmente atinge a casa dos 50 mil reais.

Com bastante frequência, tenho observado artífices trabalhando e vejo que eles fizeram quase toda a lição. Investiram nos itens mais caros, mas, deixaram de investir em alguns mais baratos, que são imprescindíveis.

Esses profissionais podem ser comparados a um nadador que atravessou o oceano a nado e morreu na praia!

Estou postando a seguir, uma relação de ferramentas e acessórios que devem compor a caixa de ferramentas de todo artífice de redes ópticas:

CONJUNTO DE ITENS QUE DEVEM CONSTAR DA CAIXA DE FERRAMENTAS DE UM BOM TÉCNICO DE FIBRAS ÓPTICAS:

  1. Maçarico a gás
  2. Soprador térmico
  3. Alicate de corte transversal
  4. Paquímetro
  5. Estilete com lâmina em bom estado
  6. Querosene doméstico para limpeza de tubetes
  7. Álcool isopropílico para limpeza de fibras
  8. Cortador transversal de tubetes
  9. Cortador longitudinal de tubetes
  10. Estopa ou trapo macio
  11. Papel toalha especial para limpeza de fibras
  12. Tubos e mantas termo contráteis de reserva

CUIDADOS REQUERIDOS PELAS FIBRAS

Cabos ópticos precisam ser tratados com cuidado, afinal fibras óticas são feitas de vidro e vidro não suporta:Tensões nocivas

FIBRAS ÓPTICAS SÃO TAMBÉM SENSÍVEIS A ÁGUA E UMIDADE

Existe uma crença de que fibras ópticas são imunes à água. Isto não é verdade!

A presença de água afeta a transmissão e diminui a vida útil das fibras. A médio prazo, a atenuação aumenta e as fibras se fragilizam e partem.

Quanto tempo esta emenda vai durar?Gambiarra

 Caixa de emenda pendurada e sem vedaçãoCoisa errada 2

Mais cabo sem vedaçãoCoisa errada 1

COMO DEVE SER UM LATERAL

Lateral correto

CORTE ESQUEMÁTICO DE UM LATERAL BEM CONSTRUÍDO

Luva de redução

A luva de redução é uma peça imprescindível na interface entre a curva rígida ligada à canalização subterrânea e o cano lateral. Quando uma destas não é usada, a infraestrutura não tem durabilidade e o resultado pode ser mostrado nas fotos abaixo:

Cano fino enfiado num cano grosso Transicao errada 1

Aqui provavelmente já teve alguma conexãoTransicao errada 2

Duto de PVC 50 mm (esgoto) enfiado duto de PVC 100 mm (esgoto)Transicao errada 3

Cano lateral terminando em duto de PVC (esgoto) embolsado com cimento Transicao errada 5

Uma verdadeira coleção de coisas erradas!Transicao errada 4

ANCORAGEM DE CABOS AÉREOS

15 graus

POSTE ONDE DEVERIAM TER SIDO INSTALADAS PEÇAS DE ANCORAGEM

na instalação de cabos ópticos aéreos autossustentados existem poucas regras. Elas são simples, mas, precisam ser rigorosamente observadas .

Existem apenas dois tipos de dispositivos a serem usados: Apoios e ancoragens. Mesmo sendo uma escolha em duas, com muita frequência vejo situações como a da foto, tirada em uma de minhas auditorias. É preciso observar que este não é um cabo da RNP, para quem presto serviços. Pertence a uma concessionária.

Uma peça de apoio, como o próprio nome diz, apoia o cabo, impedindo que ele caia no chão. Segura, mas, não oferece resistência ao escorregamento do cabo. A ideia é garantir que a força de tensão aplicada no cabo não seja transferida para o poste. Quando se usa uma peça de apoio, o poste suporta apenas o peso do cabo.

Ao contrário de uma peça de apoio, uma ancoragem, além de suportar o peso do cabo, absorve a tensão nele aplicada. A ancoragem, obviamente, transfere esse esforço para o poste.

Para evitar qualquer tipo de dano, a primeira recomendação é que o cabo autossustentado seja sempre puxado manualmente. O tensionamento final deve ser feito com catraca manual, nunca elétrica ou hidráulica. O controle de tensão deve ser feito com dinamômetro. Se não houver dinamômetro deve ser deixada uma flecha equivalente a 1% do comprimento do vão.

O primeiro e o último poste precisam ser sempre equipados com âncoras. Por razões óbvias, nunca com apoios!

ÂNCORA PRÉ-FORMADAAncora pre formada

 ESTICADOR BIPARTIDO “RATINHO”

Esticador  na posição fechadaEsticador fechado

Esticador ainda sem o caboEsticador aberto

Em trechos retos, a distância recomendada entre dois postes de ancoragem é de 200 metros, ou cinco lances. A razão principal desta recomendação é limitar a extensão de cabo que pode escorregar e criar situação de perigo em caso de rompimento.

Finalmente, é importante observar que postes onde o cabo sofre deflexão igual ou superior a 15 graus (na horizontal ou na vertical) devem ser equipados com ancoragens. Quando esta regra não é observada, a capa do cabo fica comprimida contra a parede da peça de apoio e corre o risco de se deformar. Além disso, caso haja um rompimento e o cabo escorregue, pode rasgar nesse ponto. Em situações como a da foto, as fibras ópticas do cabo acabam sendo comprimidas. Ou se rompem, ou apresentam aumentos significantes de atenuação.

Peça de apoio

Este é um tipo muito comum de peça de apoio, conhecida também como “dielétrico”, por ser feita com material isolante.

Torcimento

Quando se faz uma ancoragem, é importantíssimo verificar se o cabo não apresenta torcimento, como aparece na foto. Se o cabo estiver torcido, o serviço precisa ser refeito. Torcimentos de capa também podem ser transferidos para as fibras.

CAIXA SUBTERRÂNEA CS-2

Tenho visto muita coisa errada em infraestrutura subterrânea para cabos ópticos. O caso mais comum é o uso de caixas quadradas, 40 cm x 40 cm, dotadas de tampas de concreto, adequadas para cabos elétricos, mas, inadequadas para cabos de telecomunicações.

Abaixo, estão as dimensões da caixa CS2, o tipo mais usado pela RNP:

Caixa CS2Uma caixa subterrânea típica para cabos ópticos possui as seguintes dimensões:

Comprimento 107 cm; Largura 52 cm; Profundidade 60 cm

As paredes podem ser de alvenaria de tijolos, de concreto, ou de outro material.

No fundo da caixa é importante que haja um dreno. Normalmente, um buraco circular com 100 cm de profundidade e 10 cm de diâmetro. esse buraco deve ser preenchido com brita número 2. Ao invés de laje, o fundo da caixa pode ser feito com uma camada de 10 cm de brita número 2.

As paredes devem ser equipadas com suportes para degraus.

Sobre as paredes deve ser fixado um chassis de aço, perfil “L” zincado a quente. O chassis deve receber uma tampa de aço fundido cinza com recartilhado anti-derrapante, tipo QC da Telebrás.

Nunca levar ao pé da letra a expressão “no pé do poste”:

Caixa de pé de poste Caixa construída no “pé do poste” precisa ficar a uma distância mínima de 100 cm do mesmo, para não abalar sua estabilidade e permitir que a curva rígida instalada sob o cano lateral complete seu curso e fique na horizontal. Esta caixa também deveria estar equipada com tampa de ferro fundido.

 

ALTURAS DE CABOS AÉREOS

AlturasUm detalhe importante a ser conferido durante as aceitações é a altura de fixação dos cabos aéreos e também seu tensionamento.

Alturas mínimas recomendadas no meio do vão:

Em calçadas: 4,50 metros

Em travessias de ruas: 5,00 metros

Em travessias de estradas: 6,00 metros

No tocante a tensionamento, as normas recomendam um tensionamento tal que produza uma flecha de 1%.

Relação entre vãos e flechas:

30 metros:   Flecha 30 cm

40 metros:   Flecha 40 cm

50 metros:  Flecha 50 cm

60 metros:  Flecha 60 cm

Micro curvaturas

 

Micro curvaturas2Mesmo que o tensionamento excessivo não provoque a ruptura da fibra, seu estressamento pode causar o enrugamento da interface casca / núcleo, fenômeno conhecido como  micro curvatura, extremamente prejudicial à transmissão.

Micro curvaturas3

Tensões em excesso durante a instalação, ou tensões prolongadas ao longo da vida de uma fibra podem produzir micro curvaturas, que são fatais para a transmissão, notadamente em trechos longos