EFEITO DUVIDOSO

Efeito duvidosoEsta história também se passa em São José do Divino, Piauí. Não exatamente no centro. Para ser preciso, eu diria que a uns mil metros da praça da igreja.

Quando a gente realiza a inspeção de aceitação de uma rede óptica, existe um roteiro a ser seguido. Grande parte das atividades relaciona-se com a visita aos prédios que estão interligados à rede. Em cada ponto de terminação de fibras tem um roteador energizado por um nobreack ligado a uma tomada e vários outros dispositivos e equipamentos acomodados dentro de um rack.

Mas, uma parte das atividades consiste em se correr a rede externa, observando altura e tensionamento do cabo, ancoragens, sustentações, reservas técnicas, emendas e coisas assim.

A rede óptica de São José do Divino é bem pequena. De ponta a ponta, a cidade tem 2 quilômetros de extensão e é este o comprimento de cabo que foi inspecionado. Não mais do que 50 postes

O grupo de aceitação era composto de sete pessoas. Eu e outro representante da RNP (estávamos assumindo a responsabilidade pelas inspeções naquela viagem), um representante do Ministério das Comunicações que estava entregando a responsabilidade, três representantes da empreiteira que implantou a rede e o Secretário de Planejamento da prefeitura que a estava recebendo, que se chamava Francisco.

Quase hora do almoço, sol a pino, temperatura na sombra ao redor de 38 graus centígrados. Caminhamos desde a sede da prefeitura até o último ponto atendido pela rede, que era a delegacia de polícia.

Acostumado a andar, fui caminhando depressa e ganhando espaço do resto do grupo. Apertando o passo, Francisco me fez companhia. Em dada altura, ele viu um conhecido dentro de uma pequena lanchonete que ficava ao lado de uma oficina de motocicletas e me contou que os dois estabelecimentos pertenciam ao cidadão, que era também um dos vereadores da cidade.

Fez questão de parar para me apresentar. Havia outras três pessoas no local. Pareciam ser mais amigos do que fregueses. Estavam sentados na varanda coberta de telhas de aço zincado. O calor ali era escaldante para meus padrões. Muito agradável para eles, que estão em pleno inverno por lá. Feitas as apresentações, o comerciante ofereceu caldo de cana recém espremido. Estava bem gelado e desceu muito bem. Pedi repetição, o que o deixou muito feliz.

A pausa para o caldo de cana deu tempo do resto do grupo nos alcançar. Começamos a conversar. Foi uma conversa curta de não mais do que dois minutos. Francisco explicou a todos o que estava sendo feito. Empolgado com a confirmação de que o WiFi público já estava funcionando na praça, um dos amigos do vereador exclamou: “Oba, é agora que vou poder ver mulher pelada na Internet sem ter que pagar nada”

A Internet é uma ferramenta incomparável. Através dela temos acesso a milhares de fontes de informação, lazer e conhecimento e cultura, localizadas em qualquer parte do planeta.

Tentei explicar que a Internet pode ser usada até para isto, sem dúvida, mas, que ele deveria começar a pensar em tirar proveito daquela ferramenta. Comecei a contar aos presentes que meu filho mais velho, engenheiro eletricista como eu, obteve um diploma de especialização no MIT usando a Internet. Mas, logo desisti. Desconfiei que ninguém alí fazia a mínima ideia do que era MIT ou qualquer outra instituição deste tipo.

Perguntei se ele já tinha estado em alguma cidade grande. Nunca, nem em Teresina!

Antes de entrar numa estrada, precisamos saber onde ela vai dar e o que queremos fazer no destino. Não podemos correr o risco de ser como Alice passeando no País das Maravilhas. Numa encruzilhada, perguntou ao gato que lá estava por qual caminho deveria prosseguir, que respondeu perguntando a ela para onde ela ir. Alice respondeu que estava perdida e que não sabia. E o gato, finalmente, deu sua resposta: “então não faz nenhuma diferença”.

Antes de pegar uma estrada, precisamos estudar o caminho a ser trilhado e saber o destino a ser atingido. Enquanto não fizermos isto, estaremos gastando tempo e dinheiro, sem conseguir sair do lugar!

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