ESTAGIANDO NA TELEPAR EM 1968

Segundo o IBGE, o município de Goioerê possui hoje cerca de trinta mil habitantes. A cidade cresceu muito desde que estive lá. Eu tinha acabado de passar para o quinto ano de engenharia e era estagiário da Telepar.

Estava passando férias de janeiro na casa de meus pais em Botucatu, interior de São Paulo e resolvi comemorar o aniversário de minha então namorada Maria do Rocio, hoje minha esposa, em Curitiba.

Ela faz aniversário no dia 19 de janeiro. Naquele ano, caiu numa quinta-feira. Prevenido, cheguei em Curitiba na segunda-feira, dia 16 de janeiro, bem cedo. Mesmo de férias, resolvi dar uma passada na Telepar para rever os colegas. Mal sabia o que me esperava.

Os estagiários circulavam pelos departamentos e eu havia sido transferido recentemente para o EDI, Departamento de Infraestrutura, que funcionava numa sala que tinha uns 100 m² no “predinho”, apelido da edificação de dois pavimentos que ficava no fundo do terreno da Avenida Manoel Ribas 115, a poucos metros de onde estava sendo erguido o edifício sede da Telepar, carinhosamente chamado de “predião”.

O chefe do departamento era o engenheiro Manoel Rodrigues, proficional experiente, conhecido como Maneco Facão, apelido que ganhou nos tempos de faculdade.

Quando entrei, Maneco estava conversando com Mauro José Corbellini, engenheiro eletricista recém formado. Ele me deu boas vindas e, quando me dei conta, estava participando de uma reunião de trabalho, em pé mesmo. Fiquei sabendo que a Telepar ia inaugurar um Posto de Serviço em Goioerê e que a Copel estava se recusando a ligar a energia do predio, por conta de um problema técnico.

A inauguração estava marcada para acontecer justamente no dia 19 de janeiro, e seria seria oficializada através de um telefonema que o prefeito da cidade para o governador Paulo Pimentel. Também fiquei sabendo de um segundo problema: a torre de micro-ondas de Paranavaí estava pronta e seu aterramento precisava ser concluído com urgência. 

Maneco falou: “quero que vocês resolvam os dois problemas, começando por Goioerê”.

Perguntei onde ficava ficava Goioerê e me contaram que seria um viagem de 490 Km: 240 Km em asfalto (entre Curitiba e Guarapuava) e 250 Km de estradas de terra, até Goioerê. Argumentei que estava de férias e que tinha vindo a Curitiba por conta do aniversário da minha namorada, mas não adiantou: Maneco decidiu, estava decidido!

Como a pintura do prédio precisava ser retocada e o quadro de distribuição elétrica do PS precisava ser concluído, viajariam conosco dois pintores e um eletricista. A partida aconteceu no dia seguinte. No horário combinado, fui até o ponto de ponto de encontro, onde estavam os pintores e o eletricista, mas, nada do Corbelini.

O transporte chegou. Era uma caminhonete Chevrolet C-1416 cabine dupla com a logomarca do governo Paulo Pimentel na porta: um Retângulo branco com cantos arredondados com um círculo verde no centro, onde se lia “Paraná, aqui se trabalha”, que havia sido apelidado de “pepinão”, com justa razão. 

O motorista contou que, por conta de um imprevisto, Corbelline não viajaria conosco e que eu teria que me virar sozinho.

O primeiro trecho da viagem foi tranquilo. Chegamos em Guarapuava por volta do meio-dia, onde almoçamos. Depois do almoço, pegamos o trecho de terra, empedrado e cheio de buracos. A caminhonete não conseguia passar de 40 quilômetros por hora.

Faltando umas 3 horas para chegar em Goioerê, começou a chover forte e, quando isso acontecia, a ordem da polícia rodoviária era parar, para não “estragar” a estrada. Em consequência disso, dormimos na caminhonete e só chegamos no destino às onze da manhã de quarta-feira, faltando 48 horas para a inauguração. Pintores e técnico ficaram no prédio do PS e o motorista me levou até o escritório da Copel.  O técnico que rejeitara o ramal de entrada estava em horário de almoço. Voltei no início do expediente da tarde.

Nesse interim, conversei com o eletricista que tinha instalado o ramal e ele me contou que a norma da Copel estabelecia que ramais de entrada precisavam usar cabos bitola #8 AWG* e que, mesmo sabendo disso, o engenheiro da Telepar tinha mandado ele instalar cabos bitola #6 AWG**.

Eu nunca havia ouvido falar dessa exigência. Nos meses anteriores, havia trabalhado na elaboração de projetos de barramentos DC e conferido o projeto das instalações elétricas do edifício sede que estava em obras naquele momento.

No início da tarde, argumentei com o técnico da Copel que cabos #6 AWG tinham capacidade de corrente maior e isto aumentava a segurança da instalação, mas, o técnico foi irredutível: “para mim, vale o que está escrito na norma”.

A quinhentos quilômetros de Curitiba, arrisquei meu pescoço e garanti a ele que trocaria os cabos. O técnico confirmou que aquele era o único empecilho e que ele energizaria o prédio a tempo da inauguração.

Corri até a oficina do eletricista e propuz a ele a troca dos fios #6 AWG por fios #8 AWG. E que ele ficaria com os fios mais grossos como pagamento do serviço. Para minha surpresa, ele aceitou minha proposta.

Na tarde daquele dia, e no dia seguinte, ajudei o técnico eletricista, meu companeiro de viagem, a instalar o quadro de distribuição e a testar o grupo motor-gerador do PS.

Na manhã do dia 19 de janeiro de 1968, o prefeito de Goioerê telefonou para o governador. O evento foi um sucesso. Umas cem pessoas que participaram da inauguração formaram uma fila enorme, pois todos queriam telefonar. Com isso, acabei não dando os parabéns para a minha namorada no dia do aniversário dela.

No dia 21, já em Paranavaí, escrevi uma carta me desculpando, que hoje leio e acho muito engraçada. Se alguém se der ao trabalho de verificar o dia da semana, vai descobrir que o dia 21 de janeiro de 1968 caiu num domingo (no começo da Telepar, quem viajava, trabalhava direto, pois o objetivo era fazer o que tinha que ser feito, o mais rápido possível.

No final da semana seguinte, após concluir o aterramento da torre de Paranavaí, de volta a Curitiba, escrevi um relatório de viagem, detalhando o que havia acontecido e ninguém me censurou por ter decidido trocar cabos já instalados por cabos mais finos.

Naquela viagem, aprendi que um bom profissional precisa estar sempre disponível, tomar decisões rápidas e ser flexível.

Aprendi também que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Isto valeu tanto para o Maneco Facão que decidiu que eu ia viajar, quanto para o técnico da Copel que exigiu a modificação.

A empresa era pequena, a história se alastrou e ganhei fama de “resolvedor” de problemas. Tinha apenas 22 anos e ainda faltava um ano para me formar.

Moral da história: a somatória de contribuições, mesmo pequenas, produz grandes resultados.

PARA MIM, O MAIOR PROBLEMA FOI CHEGAR EM GOIOERÊ!

(*) #8 AWG = 8,3 mm2      (**) # 6 AWG = 13,3 mm2

Carta histórica para minha namorada:

CARTA DE RECOMENDAÇÃO VÉSPER

Reference letter concerning Joaquim Fanton

Rio de Janeiro, May 9, 2001.

Mister Fanton worked for Vesper, under my responsability, from June 1999 to May 2001. As senior manager, he supervised a team of about twenty managers and non-managers responsible to design the transmission network and the outside plant local fiber network.

During this assignment, Mr. Fanton was responsible to interview and select the brazilian engineers, supervise their work, develop their training program and provide the required coaching. He was also responsible to deal with the brazilian authorities to get the rights to build the network and to coordinate the activities of the different suppliers.

At his arrival, Mr. Fanton was part of the team who built Vesper, before the Company started his operation. He was very dedicated and professional; he strongly contributed in the achievement of meeting Anatel committment to have Vesper in operation for January 2000.

All along his assignment, he acted as an excellent counsellor for me and the whole engineering team. He helped me to better understand the brazilian mentality and the way to gain efficiency in negociation with the authorities.

He is also a very fine negociator. He was regularly required by the sales people to help solving major issues in the process of acquiring right of ways to install the telecommunication equipment on private property.

In summary, Mr. Fanton, with his huge knowledge of telecommunication business and his numerous personal skills was an important asset for my team and for the whole Vesper Company.

I strongly recommend him as an excellent candidate to achieve a Senior Manager or even a Director position in a telecommunication enterprise.

Jean Provencher,

Director Network Design,

Vesper.

Tel: 1-418-622-6677

E-mail: jean.provencher2@sympatico.ca

PROJETO CIDADES DIGITAIS

Durante 3 anos, além de outras atividades, realizei pessoalmente, ou coordenei atividades de aceitação re redes do projeto Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações, por conta de convênio de ccoperação assinado com a RNP. As atividades incluiram também a redação de relatórios de aceitação detalhados.

Segue abaixo a relação das redes ópticas que foram aceitas entre julho de 2016 e novembro de 2019:

    1. São José do Divino PI – Julho 20167
    2. Inhuma PI – Julho 2016
    3. Regeneração PI – Julho 2016
    4. Coari AM – Agosto 2016
    5. Penápolis SP – Julho 2016
    6. Paulo de Frontin RJ – Setembro 2016
    7. Santana do Acaraú CE – Outubro 2016
    8. Manaquiri AM – Novembro 2016
    9. Casa Branca SP – Dezembro 2016
    10. Nossa Senhora dos Remédios PI – Março 2017
    11. Itaporanga PB – Julho 2017
    12. Esperança PB – Julho 2017
    13. Cabaceiras PB – Julho 2017
    14. Guareí SP – Agosto 2017
    15. Santo Antônio de Pádua RJ – Agosto 2017
    16. Nepomuceno MG – Setembro 2017
    17. Maricá RJ – Outubro 2017
    18. Descalvado SP – Novembro 2017
    19. Ponte Alta do Bom Jesus TO – Novembro 2017
    20. Porto Nacional TO – Novembro 2017
    21. Paraíso do Tocantins TO – Dezembro 2017
    22. Itambacuri MG – Março 2018
    23. Japonvar MG – Março 2018
    24. Conchal SP – Março 2018
    25. Nossa Senhora da Glória SE – Março 2018
    26. Vicência PE – Março 2018
    27. Camutanga PE – Março 2018
    28. Itambé PE – Março 2018
    29. São Joaquim da Barra SP – Abril 2018
    30. Promissão SP – Abril 2018
    31. Jacarezinho PR – Maio 2018
    32. Reserva PR – Maio 2018
    33. Imbituva PR – Junho 2018
    34. Cotegipe BA – Junho 2018
    35. Baianópolis BA – Junho 2018
    36. Araçuaí MG – Junho 2018
    37. Ibaté SP – Julho 2018
    38. Miracatu SP – Julho 2018
    39. Buritirama BA – Agosto 2018
    40. Barra BA – Agosto 2018
    41. Brejolândia BA – Agosto 2018
    42. Pederneiras SP – Agosto 2018
    43. Júlio Borges PI – Setembro 2018
    44. Várzea Branca PI – Setembro 2018
    45. Sebastião de Barros PI – Setembro 2018
    46. Curimatá PI – Outubro 2018
    47. Oeiras PI – Outubro 2018
    48. Canto do Buriti PI – Outubro 2018
    49. Ribeira do Piauí PI – Outubro 2018
    50. Socorro do Piauí PI – Outubro 2018
    51. Coronel José Dias PI – Outubro 2018
    52. Mairinque SP – Outubro 2018
    53. Sebastião Barros PI – Outubro 2018
    54. Ribeira do Piauí PI – Outubro 2018
    55. Várzea Branca SP – Outubro 2018
    56. Coronel José Dias PI – Outubro 2018
    57. Porteirinha MG – Novembro 2018
    58. Espírito Santo do Pinhal SP – Novembro 2018
    59. São Mateus do Sul PR – Novembro 2018
    60. Pinhão PR – Novembro 2018
    61. Piraí do Sul PR – Novembro 2018
    62. Buritizeiro MG – Dezembro 2018
    63. Serrana SP – Dezembro 2018
    64. Jaguariaíva PR – Fevereiro 2019
    65. Oeiras PI – Fevereiro 2019
    66. Santo Antônio do Retiro MG – Fevereiro 2019
    67. Orlândia SP, Abril 2019
    68. Verdelândia MG, Junho 2019
    69. Manga MG, Junho 2019
    70. Machados PE, Julho 2019
    71. Altinho PE, Julho 2019
    72. Santana do Matos RN, Julho 2019
    73. Jeremoabo BA, Agosto 2019
    74. Tupanatinga PE, Agosto 2019
    75. Pacatuba SE, Outubro 2019
    76. Bom Conselho PE, Outubro 2019
    77. Cortês PE, Outubro 2019
    78. São Desidério BA, Novembro 2019
    79. Santa Rita de Cássia BA, Novembro 2019
    80. Rolante RS, Novembro 2019
    81. Orós CE, Novembro 2019

Inspeção Final Rede Óptica de Nepomuceno MG

A rede óptica municipal de Nepomuceno MG foi inspecionada em setembro de 2017

No dia 13/09/2017 foi realizado um workshop sobre redes ópticas.

Participaram>

  • Cleyton Pedrosa – Prefeitura Municipal de Nepomuceno (terceirizado)
  • Vinicius Habib – CEFET
  • Franciscarlos Pereira – CEFET
  • Júlio César de Paiva – CEFET
  • Lidiane Marcelino Carvalho – Prefeitura Municipal de Nepomuceno
  • Ricardo Alves – CEFET

Acima, foto dos participantes do Workshop

 

 

 

 

 

 

Longá, uma solução criativa

Em março de 2017, foi realizada a inspeção final da rede óptica municipal de Nossa Senhora dos Remédios PI. Cidade pequena, rede pequena, as inspeções foram realizadas em um dia. Bem trabalhoso por sinal. No final do expediente, os profissionais da empresa XN, que havia implantado a rede da cidade, nos contaram que haviam encontrado pulgas e percevejos nas camas da Pensão Mãe Rola.

Por este motivo, decidimos nos hospedar em outra cidade, chamada Esperantina. Acabamos descobrido que a cidade ficava bem mais longe de Remédios do que havpiamos imaginado.

Na na manhã seguinte, descobrimos que estávamos a 100 Km de Nossa Senhora dos Remédios.

Na saída, GPS indicou um caminho mais curto: 70 Km. Seguimos o roteiro, mas, logo descobrimos o motivo do pessoal da XN não ter indicado aquela estrada. Ela era de terra, mal conservada e cheia de buracos. A paisagens era muito bonitas, mas, a estrada era péssima. Saímos às 6 horas e chegamos em Remédios às oito e trinta!

Trabalhamos a manhã toda e almoçamos no único lugar razoavelmente decente que havia na cidade. Para evitar a perda de 4 horas em viagens no dia seguinte, trabalhamos até terminar todas as inspeções.

Regressamos a Esperantina à noite, desta vez, usando estradas pavimentados. Na manhã seguinte, trabalhamos no hotel, revisando os detalhes da inspeção e almoçamos numa churrascaria, às margens do rio Longá.

Na hora de pagar a conta, veio a surpresa: Descobrimos que o município de Esperantina possuia um Banco Comunitário, que trabalhava com uma moeda própria, chamada LONGÁ

O Longá havia sido  lançado em 2015, por iniciativa da vereadora Domingas Santana, que apresentou o projeto de lei que aprovou a moeda, e convenceu os demais vereadores que a economia local dinamizada com a criação de um banco comunitário que promoveria a inclusão social das famílias carentes e estimularia o desenvolvimento, concedendo crédito para pequenos empreendedores.

Mas, tem outro motivo, que julgo pertinente relatar. De uns anos para cá, não há uma única cidade de pequeno porte na região nordeste cuja agência bancária não tenha tido seu cofre explodido com dinamite! A consequência é que as agências assaltadas nunca mais voltaram a funcionar. Nessas cidades, não circulam notas de Real. Os habitantes usam cartão, ou vão até uma cidade vizinha para sacar dinheiro.

A nova moeda social, Longá, tem notas de 0,50, 1,00, 2,00, 5,00 e 10,00.

As imagens que compõem a moeda social vão desde o Peixe Surubim, ao Colégio David Caldas, Cachoeira do Urubu, Pedra do Tapuio, Ponte sobre o Rio Longá e um Vaqueiro.

O primeiro município do Piauí a criar um banco comunitário e adotar moeda própria, OPALA, foi Pedro II. Em em seguida, São João do Arraial lançou o COCAIS, o Município de Porto lançou o MARRUÁS.

Pelo jeito, esta história vai longe…     

 

 

 

INSPEÇÃO FINAL REDE ÓPTICA MUNICIPAL GUAREÍ SP

A rede óptica Municipal de Guareí SP foi inspecionada em setembro de 2017.

Há 90 anos, surgiram as primeiras construções na confluência do ribeirão Guarda-Mor com o rio Guareí, nas propriedades de Elias Ayres do Amaral. Entre as primeiras casas, foi erguida uma capela em homenagem a São João Batista. Surgiu assim o  povoado de São João Batista de  Guareí.

Em 09/03/1871, o povoado foi elevado a Freguesia do município de Itapetininga,   pela Lei nº 14. e  em 16/03/1880 foi elevada à condição de Cidade .

Em 03/07/1934, a localidade foi incorporada ao município de Tatuí na qualidade de distrito, com a denominação de Guareí.

Em 05/11/1936 a cidade de Guareí  foi elevada à condição de Município. A despeito do decreto ter sido emitido em outra data, o aniversário do Município é comemorado no dia 16 de maio.

O nome Guareí tem dois possíveis significados: Rio do Lobo Guará, “guará-y” ou Rio dos Macacos “guari-y”. O primeiro é o nome oficialmente reconhecido.

Acima, a igreja matriz  de São João Batista do Guareí

Foto da equipe que participou das inspeções