MEU RELACIONAMENTO COM O CPqD

Meu relacionamento com os responsáveis pela criação do CPqD começou em 1974, quando a instituição era ainda um sonho.

Na época, a Telebrás, recém fundada e ainda em formação, arregimentou e trouxe para Brasília engenheiros experientes, recrutados no Brasil e no exterior, constituindo um quadro técnico que viabilizou a implantação Sistema Telebrás que, em duas décadas, revolucionou as telecomunicações e colocou o Brasil no topo da tecnologia mundial.

Em 1974, o edifício sede da Telebrás (hoje ANATEL) não existia e a sede da empresa era em um edifício localizado no Setor Comercial Sul de Brasília.

Na época, a divisão de Engenharia de Redes Externas ocupava a sala vizinha da divisão de Tecnologia, voltada a atividades de ciência, desenvolvimento tecnológico e inovação, onde trabalhavam Hélio Graciosa, Cláudio Violato, Gil Popoire de Azevedo  e outros. Foi ali que começou um relacionamento profissional e de amizade que dura até os dias de hoje.

Após a criação do CPqD, que ocorreu em 1976, o pessoal da divisão de tecnologia foi transferido para Campinas e ganhou uma sede provisória no edifício da Central de Trânsito da Embratel, no centro da cidade e o projeto de desenvolvimento de fibras ópticas, com o qual me envolvi desde o começo, foi quase que inteiramente desenvolvido em um barracão localizado no Bairro dos Amarais.

Minhas visitas ao barracão se deveram ao fato de minha divisão ser responsável pela emissão de normas e especificações relacionadas com projeto e instalação de cabos de rede, e estas incluíam cabos ópticos.

Neste ponto da história, é oportuno mencionar que quando me mudei para Brasília em 1974, eu já tinha dois filhos (Joaquim e Rodrigo) e minha esposa (Maria do Rocio) estava grávida do terceiro (Maurício) e que, em 1977, nasceu minha filha (Letícia).

Quase no final da década de 70, o governo brasileiro estreitou relações com países africanos, entre eles a Nigéria e, para contribuir na implementação dessa política, o Governo Federal passou a facilitar a participação de técnicos e engenheiros brasileiros. Assim, muitos empregados de estatais tiravam licenças de suas atividades e iam trabalhar temporariamente nesses países. No início de 1979, surgiu uma oportunidade na minha área de especialidade, que decidi aproveitar. Solicitei uma licença não remunerada de três meses. O objetivo era coordenar a elaboração do projeto de uma rede telefônica na cidade de Lagos, na Nigéria.

Mas, isso me obrigou a mudar para Curitiba, com esposa e quatro filhos.

As dificuldades em Lagos eram muito maiores das inicialmente prevista, de forma que precisei negociar uma extensão de mais três meses na minha licença

O projeto foi concluído em outubro, mas, de volta ao Brasil, me dei conta de outro problema: Meu filho mais velho perderia o ano escolar caso voltássemos para Brasília naquele momento. Assim, conversei com meu amigo Garbi, que conversou com o General Alencastro, que concordou em me emprestar para a Telepar. Mas, Garbi trouxe com ele um recado: “O General concordou com o empréstimo, mas, disse que se aparecer uma “missão” importante, ele chama você de volta”.

Durante dois anos, trabalhei para o Departamento de Planejamento da Telepar, onde desenvolvi métodos e procedimentos voltados à viabilização implantação de serviço telefônico em pequenas comunidades rurais e fazendas.

No decorrer do meu trabalho, fiquei sabendo, através de um colega alemão chamado Manfred Arno Böer, que o Deutch Bundespost estava usando cabos aéreos dotados de elementos de tração de enorme resistência, kevlar (também conhecido como aramida), que dispensavam o uso de cordoalhas de sustentação.

Entrei em contacto com Furukawa e Pirelli. Tradicionalmente cautelosa, a Furukawa pediu um ano para iniciar a produção. Mas, a Pirelli confirmou a possibilidade de entregar, em dois meses, um lote inicial, para um teste de campo.

A Telebrás, Telepar e Pirelli se uniram e foi emitida uma especificação do novo cabo, equipado com seis pares simétricos de cobre bitola 0,65 mm (22 AWG).

O teste de campo foi realizado no atendimento de uma escola rural às margens da BR 277, nas proximidades de São Miguel do Iguaçu, num bairro rural conhecido como Vila Bendo, onde também existiam uma igreja e um restaurante de beira de estrada.

Foi um grande sucesso: os instaladores lançaram 8 Km de cabo em um único dia de serviço e o pequeno comércio recebeu a missão de tomar conta de um telefone público e também a autorização para vender fichas.

O objetivo inicial era exatamente esse, mas, o novo cabo minimizou o custo de atendimento a fazendas de tal forma que, no primeiro ano, a Telepar instalou mais de 2 mil quilômetros do novo cabo, que passou a ser usado em todo o Brasil.

A essas alturas, eu pensava que continuaria trabalhando para a Telepar por muitos anos, mas, em meados de 1981, chegou ao conhecimento da diretoria da Telebrás que a NTT possuía um Centro dedicado a Estudos e Desenvolvimento de Redes.

Na época, as operadoras do mundo todo investiam praticamente 50% de seus recursos na expansão e manutenção de redes telefônicas e a diretoria da Telebrás decidiu copiar a iniciativa da NTT.

Em setembro daquele ano, recebi um telefonema do Raul Del Fiol, então Diretor de Operações da Telebrás, informando que eu havia sido designado para essa missão e me convocou para uma reunião urgente em Brasília.

Juntei vários argumentos para demonstrar o quanto eu estava sendo útil para a Telepar e indiquei nomes de engenheiros do sistema Telebrás capazes de liderar a implantação do novo centro, mas, a decisão do era irrevogável.

No mesmo dia, fui apresentado ao meu novo chefe: Jorge Marsiaj, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento da Telebrás, sediado em Campinas.

Em outubro de 1981, acompanhado por Marison Simões Cardoso, representando a Diretoria de Operações, visitei o Centro de Estudos e Desenvolvimento de Redes da NTT localizado em Tsukuba no Japão, com o qual a Telebrás havia estabelecido um acordo de cooperação.

Nos primeiros seis meses, compartilhei uma sala com advogado Francisco Elair de Morais e com o engenheiro Lenine Rocha, que atuavam como assessores do Diretor de Tecnologia. A sala ficava no primeiro andar do prédio 2.

Marsiaj me deu seis meses para elaborar o plano de trabalho que seria submetido à aprovação da Diretoria da Telebrás.

A tarefa mais fácil foi decidir onde seria instalado o Centro de Estudos de Redes, pois a Telebrás possuía um terreno de 200 mil metros quadrados ao lado do CPqD.

Para formular um plano bem objetivo, realizei reuniões com diretores e chefes de departamento das principais operadoras do Sistema Telebrás. Com base nas realimentações, elaborei a lista de projetos a serem desenvolvidos nos primeiros anos de atividades do novo Centro.

Para ganhar tempo, Jorge Marsiaj determinou que o terreno ao lado do CPqD fosse urbanizado: as atividades incluíram limpeza, abertura e pavimentação de ruas, instalação de postes de energia e iluminação, infraestrutura de água e esgoto e arborização. Neste último assunto, o arquiteto do CPqD, Rafael Girsas, optou pelo plantio de árvores frutíferas típicas da região.

O Departamento de obras do CPqD recebeu também a incumbência de elaborar o projeto do edifício sede do novo Centro.

Acompanhei com entusiasmo as atividades de urbanização do terreno, que incluíam instalações e edificações que seriam utilizadas em teste com cabos e equipamentos de redes de telecomunicações.

Mas, não via sentido nem bom-senso em duplicar serviços básicos disponíveis no CPqD, bem ao lado, como controle de acesso, segurança, transporte de empregados, telefonistas, correio, restaurante, banco, atendimento médico, assessoria jurídica, finanças e recursos humanos.

Assim, no final da apresentação que fiz à Diretoria, apresentei uma proposta alternativa: ao invés de um novo Centro, propus a criação de mais um departamento no CPqD, com metas e objetivos baseados no modelo japonês, que foi aprovado por unanimidade. Consequentemente, a construção do edifício sede foi cancelada.

Dentro do elenco do CPqD, a decisão causou um certo mal-estar, pois havia gente que achava que a existência de um departamento dedicado a estudos e soluções de problemas de redes colocaria em risco o prestígio que a instituição havia conquistado nos seus primeiros anos de existência.

Mas, como diziam os antigos romanos, alia jacta est.

Em julho de 1982, o CPqD passou a contar com um novo departamento: DER (Departamento de Estudo e Desenvolvimento de Redes).

Simbolicamente, a integração se deu com a retirada de um portão que, até aquele momento, separava os dois terrenos.

Enquanto o prédio que abrigaria a equipe do novo departamento era construído, trabalhei no prédio 11, onde funcionava o Departamento de Transmissão, chefiado pelo Hélio Graciosa.

Um grande problema que atingia o CPqD na ocasião, era a dificuldade na abertura de novas vagas de trabalho. Num primeiro momento, com apoio do Marsiaj, consegui seis vagas, que usei para pessoal novo,  entre eles, Marco Paulo Gianetti e Juliano Castilho Dall Antonia, formados em engenharia pela Unicamp, que haviam estagiado no barracão de fibras ópticas. Fernando Miquelino e José Eduardo Azarite, engenheiros químicos também graduados pela Unicamp. Como secretária, Nádia Aparecida Nardesi, que trabalhava no escritório que o PNUD mantinha no CPqD e dominava perfeitamente a língua inglesa.

Em seguida, usei o recurso de transferências. Talvez poucos se lembrem, mas, o Ministério das Comunicações controlava quantidade de vagas da Telebrás. Para isso, se valia de um indicador: número de empregados / mil telefones em operação, critério que prejudicava o CPqD, mas, a Telebrás permitia transferências dentro do grupo. Me valendo desse recurso, consegui “importar” vários colaboradores, entre eles, José Henrique de Oliveira, Wagner, Moacir Rubin, Paulo Cesar (saudoso Chocô), Miele,  Américo Simões e outros.

Em 1973 consegui algumas vagas e contratei Carlos Demantova e Hélio Sarmento, que tinham trabalhado comigo no EDR e haviam se transferido para a iniciativa privada.

Como havia pressa na construção da sede, Jorge Marsiaj aprovou a compra de uma edificação de madeira pré-fabricada, que foi entregue no prazo recorde de 3 meses. O prédio ficou muito bonito: com sua paredes externas envernizadas e suas portas e janelas brancas, ganhou o apelido de Casa de Chocolate.

A solução usando construção pré-fabricada deu tão certo que foi repetida nos blocos 2 e 3 do novo departamento, utilizados na condução dos projetos que foram sendo postos em andamento. A diferença, desta vez, é que foi utilizando concreto pré-moldado.

O bloco 2 (que foi sede da Padtec por décadas) era uma obra majestosa: mais de mil metros quadrados, pé direito de 10 metros, ponte rolante de vinte toneladas, dotado de duas dezenas de salas que passaram a ser usadas como laboratórios e salas de trabalho, distribuídas pelo térreo e mezanino

O bloco 3, equivalente a um container, era usado na realização de testes elétricos realizados em cabos e na certificação de dispositivos de proteção elétrica entregues ao CPqD ara testes de certificação.

Durante o ano de 1974, com os serviços crescendo rapidamente, a limitação de vagas de trabalho assumiu um nível insustentável.

Como dificuldade de contratação afetava o CPqD como um todo, a situação havia sido contornada através de um contrato assinado com a FUNCAMP, que atuava como locadora de mão-de-obra especializada.

Cheguei a fazer uso desse recurso: José Oswaldo Guimarães, por exemplo, prestou serviços para o Departamento de Redes através da FUNCAMP.

Mas, uma fonte de engenheiros com perfil profissional mais adequado às atividades do DER era o INATEL. Assim, marquei uma reunião com professor Navantino, diretor do INATEL. Conversamos, Navantino gostou da ideia e deixei com ele cópias do estatuto da FUNCAMP e do convênio com o CPqD. Em decorrência daquela reunião, nasceu a FINATEL.

Dezenas de engenheiros formados pelo INATEL passaram a prestar serviços para o CPqD e, com o tempo, foram sendo internados.

A história do convênio assinado com o BRITSH POST OFFICE

Não sei dizer com precisão, mas, em 1973 ou 1974, participei de um famoso evento de telecomunicações em Genebra. A missão era atender visitantes no stand do CPqD, mas, decidi assistir algumas palestras: selecionei uma, apresentada um pesquisador do Centro de Pesquisas de Telecomunicações do BPO de Ipswitch, Inglaterra. O título era: Pulling cables using the viscous drag of air.

O palestrante fez uma demonstração ao vivo, que muito me impressionou. Tratava-se de um método de instalação revolucionário na época, hoje largamente adotado no mundo, na instalação de redes internas de edifícios. Ao invés de eletroduto, um tubo transparente de pequeno diâmetro (8 mm). Ao invés de cabo, um tubete de 12 fibras ópticas. Ao invés de arame de puxamento, um compressor de ar.

O palestrante ligou a máquina e eu vi o tubete avançando suavemente por dentro do tubo, até sair na outra extremidade, dois ou três minutos depois.

Terminada a palestra, me apresentei ao palestrante que, por sua vez, me apresentou ao seu superior. Em menos de meia-hora, negociamos uma parceria: um estágio com duração de um ano para um engenheiro do meu departamento.

Dois meses depois, viajei para Ipswitch com o Juliano, que se especializou no assunto. Infelizmente, passados seis meses, Juliano precisou interromper o estágio devido a um acidente rodoviário que resultou no falecimento de um irmão. O CPqD se dispôs a enviar outro estagiário, mas, nesse interim aconteceu u´m imprevisto: O British Post Office foi privatizado e o convênio foi cancelado.

Mesmo encurtado, o estágio do Juliano deu fruto. Não aquele que eu esperava, que era a introdução da técnica de sopramento em redes ópticas dentro de edicícios, mas, no desenvolvimento de equipamento de sopramento de cabos ópticos em redes subterrâneas interurbanas.  

Em 1985, em decorrência de alterações políticas ocorridas na esfera nacional, a Diretoria da Telebrás foi renovada e isto afetou também a organização do CPqD.

O novo diretor decidiu trocar a chefia do Departamento de Apoio Técnico (DAT), que passou a se chamar Departamento de Suporte Técnico (DST). E fui  escolhido para ser o novo chefe, também sem a possibilidade de dizer não!

Mas, consegui indicar o meu sucessor na chefia do DER, engenheiro José Henrique de Oliveira.

Chefiei o DST até o final de 1988, ocasião em decidi me transferir para a iniciativa privada. Sai com a sensação de ter dado muito de mim e usufruído muito pouco do potencial de aprendizado e de conhecimento que esteve ao meu alcance.

Mas, tive uma segunda passagem pelo CPqD, desta vez muito produtiva e gratificante. Ao invés de comandar, participei de um desenvolvimento: Rede GIGA

Trabalhei no projeto durante quatro anos (dois em tempo integral e dois em tempo parcial). O coordenador do projeto era o Rege Romeu Scarabucci.

Além de participar da implantação, li, estudei, produzi relatórios, participei de encontros, convivi com pesquisadores e aprendi muito com eles! Foi um verdadeiro renascimento!

Os conhecimentos adquiridos durante minha vida profissional, somados ao que aprendi durante minha segunda passagem pelo CPqD tem sido muito úteis desde então: em 2008, comecei a prestar serviços de consultoria para a RNP, Rede Nacional de Ensino e Pesquisa e para outras instituições, não parei mais.

Caso pudesse, não pararia, jamais!

ESTAGIANDO NA TELEPAR EM 1968

Segundo o IBGE, o município de Goioerê possui hoje cerca de trinta mil habitantes. A cidade cresceu muito desde que estive lá. Eu tinha acabado de passar para o quinto ano de engenharia e era estagiário da Telepar.

Estava passando férias de janeiro na casa de meus pais em Botucatu, interior de São Paulo e resolvi comemorar o aniversário de minha então namorada Maria do Rocio, hoje minha esposa, em Curitiba.

Ela faz aniversário no dia 19 de janeiro. Naquele ano, caiu numa quinta-feira. Prevenido, cheguei em Curitiba na segunda-feira, dia 16 de janeiro, bem cedo. Mesmo de férias, resolvi dar uma passada na Telepar para rever os colegas. Mal sabia o que me esperava.

Os estagiários circulavam pelos departamentos e eu havia sido transferido recentemente para o EDI, Departamento de Infraestrutura, que funcionava numa sala que tinha uns 100 m² no “predinho”, apelido da edificação de dois pavimentos que ficava no fundo do terreno da Avenida Manoel Ribas 115, a poucos metros de onde estava sendo erguido o edifício sede da Telepar, carinhosamente chamado de “predião”.

O chefe do departamento era o engenheiro Manoel Rodrigues, proficional experiente, conhecido como Maneco Facão, apelido que ganhou nos tempos de faculdade.

Quando entrei, Maneco estava conversando com Mauro José Corbellini, engenheiro eletricista recém formado. Ele me deu boas vindas e, quando me dei conta, estava participando de uma reunião de trabalho, em pé mesmo. Fiquei sabendo que a Telepar ia inaugurar um Posto de Serviço em Goioerê e que a Copel estava se recusando a ligar a energia do predio, por conta de um problema técnico.

A inauguração estava marcada para acontecer justamente no dia 19 de janeiro, e seria seria oficializada através de um telefonema que o prefeito da cidade para o governador Paulo Pimentel. Também fiquei sabendo de um segundo problema: a torre de micro-ondas de Paranavaí estava pronta e seu aterramento precisava ser concluído com urgência. 

Maneco falou: “quero que vocês resolvam os dois problemas, começando por Goioerê”.

Perguntei onde ficava ficava Goioerê e me contaram que seria um viagem de 490 Km: 240 Km em asfalto (entre Curitiba e Guarapuava) e 250 Km de estradas de terra, até Goioerê. Argumentei que estava de férias e que tinha vindo a Curitiba por conta do aniversário da minha namorada, mas não adiantou: Maneco decidiu, estava decidido!

Como a pintura do prédio precisava ser retocada e o quadro de distribuição elétrica do PS precisava ser concluído, viajariam conosco dois pintores e um eletricista. A partida aconteceu no dia seguinte. No horário combinado, fui até o ponto de ponto de encontro, onde estavam os pintores e o eletricista, mas, nada do Corbelini.

O transporte chegou. Era uma caminhonete Chevrolet C-1416 cabine dupla com a logomarca do governo Paulo Pimentel na porta: um Retângulo branco com cantos arredondados com um círculo verde no centro, onde se lia “Paraná, aqui se trabalha”, que havia sido apelidado de “pepinão”, com justa razão. 

O motorista contou que, por conta de um imprevisto, Corbelline não viajaria conosco e que eu teria que me virar sozinho.

O primeiro trecho da viagem foi tranquilo. Chegamos em Guarapuava por volta do meio-dia, onde almoçamos. Depois do almoço, pegamos o trecho de terra, empedrado e cheio de buracos. A caminhonete não conseguia passar de 40 quilômetros por hora.

Faltando umas 3 horas para chegar em Goioerê, começou a chover forte e, quando isso acontecia, a ordem da polícia rodoviária era parar, para não “estragar” a estrada. Em consequência disso, dormimos na caminhonete e só chegamos no destino às onze da manhã de quarta-feira, faltando 48 horas para a inauguração. Pintores e técnico ficaram no prédio do PS e o motorista me levou até o escritório da Copel.  O técnico que rejeitara o ramal de entrada estava em horário de almoço. Voltei no início do expediente da tarde.

Nesse interim, conversei com o eletricista que tinha instalado o ramal e ele me contou que a norma da Copel estabelecia que ramais de entrada precisavam usar cabos bitola #8 AWG* e que, mesmo sabendo disso, o engenheiro da Telepar tinha mandado ele instalar cabos bitola #6 AWG**.

Eu nunca havia ouvido falar dessa exigência. Nos meses anteriores, havia trabalhado na elaboração de projetos de barramentos DC e conferido o projeto das instalações elétricas do edifício sede que estava em obras naquele momento.

No início da tarde, argumentei com o técnico da Copel que cabos #6 AWG tinham capacidade de corrente maior e isto aumentava a segurança da instalação, mas, o técnico foi irredutível: “para mim, vale o que está escrito na norma”.

A quinhentos quilômetros de Curitiba, arrisquei meu pescoço e garanti a ele que trocaria os cabos. O técnico confirmou que aquele era o único empecilho e que ele energizaria o prédio a tempo da inauguração.

Corri até a oficina do eletricista e propuz a ele a troca dos fios #6 AWG por fios #8 AWG. E que ele ficaria com os fios mais grossos como pagamento do serviço. Para minha surpresa, ele aceitou minha proposta.

Na tarde daquele dia, e no dia seguinte, ajudei o técnico eletricista, meu companeiro de viagem, a instalar o quadro de distribuição e a testar o grupo motor-gerador do PS.

Na manhã do dia 19 de janeiro de 1968, o prefeito de Goioerê telefonou para o governador. O evento foi um sucesso. Umas cem pessoas que participaram da inauguração formaram uma fila enorme, pois todos queriam telefonar. Com isso, acabei não dando os parabéns para a minha namorada no dia do aniversário dela.

No dia 21, já em Paranavaí, escrevi uma carta me desculpando, que hoje leio e acho muito engraçada. Se alguém se der ao trabalho de verificar o dia da semana, vai descobrir que o dia 21 de janeiro de 1968 caiu num domingo (no começo da Telepar, quem viajava, trabalhava direto, pois o objetivo era fazer o que tinha que ser feito, o mais rápido possível.

No final da semana seguinte, após concluir o aterramento da torre de Paranavaí, de volta a Curitiba, escrevi um relatório de viagem, detalhando o que havia acontecido e ninguém me censurou por ter decidido trocar cabos já instalados por cabos mais finos.

Naquela viagem, aprendi que um bom profissional precisa estar sempre disponível, tomar decisões rápidas e ser flexível.

Aprendi também que “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. Isto valeu tanto para o Maneco Facão que decidiu que eu ia viajar, quanto para o técnico da Copel que exigiu a modificação.

A empresa era pequena, a história se alastrou e ganhei fama de “resolvedor” de problemas. Tinha apenas 22 anos e ainda faltava um ano para me formar.

Moral da história: a somatória de contribuições, mesmo pequenas, produz grandes resultados.

PARA MIM, O MAIOR PROBLEMA FOI CHEGAR EM GOIOERÊ!

(*) #8 AWG = 8,3 mm2      (**) # 6 AWG = 13,3 mm2

Carta histórica para minha namorada:

CARTA DE RECOMENDAÇÃO VÉSPER

Reference letter concerning Joaquim Fanton

Rio de Janeiro, May 9, 2001.

Mister Fanton worked for Vesper, under my responsability, from June 1999 to May 2001. As senior manager, he supervised a team of about twenty managers and non-managers responsible to design the transmission network and the outside plant local fiber network.

During this assignment, Mr. Fanton was responsible to interview and select the brazilian engineers, supervise their work, develop their training program and provide the required coaching. He was also responsible to deal with the brazilian authorities to get the rights to build the network and to coordinate the activities of the different suppliers.

At his arrival, Mr. Fanton was part of the team who built Vesper, before the Company started his operation. He was very dedicated and professional; he strongly contributed in the achievement of meeting Anatel committment to have Vesper in operation for January 2000.

All along his assignment, he acted as an excellent counsellor for me and the whole engineering team. He helped me to better understand the brazilian mentality and the way to gain efficiency in negociation with the authorities.

He is also a very fine negociator. He was regularly required by the sales people to help solving major issues in the process of acquiring right of ways to install the telecommunication equipment on private property.

In summary, Mr. Fanton, with his huge knowledge of telecommunication business and his numerous personal skills was an important asset for my team and for the whole Vesper Company.

I strongly recommend him as an excellent candidate to achieve a Senior Manager or even a Director position in a telecommunication enterprise.

Jean Provencher,

Director Network Design,

Vesper.

Tel: 1-418-622-6677

E-mail: jean.provencher2@sympatico.ca

PROJETO CIDADES DIGITAIS

Durante 3 anos, além de outras atividades, realizei pessoalmente, ou coordenei atividades de aceitação re redes do projeto Cidades Digitais, do Ministério das Comunicações, por conta de convênio de ccoperação assinado com a RNP. As atividades incluiram também a redação de relatórios de aceitação detalhados.

Segue abaixo a relação das redes ópticas que foram aceitas entre julho de 2016 e novembro de 2019:

    1. São José do Divino PI – Julho 20167
    2. Inhuma PI – Julho 2016
    3. Regeneração PI – Julho 2016
    4. Coari AM – Agosto 2016
    5. Penápolis SP – Julho 2016
    6. Paulo de Frontin RJ – Setembro 2016
    7. Santana do Acaraú CE – Outubro 2016
    8. Manaquiri AM – Novembro 2016
    9. Casa Branca SP – Dezembro 2016
    10. Nossa Senhora dos Remédios PI – Março 2017
    11. Itaporanga PB – Julho 2017
    12. Esperança PB – Julho 2017
    13. Cabaceiras PB – Julho 2017
    14. Guareí SP – Agosto 2017
    15. Santo Antônio de Pádua RJ – Agosto 2017
    16. Nepomuceno MG – Setembro 2017
    17. Maricá RJ – Outubro 2017
    18. Descalvado SP – Novembro 2017
    19. Ponte Alta do Bom Jesus TO – Novembro 2017
    20. Porto Nacional TO – Novembro 2017
    21. Paraíso do Tocantins TO – Dezembro 2017
    22. Itambacuri MG – Março 2018
    23. Japonvar MG – Março 2018
    24. Conchal SP – Março 2018
    25. Nossa Senhora da Glória SE – Março 2018
    26. Vicência PE – Março 2018
    27. Camutanga PE – Março 2018
    28. Itambé PE – Março 2018
    29. São Joaquim da Barra SP – Abril 2018
    30. Promissão SP – Abril 2018
    31. Jacarezinho PR – Maio 2018
    32. Reserva PR – Maio 2018
    33. Imbituva PR – Junho 2018
    34. Cotegipe BA – Junho 2018
    35. Baianópolis BA – Junho 2018
    36. Araçuaí MG – Junho 2018
    37. Ibaté SP – Julho 2018
    38. Miracatu SP – Julho 2018
    39. Buritirama BA – Agosto 2018
    40. Barra BA – Agosto 2018
    41. Brejolândia BA – Agosto 2018
    42. Pederneiras SP – Agosto 2018
    43. Júlio Borges PI – Setembro 2018
    44. Várzea Branca PI – Setembro 2018
    45. Sebastião de Barros PI – Setembro 2018
    46. Curimatá PI – Outubro 2018
    47. Oeiras PI – Outubro 2018
    48. Canto do Buriti PI – Outubro 2018
    49. Ribeira do Piauí PI – Outubro 2018
    50. Socorro do Piauí PI – Outubro 2018
    51. Coronel José Dias PI – Outubro 2018
    52. Mairinque SP – Outubro 2018
    53. Sebastião Barros PI – Outubro 2018
    54. Ribeira do Piauí PI – Outubro 2018
    55. Várzea Branca SP – Outubro 2018
    56. Coronel José Dias PI – Outubro 2018
    57. Porteirinha MG – Novembro 2018
    58. Espírito Santo do Pinhal SP – Novembro 2018
    59. São Mateus do Sul PR – Novembro 2018
    60. Pinhão PR – Novembro 2018
    61. Piraí do Sul PR – Novembro 2018
    62. Buritizeiro MG – Dezembro 2018
    63. Serrana SP – Dezembro 2018
    64. Jaguariaíva PR – Fevereiro 2019
    65. Oeiras PI – Fevereiro 2019
    66. Santo Antônio do Retiro MG – Fevereiro 2019
    67. Orlândia SP, Abril 2019
    68. Verdelândia MG, Junho 2019
    69. Manga MG, Junho 2019
    70. Machados PE, Julho 2019
    71. Altinho PE, Julho 2019
    72. Santana do Matos RN, Julho 2019
    73. Jeremoabo BA, Agosto 2019
    74. Tupanatinga PE, Agosto 2019
    75. Pacatuba SE, Outubro 2019
    76. Bom Conselho PE, Outubro 2019
    77. Cortês PE, Outubro 2019
    78. São Desidério BA, Novembro 2019
    79. Santa Rita de Cássia BA, Novembro 2019
    80. Rolante RS, Novembro 2019
    81. Orós CE, Novembro 2019

Inspeção Final Rede Óptica de Nepomuceno MG

A rede óptica municipal de Nepomuceno MG foi inspecionada em setembro de 2017

No dia 13/09/2017 foi realizado um workshop sobre redes ópticas.

Participaram>

  • Cleyton Pedrosa – Prefeitura Municipal de Nepomuceno (terceirizado)
  • Vinicius Habib – CEFET
  • Franciscarlos Pereira – CEFET
  • Júlio César de Paiva – CEFET
  • Lidiane Marcelino Carvalho – Prefeitura Municipal de Nepomuceno
  • Ricardo Alves – CEFET

Acima, foto dos participantes do Workshop

 

 

 

 

 

 

Longá, uma solução criativa

Em março de 2017, foi realizada a inspeção final da rede óptica municipal de Nossa Senhora dos Remédios PI. Cidade pequena, rede pequena, as inspeções foram realizadas em um dia. Bem trabalhoso por sinal. No final do expediente, os profissionais da empresa XN, que havia implantado a rede da cidade, nos contaram que haviam encontrado pulgas e percevejos nas camas da Pensão Mãe Rola.

Por este motivo, decidimos nos hospedar em outra cidade, chamada Esperantina. Acabamos descobrido que a cidade ficava bem mais longe de Remédios do que havpiamos imaginado.

Na na manhã seguinte, descobrimos que estávamos a 100 Km de Nossa Senhora dos Remédios.

Na saída, GPS indicou um caminho mais curto: 70 Km. Seguimos o roteiro, mas, logo descobrimos o motivo do pessoal da XN não ter indicado aquela estrada. Ela era de terra, mal conservada e cheia de buracos. A paisagens era muito bonitas, mas, a estrada era péssima. Saímos às 6 horas e chegamos em Remédios às oito e trinta!

Trabalhamos a manhã toda e almoçamos no único lugar razoavelmente decente que havia na cidade. Para evitar a perda de 4 horas em viagens no dia seguinte, trabalhamos até terminar todas as inspeções.

Regressamos a Esperantina à noite, desta vez, usando estradas pavimentados. Na manhã seguinte, trabalhamos no hotel, revisando os detalhes da inspeção e almoçamos numa churrascaria, às margens do rio Longá.

Na hora de pagar a conta, veio a surpresa: Descobrimos que o município de Esperantina possuia um Banco Comunitário, que trabalhava com uma moeda própria, chamada LONGÁ

O Longá havia sido  lançado em 2015, por iniciativa da vereadora Domingas Santana, que apresentou o projeto de lei que aprovou a moeda, e convenceu os demais vereadores que a economia local dinamizada com a criação de um banco comunitário que promoveria a inclusão social das famílias carentes e estimularia o desenvolvimento, concedendo crédito para pequenos empreendedores.

Mas, tem outro motivo, que julgo pertinente relatar. De uns anos para cá, não há uma única cidade de pequeno porte na região nordeste cuja agência bancária não tenha tido seu cofre explodido com dinamite! A consequência é que as agências assaltadas nunca mais voltaram a funcionar. Nessas cidades, não circulam notas de Real. Os habitantes usam cartão, ou vão até uma cidade vizinha para sacar dinheiro.

A nova moeda social, Longá, tem notas de 0,50, 1,00, 2,00, 5,00 e 10,00.

As imagens que compõem a moeda social vão desde o Peixe Surubim, ao Colégio David Caldas, Cachoeira do Urubu, Pedra do Tapuio, Ponte sobre o Rio Longá e um Vaqueiro.

O primeiro município do Piauí a criar um banco comunitário e adotar moeda própria, OPALA, foi Pedro II. Em em seguida, São João do Arraial lançou o COCAIS, o Município de Porto lançou o MARRUÁS.

Pelo jeito, esta história vai longe…