A foto acima é recente, mas, a cidade mudou muito pouco nos últimos 60 anos!
Em 1969, o município de Antonina tinha 17.000 habitantes e 12.000 moravam na sede.
A história que decidi contar aconteceu em 1969, quando a Telepar lançou planos de expansão de redes telefônicas em todo o Estado do Paraná. Na época, pessoas interessadas em ter telefone adquiriam carnês, que eram pago em até 48 prestações. Em todo o Brasil o telefone era artigo de luxo, pois o preço equivalia ao valor de um carro zero.
Vendedores iam até as cidades levando carnês que continham, além das parcelas a serem pagas nas agências bancárias, 4 vias descartáveis: essas vias eram entregues na sede da empresa e tinham destinos pré estabelecidos: Financeiro, Lista Telefônica, coisas assim. A 4ª via era do Departamento de Projeto de Redes: era utilizada nos projetos pois coninha o nome e o endereço do novo assinante.
No início de 1969, fui escolhido para coordenar o projeto e a implantação de redes telefônicas no interior do Paraná e Antonina foi a primeira. Nos anos seguintes, repeti a operação cerca de 80 vezes, mas, nunca esqueci a experiência de Antonina.
Ao chegar na cidade, reparamos que na 4ª via dos carnês não havia os números das casas. Constava rua tal, s/n. Ou seja, nenhuma casa de Antonina tinha número!
Incluindo o motorista éramos em quatro: fizemos 4 maços, cada um pegou o seu e foi à luta. Bati palmas na porta da primeira casa da rua e uma senhora atendeu. Perguntei onde morava e senhor Antônio da Silva e, para minha surpresa, ela respondeu que não conhecia ninguém com aquele nome.
Contei do que se tratava e ela logo se interessou: “acho que deve ser o Tonico do Bar”, Ele mora no próximo quarteirão, numa casa azul do lado esquerdo. Fui até a casa indicada e era o Antônio correto. Tinha outro cidadão, chamado Francisco, conhecido por “Chico Batatinha”.
Foi assim que descobri que em Antonina, além das casas não terem número, ninguém era conhecido pelo nome: Todos tinham um apelido!
Durante cinco anos, trabalhando como consultor pra o CPqD, coordenei a implantação física do projeto GIGA, sistema de altíssima velocidade, composto por diversos anéis ópticos que somavam 200 quilômetros, interligados por um backbone óptico com 960 Km de extensão.
O projeto GIGA era uma parceria CPqD/RNP e atendia a cerca de 50 instituições de ensino e pesquisa sediadas em Campinas, São Paulo, São José dos Campos, Cachoeira Paulista, Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis.
PROJETO E INSTALAÇÃO DO BARRAMENTO CC DO EDIFÍCIO SEDE DA TELEPAR
A foto acima mostra como o edifício é esbelto, muito diferente dos edifícios que abrigavam centrais telefônicas na época.
O edifício foi construído num dos pontos mais altos da cidade porque a tecnologia de transmissão de longa distância utilizava rádioenlaces de micro-ondas e de UHF, cujas antenas precisavam ficar em pontos dominantes. Por norma, antenas são identificadas por sua localização geográfica e cota.
As antenas do Palácio das Telecomunicações receberam a denominação cota mil, número correspondente aos 900 metros de altitude do terreno somados aos 100 metros de altura do prédio.
Do 1º ao 7º andar, os pavimentos possuem pé direito de 5 metros e foram projetados para abrigar equipamentos de comutação e de informática.
Do 8º ao 17º andar, os pavimentos possuem pé direito de 3 metros e foram equipados com caixas no piso, para tomadas e fios de telefonia. Essa infraestrutura permitia alterações de leiaute nas paredes divisórias, conforme as necessidades de seus ocupantes, normalmente diretores, chefes de departamento e membros de suas equipes. Do 18º e acima, o uso era compartilhado com a Embratel.
Os equipamentos de comutação exigiam salas de 1.000 m² (20 m x 50 m) e usavam alimentação elétrica em corrente contínua, 48 V. Os equipamentos de transmissão utilizavam o mesmo tipo de energia e ocupavam espaços menores,
A energia CC era acumulada em 24 células de 2V ligadas em série, que forneciam corrente de 1.000 Amperes. Fisicamente, cada célula de 2V era um reservatório de ácido sulfúrico diluído em água destilada com dimensões aproximadas de 50 x 50 x 120 cm. Por segurança, precisava haver um afastamento mínimo entre células e entre elas e outros objetos, ou paredes. As baterias exigiam também a existência de sistema de exaustão eficiente. Sob o ponto de vista arquitetônico, a existência de uma sala ao lado de uma sala de equipamentos representava um aumento de 5 metros na largura do prédio.
Para viabilizar a esbeltez do projeto arquitetônico concebido pelo arquiteto Lubomir Antônio Ficinski, engenheiros da Telepar e Embratel concordaram com a construção de uma sala de baterias comunitária no subsolo do edifício e essa decisão resultou na necessidade de uso de condutores de grande calibre para alimentar os andares onde seriam instalados os equipamentos.
Como entrei nessa história:
Quando comecei a estagiar na Telepar, a primeira demanda que recebi do engenheiro Galvão foi estudar e apontar eventuais falhas no projeto elétrico convencional do prédio sede. Realizei o trabalho em apenas dois dias.
Galvão convocou uma reunião com a empresa que havia elaborado o projeto, apresentei a relação de erros encontrados, que foram reconhecidos e corrigidos e a fatura relativa ao projeto elétrico foi liberada para pagamento.
Até aquele dia eu não sabia nada sobre o assunto da energia CC acima detalhado, muito menos que eu acabaria sendo envolvido no projeto e instalação do barramento que operou por muitos anos no Palácio das Telecomunicações.
Galvão usou seu estilo direto de comunicação: “Calcule para mim a área que um condutor precisa ter para alimentar o equipamento de rádio que ficará no topo do prédio, Considere 200 metros de distância, corrente de 1.000 Amperes, tensão 48 V e queda de 0,5 V na extremidade”.
A pergunta era simples. Bastava aplicar a lei de Ohm: V=R.I, ou seja, R = V/I. Em poucos minutos dei a resposta: o condutor precisa ter uma área de 6.880 mm².
Galvão replicou: “e se for de alumínio”? A pergunta também foi fácil de responder, pois a resistividade do alumínio é 60% do cobre: 11.280 mm²
Galvão disse: “providencie o projeto usando alumínio, mas, não quero cabo elétrico, quero que seja projetado um barramento”.
A coisa apertou do meu lado: expliquei que sabia projetar cabo e que barramento exigia conhecimentos mecânicos que eu não dominava, pois estava cursando mecânica básica naquele ano. Mal sabia diferenciar porca de parafuso.
Galvão passou a mão no telefone e ligou para um ex colega do ITA que trabalhava para a ALCAN em São Paulo. Conversaram e combinarm que eu iria a São Paulo, para ter uma aula especial sobre barramentos de alumínio.
Após desligar o telefone, fiquei sabendo que o projeto era muito urgente e que eu tinha um mês para entregar os desenhos detalhados.
Às 11 da noite, peguei um ônibus para São Paulo e às 7 da manhã já estava na rodoviária velha da cidade, localizadas na Avenida Duque de Caxias. A sede da ALCAN ficava esquina das Avenidas Duque de caxias e São João. Decidi caminhar, para evitar encrenca com taxista por conta de um trajeto de 900 metros.
Às 8 horas, cheguei na portaria da ALCAN, onde o amigo do Galvão me esperava. Subimos, ele me entregou um livro técnico todo em Inglês, foi folheando as páginas e comentando detalhes: Acabou gastando a manhã comigo. No início da tarde, embarquei de volta para Curitiba.
Com o auxílio do livro, tomei conhecimento de exigências técnicas e de peças importantes que nem imaginava que existissem: curvas, juntas de dilatação, isoladores de passagem, peças de apoio que precisavam ser usadas em prumadas a cada 3 andares, necessidades de ventilação e outros detalhes.
Obtive cópias das plantas de projeto de todos os andares do prédio, incluindo cortes e elevações, dobrei e levei para minha república, onde havia uma prancheta no quarto.
Eu passava horas olhando as plantas, lendo o livro e imaginando trajetos, onde colocar as juntas de dilatação, pontos de apoio, como fazer as terminações nos andares de equipamento. O tempo voava e avanços eram lentos, até que comecei a sonhar com o barramento: flutuando em torno dele, dentro de um túnel iluminado, eu via o barramento pronto.
Na primeira vez que o fenômeno aconteceu, tentei desenhar quando acordei na manhã seguinte, mas, não consegui lembrar de todos os detalhes. Assim, na noite seguinte, deixei papel, lápis e borracha na prancheta. Sonhei de novo e, dessa vez, tão logo o sonho terminou, acendi a luz da prancheta e desenhei em detalhes o trecho do barramento que enxerguei no sonho.
É claro que levei bronca do colega de quarto, recém formado em engenharia mecânica, que trabalhava para a Rede Ferroviária Federal: “Apaga a luz seu v.., eu preciso levantar cedo amanhã para ir trabalhar”.
Em 1967, eu morava no edifício Ambassador, rua Presidente Faria 121, apartamento 1302, a duas quadras do Edifício Barão do Rio Branco, onde funcionava a sede da Telepar. Na manhã seguinte, corri até a Telepar e entreguei o rascunho para o Chico, desenhista do EDC. Pedi para ele passar a limpo em papel vegetal e informei que voltaria à tarde para pegar.
Ele olhou o rascunho e perguntou de onde eu havia copiado. Respondi que tinha sonhado e ele riu, penasndo que era brincadeira minha. À tarde Galvão analisou o desenho, aprovou e mandou seguir adiante. Durante duas semanas, sonhei todas as noites. Os sonhos só cessaram quando o projeto ficou pronto.
Muitos anos depois, descobri que nosso cérebro reduz a frequência quando dormimos profundamente, chamam de frequência Alfa. Graças a esse fenômeno, elaborei desenhos em planta e cortes e detalhes do barramento e de suas peças e acessórios dentro do prazo estabelecido pelo meu coordenador de estágio.
Daí, nova surpresa: Galvão me pediu para administrar a montagem do barramento. Consegui a indicação de um excelente mecânico que trabalhava com montagens mecânicas de precisão, escolhi uma metalúrgica que fabricou as peças de aço de fixação e as ferragens para prender as peças de isolamento e as barras de alumínio. Curvas e juntas de dilatação foram fornecidas pela ALCAN.
O prédio já estava em construção e a construtora que havia vencido a concorrência se chamava Soteco, Sociedade Técnica de Engenharia e Comércio, do Rio de Janeiro. Quando a estrutura estava na sexta laje (quarto andar), as formas de madeira começaram a ser retiradase e os fiscais da obra descobriram que as colunas estavam com as armações de ferro à mostra, até a sétima laje. Os operários tinham usado elevador de carga e carrinhos de mão para levar o concreto até as formas, técnica compatível com pequenas obras, que usam betoneira. Os caminhões chegavam sete horas da manhã e o concreto era depositado em piscinas de madeira expostas ao sol. No início da tarde, começava a curar: para usar a massa, os operários tinham usado água, que não se misturava mais direito ao cimento.
Contrato foi rompido, a obra paralisada e engenheiros calculistas apresentaram duas alternativas: recomeçar a estrutura do zero ou aumentar as dimensões das colunas, simulando que elas não existiam: havia urgência e a segunda alternativa foi adotada.
Com exceção das paredes laterais externas, cujo concreto estava perfeito, todas as colunas, do subsolo até a sexta laje dobraram de tamanho: de 25 x 25 cm para 50 x 50 cm.
A vencedora da concorrência realizada para concluir a obra foi a Farid Surugi, de Curitiba, que usou concreto injetado sob alta pressão em um tubo de aço provido de mangueira flexível de 100 mm de diâmetro na extremidade, manobrada por guindaste. Utilizando aditivo de cura rápida, concretou uma laje por semana.
Assim, uma vez por semana, eu subia até o andar que estava emadeirado, para marcar os lugares exatos onde seriam cravados os parafusos de sustentação do barramento.
Uma vez concluída a obra do prédio, acompanhei a montagem do barramento até o final (em tempo parcial), pois me mandaram projetar outro barramento na estação de 20 mil linhas que a SESA estava instalando no segundo andar da Central Telefônica da Telepar, localizada na Travessa Jesuíno Marcondes. Desta vez usando cobre e sem sonhar.
No final de 68, comecei a estagiar em redes telefônicas, nos fundos da Central Jesuino, sob a orientação do engenheiro Luiz Henrique Silva Pinto.
O Palácio da Telecomunicações foi inaugurado no final de 1970. Na ocasião eu já era chefe de Setor de Projetos da Telepar, tinha feito curso de especialização em redes telefônicas na Suécia. Regressei a Curitiba a tempo de projetar a acompanhar a instalação do cabo telefônico tronco que interligou o Palácio das Telecominicações à Central Jesuíno Marcondes!
Já se passaram 58 anos e para mim é como se tivesse sido ontem!
Mister Fanton worked for Vesper, under my responsability, from June 1999 to May 2001. As senior manager, he supervised a team of about twenty managers and non-managers responsible to design the transmission network and the outside plant local fiber network.
During this assignment, Mr. Fanton was responsible to interview and select the brazilian engineers, supervise their work, develop their training program and provide the required coaching. He was also responsible to deal with the brazilian authorities to get the rights to build the network and to coordinate the activities of the different suppliers.
At his arrival, Mr. Fanton was part of the team who built Vesper, before the Company started his operation. He was very dedicated and professional; he strongly contributed in the achievement of meeting Anatel committment to have Vesper in operation for January 2000.
All along his assignment, he acted as an excellent counsellor for me and the whole engineering team. He helped me to better understand the brazilian mentality and the way to gain efficiency in negociation with the authorities.
He is also a very fine negociator. He was regularly required by the sales people to help solving major issues in the process of acquiring right of ways to install the telecommunication equipment on private property.
In summary, Mr. Fanton, with his huge knowledge of telecommunication business and his numerous personal skills was an important asset for my team and for the whole Vesper Company.
I strongly recommend him as an excellent candidate to achieve a Senior Manager or even a Director position in a telecommunication enterprise.
Jean Provencher, Director Network Design, Vesper. Tel: 1-418-622-6677 E-mail: jean.provencher2@sympatico.ca