
Até o final dos anos 90, existiam antenas com 100 KW de potência: a energia elétrica induzida nas proximidade delas era tão forte, que os moradores usavam lâmpadas fluorescentes queimadas nas casas. Isso ocorria em decorrência de um fenômeno físico e, memo queimadas, acendiam por efeito de indução e permaneciam acessas o tempo todo.
O campo magnético gerado pelos transmissores ionizava os gases existentes nos tubos e as lâmpadas nem precisavam ser compradas, pois eram descartadas quando os filamentos de acendimento queimavam. O gás ionizado emitia luz ultravioleta, que se transformava em luz visível ao passar por uma camada de fósforo branco que existia na parede interna do tubo.
Apesar de ondas de rádio não afetarem o DNA como ocorre com o raio X, exposição prolongada a potências altas causa problemas de saúde: uma febrícula que acaba danificando tecidos de órgãos internos que, entre outras coisas, acelera o desenvolvimento de catarata. Pessoas que moravam perto de antenas de alta potência apresentavam dor de cabeça crônica, distúrbio de sono, fadiga extrema, alterações no sistema nervoso, tonturas e irritabilidade.
A OMS coloca ondas de rádio de alta potência no campo 2B de risco (carcinogênicos para humanos) e o risco aumenta com a proximidade da fonte e com o tempo de exposição.
Ainda existem muitas antenas instaladas nos morros do Rio de Janeiro, mas o cenário mudou bastante: são em menor número e as potências são menores.
As antenas atuais, usadas para transmissão de rádio FM e TV, estão instaladas em morros como Sumaré, Mendanha e Cantagalo. As potências diminuíram em decorrência do avanço da tecnologia, do surgimento de novos padrões de cobertura e de restrições ambientais.
Mendanha na Zona Oeste é hoje um importante ponto para TV digital e meteorologia, pois abriga um super radar da prefeitura.
Morros do Cantagalo, Viúva e Outeiro são usados por antenas que pertencem a emissoras FM. Níveis de potência são baixos, nada na faixa de 30 a 100 KW e as notícias de acidentes limitam-se a danos causados por ventanias nos morros.
Quando trabalhei para a Vésper na virada do milênio, visitei ´muitos morros no Rio de Janeiro e vi a pessoalmente o fatos aqui narrados.