O ORATÓRIO DO RESTAURANTE

OratórioComeço por recordar um episódio ocorrido na minha infância. Quando eu tinha oito anos, fui a uma festa junina que acontece até hoje em Itatinga, a  pequena cidade do interior de São Paulo onde morei na infância. Meu pai comprou várias cartelas de bingo e me deu uma para marcar. Tive muita sorte e completei minha cartela antes dos outros concorrentes.

Em exposição, no fundo da barraca, havia dez prendas, numeradas de um a dez. Tinha sabonete, bibelô,  brinquedos e outras coisas.

A prenda de número 8 era um lindo caminhão de bombeiros vermelho. Quem completava a cartela tinha o direito de enfiar a mão num saquinho e de lá puxar uma pedra numerada.

Com muita fé, enfiei a mão e puxei o número…3, que correspondia a um crucifixo. Muito decepcionado, comecei a chorar. E dona Ester, responsável pela barraca e mãe adotiva de meu melhor amigo, Chico Craco Prado, trocou o número do caminhão de 8 para 3. Com esta manobra ganhei o caminhão e, no final da festa, fui com ele para casa, feliz a vida.

Em fevereiro de 1954, teve a festa de meus nove anos. Ao abrir o pacote do  Chico tive uma grande surpresa. Ele me trouxe de presente o crucifixo desprezado por mim no bingo da quermesse. Até hoje me lembro do remorso que senti naquela hora.

Até certo ponto, foi uma malvadeza o que dona Ester fez comigo, mas, foi também uma grande lição de vida. Tinha passado pouco mais de meio ano e eu já nem lembrava direito do caminhão de bombeiros, que havia quebrado a roda na manhã seguinte em que o ganhei.

Já o crucifixo que ganhei de presente no meu aniversário de nove anos tem me acompanhado por toda a vida. Sempre encontro um lugar para ele nas casas onde moro. Afinal, eu sou dele. Foi ele que me escolheu!

Passo agora à história do oratório do Mangueirão, melhor e único restaurante de São José do Divino, pequena cidade do norte do Piauí com cerca de 5.000 habitantes, importante produtora de leite. Arrisco dizer que o nome se deve ao fato do lugar ter sido usado para ordenha de vacas no passado. Pelo menos na minha cidade do interior de São Paulo, a gente chamava o local de ordenha de “mangueira”.

Trata-se de um empreendimento familiar, como quase todo o comércio e serviço da cidade. Nenhum dos membros da família soube me dizer de onde vieram os ancestrais, mas, era como se eu estivesse almoçando numa cidade do oeste catarinense. Todos da família eram muito claros, galegos como se diz no sul. O patriarca, na faixa dos 80 anos, olhos azuis muito claros, sentado numa cadeira no fundo do estabelecimento, supervisionando calado as atividades.

A esposa, também entrada nos anos, e duas filhas na faixa dos quarenta, trabalhavam na cozinha. Um filho mais ou menos na mesma faixa etária das irmãs era o garçom. Não vi nenhum agregado nas três vezes em que lá almocei, embora imagine que tenha havido pelo menos um, pois circulava pelo local um rapazote na faixa dos quinze anos, cara escarrada do avô.

O serviço era self service. A tabela dizia: Almoço R$ 10,00, com direito a salada, arroz, feijão e macarrão à vontade. As “misturas” possuíam limite. Cada cliente tinha direito a um pedaço de galinha, carne de vaca ou de porco. Cada pedaço extra representava um real de acréscimo no preço da refeição.

Tinha uma TV que estava sempre ligada na hora do almoço. Ficava dentro da cozinha, mas, virada para fora, numa espécie de janela. Estabelecimento aberto, janela aberta. Estabelecimento fechado, janela fechada. Simples assim.

Fiquei fascinado por um oratório lotado de santos, que ficava na sombra das árvores do jardim. Para proteger as imagens, tinha um vidro. Era uma espécie de vitrine, semelhante às que se vê em túmulos, só que maior. Não comentei nada no primeiro dia, mas, no segundo não me aguentei e fui atrás de uma das mulheres, certo que uma delas era quem cuidava dos santos. Mas ela me contou que o oratório era do irmão, que me explicou que, no começo, o oratório só tinha uma imagem da Sagrada Família. Aconteceu que um freguês trouxe uma imagem de casa e pediu para colocar lá. Depois veio outro, mais outro, e a coleção não parou mais de aumentar.

Olhando de perto dá para ver que tem três imagens de Santo Antonio, três de Nossa Senhora Aparecida, duas de Nossa Senhora de Fátima e assim por diante. Vários tamanhos e várias procedências. Tem uma imagem que um freguês de fora mandou pelo correio. De forma espontânea, nasceu um santuário.

O local tem programação de reza semanal e celebrações especiais em datas específicas do ano. Tudo com muita fé e respeito. Depois da igreja matriz de São José, este deve ser o lugar mais visitado da cidade.

De um modo geral, a gente tem dificuldade de se desfazer de coisas velhas. Mais ainda quando se trata de uma imagem que pertenceu à mãe, ao pai ou ao avô. Todas tem história. Ninguém joga fora coisas assim.

Agora, sei de um bom lugar para onde posso mandar meu velho crucifixo, caso um dia mude de ideia sobre ele…

ÚLTIMO VOO COARI – MANAUS

Decolando de CoariEm meados de julho, o Ministério das Comunicações determinou que fosse realizada a inspeção final da rede da Cidade Digital de Coari Amazonas e a viagem foi combinada com a empresa integradora para acontecer na semana de 15 a 19 de agosto.

Descobri que viajar para cidades do interior da amazônia exige um certo grau de logística. Não se trata de algo trivial. O estado é imenso, coberto de florestas e recortado de rios. E as distâncias entre as cidades são sempre grandes. O município de Coari, por exemplo, é maior do que o estado da Paraíba.

Como todos sabem, o meio de transporte mais usado na região amazônica é o fluvial. Existem diversos tipos de barcos fazendo a rota Manaus-Coari. A duração da viagem, dependendo da embarcação escolhida, varia de oito horas até vários dias. Os barcos mais lentos podem viajar à noite e, por isto, partem em horários que permitem aos passageiros chegarem ao destino de manhã cedo. A viagem nesses barcos é mais barata, mas, para sentar, deitar e dormir, cada passageiro leva e instala sua própria rede. Esses barcos dispõem de cabines, mas, ocupar uma delas faz com que o preço da passagem iguale o das lanchas mais rápidas 

Por motivo de segurança, os barcos que fazem o percurso em oito horas não viajam à noite. Partem de Manaus bem cedo e chegam a Coari na metade da tarde. Isto significa perder um dia de trabalho na ida e outro na volta.

Contrariando minha vontade inicial de fazer uso de transporte fluvial para conhecer de perto o rio Solimões, o bom senso determinou que eu optasse por avião. Antes do final de julho, pesquisando voos entre Manaus e Coari na Internet, encontrei voos bate-e-volta nas segundas e sextas-feiras, oferecidos por uma empresa sediada em Manaus chamada MAP.

Decidi ir no dia 15 e voltar no dia 19. Porém, duas semanas depois, no momento em que as passagens iam ser adquiridas, os voos nas datas escolhidas tinham desaparecido. Como havia voos nos dias 08 e 12 de agosto, a viagem foi antecipada de uma semana.

O avião que operava na rota era um ATR-42. Aeronave bastante confortável. Depois de uma hora de voo muito tranquilo, cheguei ao destino.

Na sexta-feira, voltei ao Aeroporto Municipal Danilson Aires para pegar o voo de volta a Manaus. Momentos antes da partida, um funcionário da empresa pediu a atenção dos passageiros que aguardavam na sala de embarque. Agradeceu a todos por terem escolhido a MAP e comunicou que aquele seria o último voo da empresa entre Manaus e Coari. Diante da reação de protesto de alguns clientes, acrescentou que a empresa estava vendo com empresas parceiras o que poderia ser feito para voltar a oferecer viagens aéreas entre Manaus e Coari.

Ficou claro que o número de passageiros não está sendo suficiente para manter a linha em operação. Pude observar, na ida e na volta, que metade dos assentos estavam vazios. Nos quatro dias que passei em Coari, tive a oportunidade de conversar com o pessoal do hotel e de restaurantes onde fiz as refeições. Todos reclamaram de queda no movimento e disseram que o número de pessoas que visitam a cidade diminuiu muito nos dois últimos anos.

Para os que não sabem, a economia de Coari depende fortemente da Petrobrás. Desde os anos oitenta, a empresa explora petróleo e gás na região. Os cortes nos contratos da Petrobrás estão atingindo também as empresas prestadoras de serviços que atuam em Urucu e afetando a vida de todos na cidade.

No voo de volta a Manaus havia um comissário e uma comissária dando atendimento aos passageiros. O comissário de bordo era um cine-maníaco.  Durante os sessenta minutos que durou a viagem, comentou uns dez filmes com a colega. Como a cabine é pequena, os passageiros viajaram escutando as histórias. Título, resumo de cada filme, atores, atrizes, diretores, produtores e roteiristas.

Em momento algum, demonstrou qualquer sentimento por estar voando pela última vez entre Coari e Manaus, nem pareceu minimamente preocupado com o seu emprego que está certamente em risco.

As resenhas de filmes que ouvi me fizeram traçar um paralelo com a cena final do filme Casablanca, quando o velho bimotor DC-3 decolou pela última vez daquela cidade, levando Lisa Lund (Ingrid Bergman) e deixando para trás Rick Blaine (Humphrey Bogart).

Em Casablanca, e em todo o norte da África, a vida parou por cinco anos e só voltou ao normal quando a guerra terminou.

Como não estamos em guerra, espero que a crise em Coari dure muito menos!

UM CURSO NA “ONU”

Ericsson“Network Spring Course”, este era o nome do curso que fiz na Suécia. O nome deve ter sido adotado por ser “quase” primavera para eles. Às cinco da tarde do dia 25 de fevereiro DE 1970, o Boing 707 da Lufthansa que me trouxe de Frankfurt aterrissou no aeroporto de Arlanda. Noite feita,  13 graus negativos, um frio moderado para os padrões suecos. Uma noite limpa, com céu estrelado. Logo descobri que tive muita sorte! Poderia ter dado de cara com uma das muitas nevascas que caem por lá no início do ano.

Na manhã seguinte, a cidade estava tomada por densa neblina e caia um chuvisco fino misturado com grãos de gelo. Apesar de não ter nevado naquela noite, havia montes de neve antiga e suja derretendo nas calçadas e sujando a barra da calça, apesar dos sete graus negativos. Efeito do sal grosso jogado nas ruas para apressar o derretimento do gelo.

Após a apresentação no Centro de Treinamento de redes da Ericsson no bairro de Gröndal, o grupo foi levado até uma loja de departamentos. Ninguém tinha roupas adequadas para o clima do país. Todos compraram um traje completo. Ficou parecendo que estávamos de uniforme, pois as roupas eram quase iguais. Sapatos impermeáveis de calcanhar alto, meias de lã, cuecões, camisetas, sobretudo, cachecol e gorro de cossaco. Saímos da loja já vestidos, levando as roupas originais nas sacolas de compra.

A Ericsson dominava o mercado de telecomunicações na região do báltico e tinha forte presença na América Latina, Europa Oriental, Oriente Médio e Sudeste da Ásia. O departamento de treinamento era muito ativo e oferecia cursos de comutação, transmissão, rádio, tráfego, redes externas e outros, durante o ano todo.

Network Spring Course cobria planejamento, projeto, operação, manutenção e materiais de redes externas. Os solteiros foram alojados no “Guest House” da Ericsson, ao lado da fábrica da empresa, no bairro de Telefonplan. A estação de metrô mais próxima tinha o mesmo nome.

Alunos casados eram hospedados em casas de família. Permaneci dois meses no Guest House. Quando minha esposa chegou, em meados de maio, fomos morar na casa de uma senhora originária de Macau, que falava português com sotaque de Portugal, chamada Irene.

O curso era em tempo integral, com aulas teóricas pela manhã e aulas práticas à tarde. Através das aulas teóricas, fui introduzido ao conceito de redes flexíveis, mais tarde adotado pela Telepar e em seguida pelo sistema Telebrás.

Orientados por um instrutor de cabelos brancos que sabia tudo sobre construção de rede externa, trabalhamos durante três meses na implantação de uma rede telefônica dentro do laboratório do centro de treinamento. Instalamos cabos aéreos e cabos subterrâneos e confeccionamos emendas. Realizamos testes de transmissão. Instalamos linhas e aparelhos telefônicos. Simulamos faltas e localizamos defeitos. Após minha volta ao Brasil, a prática adquirida durante o curso me ajudou muito no desenvolvimento de novas práticas de construção para a Telepar.

Na foto, os alunos do curso. 1 Brasil, 2 Birmânia (hoje Myanmar), 3 Colômbia, 4 Filipinas, 5 Paquistão, 6 e 7 Bangladesh, 8, 9 e 10, Arábia Saudita. Três cristãos, quatro muçulmanos e três hinduístas. A Ericsson organizou as aulas respeitando os horários de oração dos quatro alunos muçulmanos. Havia os tradicionais tapetes para oração e até a direção para Meca foi estabelecida com a ajuda de uma bússola.

Quando o curso terminou, a Ericsson providenciou transporte marítimo para bens duráveis que os alunos haviam comprado. Eu havia comprado duas caixas de som de última geração e um toca-discos belt drive Bang & Olufsen, braço com ajuste de peso micrométrico e agulha de diamante semi elíptica, verdadeira joia “made in Finland”. Pensei que nunca chegaria, mas, estava enganado. O gerente da filial da Ericsson em Curitiba levou na minha casa.

Perdi contato com quase todos. Sei que Gonzalo Cuellar tornou-se gerente do centro de treinamento da Entel Colômbia e que Virgílio Guzman foi trabalhar na Bell Telephone of California. Nos encontramos nos EUA três anos depois do curso. Comi uma paella com ele e a esposa em San Diego. Conversamos sobre o frio que passamos, sobre o curso e sobre nossos colegas. Demos boas risadas.

Olhando a foto, alguém pode supor que se trata de alguma facção política. Na realidade, trata-se de um grupo de pessoas originárias de países distantes, pertencentes a culturas e religiões diversas, que conviveram e se tornaram bons amigos ao longo de três meses, vividos num país frio e distante, mas, onde todos receberam novos conhecimentos e encontraram respeito e calor humano.

Eu sempre digo que fiz um curso na “ONU”.

DESCASO COM O PATRIMÔNIO PÚBLICO

Fórum CoariEm Coari AM, me deparei com um cenário chocante. Talvez o mais chocante de toda a minha vida, que já não é tão curta. Um edifício moderno e recém construído, saqueado e depredado de todas as formas possíveis.

O prédio é térreo e possui planta retangular com cerca de 800 m² de área construída (40 m x 20 m). A edificação ocupa um belo terreno, quase plano, com 5 mil m² (70 m x 70 m).

Tinha sido construído para abrigar o Fórum da Comarca de Coari e já estava habitado. Mas, uma parte do terreno, que tinha sido aterrado, sofreu acomodação e começaram a surgir trincas em várias paredes. Os ocupantes acharam que a edificação estava ruindo e entraram em pânico.

O edifício abrigava também equipamentos do Projeto Cidades Digitais. Seria o PAG-19 da rede. Tinha um cabo de fibras ópticas que terminava numa área de equipamentos do prédio. Lá havia um rack e, dentro dele, DGO, no-break e roteador de alta velocidade.

Como o endereço fazia parte das inspeções, vi de perto o que está acontecendo. Escrevo acontecendo, porque a ação de destruição continua em andamento.

No momento em que o engenheiro da Secretaria de Justiça do Amazonas assinou um Laudo Técnico condenando a estrutura, o edifício teve sua sorte selada. É oportuno esclarecer que não estou escrevendo por mero e irrefletido palpite. Também não estou questionando os motivos e justificativas que deram suporte ao laudo.  Apenas vejo o problema com outros olhos, baseado no que qualquer um pode ver hoje, dois anos após o prédio ter sido condenado.

Como o forro foi roubado, a estrutura de concreto armado está visível. E nela não se observa uma única trinca. Vigas e lajes estão íntegras. Olhando da rua, o local afetado fica no canto direito, no fundo do prédio. Diria que a área afetada tem cerca de 100 m². A edificação possui 800 m², de modo que a parte onde estão as paredes trincadas corresponde a 12% de sua área. Tratam-se de trincas em paredes em alvenaria de tijolos e é importante observar que elas não fazem parte da estrutura do prédio. São simples fechamentos. Pelo que se pode ver, o prédio não corre o perigo de ruir. Nem hoje, nem daqui a cem anos. Se dependesse de mim, contrataria uma empresa de construção civil reforçar as fundações e trataria de mandar reocupar o prédio o quanto antes!

É claro que o que escrevo precisa ser confirmado, para ver se é economicamente viável reforçar as fundação.

Este caso me fez lembrar de outro parecido, que ocorreu quando eu era gerente do Departamento de Redes do CPqD. O edifício (recém-inaugurado) do Laboratório de Ensaios Pesados começou a ceder. A estrutura era de concreto pré-moldado, possuía 1.200 m² de área e uma altura livre de 10 metros. Cabia um avião dentro dele. O terreno original tinha sido aterrado e o aterro sofreu acomodação. Um dos cantos do prédio cedeu cerca de 10 centímetros. Ao invés de mandar abandonar o prédio às pressas, o CPqD contratou uma empresa especializada neste tipo de problema (que é bastante comum). Com o uso de macacos hidráulicos a estrutura foi recolocada na horizontal e depois as fundações foram reforçadas. Isto aconteceu há 32 anos. Além do custo dos serviços de reforço, nada mais foi gasto. Durante as obras de recuperação, salvo na parte afetada, o edifício continuou funcionando normalmente. Nada foi extraviado, nem se perdeu.

O Laudo que condenou o prédio do Fórum de Coari teve consequências muito piores do que as que poderiam ter sido causadas pelas trincas que o justificaram: Remanejamento, às pressas, de pessoal e de instalações para um prédio alugado, muito menos adequado, depredação e saque do prédio condenado.

E, ao que tudo indica, o assunto já foi esquecido. Fiquei sabendo que durante algum tempo foi mantido serviço de segurança patrimonial. Mas, que este serviço foi descontinuado. Até hoje não foi erguido no local nenhum tapume para evitar, ou dificultar, a entrada de curiosos (possíveis vítimas inocentes) e de pessoas mal intencionadas.

Inexplicavelmente, nenhum equipamento sensível (e caro) foi retirado. Permaneceram por lá até serem roubados ou vandalizados.

O que aconteceu confirma a teoria das vidraças partidas da Universidade de Stanford (Google, “vidraças partidas”): Nenhuma reação por conta de pequenos furtos iniciais. Furtos subsequentes e novamente nenhuma reação. Criou-se uma onda que foi aumentando até não haver mais nada para se roubar. Numa segunda fase, surgiu uma atividade de demolição: portas, janelas, forros, instalações elétricas, instalações hidráulicas, metais e louças sanitárias. Alguém tentou retirar as placas de granito da fachada do prédio e desistiu porque este está muito bem colado. Mas, ficaram as marcas. Falta a última fase, o fogo. Estou certo de que virá, já que existe material combustível no local.

Alguns gatunos de profissão e um incontável número de ladrões oportunistas levaram tudo o que quiseram, sem ser incomodados e o que não puderam levar, destruíram e vandalizaram. É só olhar a foto acima.

De longe, continua sendo um imponente edifício. De perto, uma ruína. Uma edificação que seria um ponto turístico, um orgulho da cidade, foi arrasada.

A quem cabe a culpa? Aos sociopatas e maus cidadãos que roubaram, delapidaram e vandalizaram impiedosamente o patrimônio público?

Ou aos que não tomaram providências? Na minha opinião, de ambos!

Descaso de alguns, benefício para poucos, prejuízo para muitos.

Um acontecimento lamentável que jamais deveria ter ocorrido e que espero nunca mais voltar a testemunhar!

FERRAMENTAS DE UM BOM TÉCNICO DE FIBRAS

Pode-se dizer que a confecção de uma emenda óptica é muito mais simples e exige muito menos mão-de-obra do que uma emenda de cabo multipar.

Entretanto, requer o uso de caixas de emenda que garantam a integridade do serviço durante a vida útil esperada da rede, que é de muitos anos, e de ferramentas e instrumentos especializados.

A emenda de fibras ópticas não admite improvisos.

É muito diferente da emenda de um condutor de cobre, que pode ser feita até mesmo por torcimento, que irá funcionar.

Todo e qualquer profissional que trabalha neste segmento sabe que o investimento a ser feito em veículo, instrumentos e equipamentos especializados facilmente atinge a casa dos 50 mil reais.

Com bastante frequência, tenho observado artífices trabalhando e vejo que eles fizeram quase toda a lição. Investiram nos itens mais caros, mas, deixaram de investir em alguns mais baratos, que são imprescindíveis.

Esses profissionais podem ser comparados a um nadador que atravessou o oceano a nado e morreu na praia!

Estou postando a seguir, uma relação de ferramentas e acessórios que devem compor a caixa de ferramentas de todo artífice de redes ópticas:

CONJUNTO DE ITENS QUE DEVEM CONSTAR DA CAIXA DE FERRAMENTAS DE UM BOM TÉCNICO DE FIBRAS ÓPTICAS:

  1. Maçarico a gás
  2. Soprador térmico
  3. Alicate de corte transversal
  4. Paquímetro
  5. Estilete com lâmina em bom estado
  6. Querosene doméstico para limpeza de tubetes
  7. Álcool isopropílico para limpeza de fibras
  8. Cortador transversal de tubetes
  9. Cortador longitudinal de tubetes
  10. Estopa ou trapo macio
  11. Papel toalha especial para limpeza de fibras
  12. Tubos e mantas termo contráteis de reserva

CUIDADOS REQUERIDOS PELAS FIBRAS

Cabos ópticos precisam ser tratados com cuidado, afinal fibras óticas são feitas de vidro e vidro não suporta:Tensões nocivas

FIBRAS ÓPTICAS SÃO TAMBÉM SENSÍVEIS A ÁGUA E UMIDADE

Existe uma crença de que fibras ópticas são imunes à água. Isto não é verdade!

A presença de água afeta a transmissão e diminui a vida útil das fibras. A médio prazo, a atenuação aumenta e as fibras se fragilizam e partem.

Quanto tempo esta emenda vai durar?Gambiarra

 Caixa de emenda pendurada e sem vedaçãoCoisa errada 2

Mais cabo sem vedaçãoCoisa errada 1

COMO DEVE SER UM LATERAL

Lateral correto

CORTE ESQUEMÁTICO DE UM LATERAL BEM CONSTRUÍDO

Luva de redução

A luva de redução é uma peça imprescindível na interface entre a curva rígida ligada à canalização subterrânea e o cano lateral. Quando uma destas não é usada, a infraestrutura não tem durabilidade e o resultado pode ser mostrado nas fotos abaixo:

Cano fino enfiado num cano grosso Transicao errada 1

Aqui provavelmente já teve alguma conexãoTransicao errada 2

Duto de PVC 50 mm (esgoto) enfiado duto de PVC 100 mm (esgoto)Transicao errada 3

Cano lateral terminando em duto de PVC (esgoto) embolsado com cimento Transicao errada 5

Uma verdadeira coleção de coisas erradas!Transicao errada 4

ANCORAGEM DE CABOS AÉREOS

15 graus

POSTE ONDE DEVERIAM TER SIDO INSTALADAS PEÇAS DE ANCORAGEM

na instalação de cabos ópticos aéreos autossustentados existem poucas regras. Elas são simples, mas, precisam ser rigorosamente observadas .

Existem apenas dois tipos de dispositivos a serem usados: Apoios e ancoragens. Mesmo sendo uma escolha em duas, com muita frequência vejo situações como a da foto, tirada em uma de minhas auditorias. É preciso observar que este não é um cabo da RNP, para quem presto serviços. Pertence a uma concessionária.

Uma peça de apoio, como o próprio nome diz, apoia o cabo, impedindo que ele caia no chão. Segura, mas, não oferece resistência ao escorregamento do cabo. A ideia é garantir que a força de tensão aplicada no cabo não seja transferida para o poste. Quando se usa uma peça de apoio, o poste suporta apenas o peso do cabo.

Ao contrário de uma peça de apoio, uma ancoragem, além de suportar o peso do cabo, absorve a tensão nele aplicada. A ancoragem, obviamente, transfere esse esforço para o poste.

Para evitar qualquer tipo de dano, a primeira recomendação é que o cabo autossustentado seja sempre puxado manualmente. O tensionamento final deve ser feito com catraca manual, nunca elétrica ou hidráulica. O controle de tensão deve ser feito com dinamômetro. Se não houver dinamômetro deve ser deixada uma flecha equivalente a 1% do comprimento do vão.

O primeiro e o último poste precisam ser sempre equipados com âncoras. Por razões óbvias, nunca com apoios!

ÂNCORA PRÉ-FORMADAAncora pre formada

 ESTICADOR BIPARTIDO “RATINHO”

Esticador  na posição fechadaEsticador fechado

Esticador ainda sem o caboEsticador aberto

Em trechos retos, a distância recomendada entre dois postes de ancoragem é de 200 metros, ou cinco lances. A razão principal desta recomendação é limitar a extensão de cabo que pode escorregar e criar situação de perigo em caso de rompimento.

Finalmente, é importante observar que postes onde o cabo sofre deflexão igual ou superior a 15 graus (na horizontal ou na vertical) devem ser equipados com ancoragens. Quando esta regra não é observada, a capa do cabo fica comprimida contra a parede da peça de apoio e corre o risco de se deformar. Além disso, caso haja um rompimento e o cabo escorregue, pode rasgar nesse ponto. Em situações como a da foto, as fibras ópticas do cabo acabam sendo comprimidas. Ou se rompem, ou apresentam aumentos significantes de atenuação.

Peça de apoio

Este é um tipo muito comum de peça de apoio, conhecida também como “dielétrico”, por ser feita com material isolante.

Torcimento

Quando se faz uma ancoragem, é importantíssimo verificar se o cabo não apresenta torcimento, como aparece na foto. Se o cabo estiver torcido, o serviço precisa ser refeito. Torcimentos de capa também podem ser transferidos para as fibras.

Projeto RedeComep

INSPEÇÕES FINAIS REALIZADAS PARA A RNP, EM ORDEM ALFABÉTICA

  1. Aracaju SE
  2. Boa Vista RR
  3. Brasília DF
  4. Campina Grande PB
  5. Campinas SP
  6. Campo Grande MS
  7. Curitiba PR
  8. Fortaleza CE
  9. Goiânia GO
  10. João Pessoa PB
  11. Macapá AP
  12. Maceió AL
  13. Manaus AM
  14. Marabá PA
  15. Niterói RJ
  16. Palmas TO
  17. Petrolina PE
  18. Petrópolis RJ
  19. Porto Alegre RS
  20. Recife PE
  21. Rio Branco AC
  22. Rio de Janeiro RJ
  23. Santarém PA
  24. São Carlos SP
  25. São Luís MA
  26. Teresina PI