Projeto RedeComep

INSPEÇÕES FINAIS REALIZADAS PARA A RNP, EM ORDEM ALFABÉTICA

  1. Aracaju SE
  2. Boa Vista RR
  3. Brasília DF
  4. Campina Grande PB
  5. Campinas SP
  6. Campo Grande MS
  7. Curitiba PR
  8. Fortaleza CE
  9. Goiânia GO
  10. João Pessoa PB
  11. Macapá AP
  12. Maceió AL
  13. Manaus AM
  14. Marabá PA
  15. Niterói RJ
  16. Palmas TO
  17. Petrolina PE
  18. Petrópolis RJ
  19. Porto Alegre RS
  20. Recife PE
  21. Rio Branco AC
  22. Rio de Janeiro RJ
  23. Santarém PA
  24. São Carlos SP
  25. São Luís MA
  26. Teresina PI

 

JOAQUIM CARLOS FANTON

20160708_171010Comecei a trabalhar para a Telepar, como estagiário, no dia 02 de junho de 1967, faltando um ano e meio para me formar em engenharia. A empresa devia ter uns 50 empregados, entre estes uns 10 engenheiros. Muita coisa a ser feita e pouca gente para fazer. Comecei a gostar de telecomunicações e nunca mais parei!

Inicialmente, me deram projetos para analisar, depois me pediram para elaborar projetos e, em seguida, passei a executá-los. No início de 1968, já viajava pelo interior do estado do Paraná, instalando malhas de aterramento em torres de rádio.

A vida de estagiário não era nada fácil. Os mandantes exigiam perfeição. Caso algo desse errado, a degola era certa. Fazendo tudo certo, tinha cumprido a obrigação!

No decorrer de 1968 a Telepar adquiriu a Companhia Telefônica Nacional, empresa de capital americano que operava telefonia em Curitiba e em outras cinquenta cidades do interior do Paraná.

Após essa aquisição, o organograma da Telepar, que contava com departamentos de comutação, transmissão e infraestrutura, ganhou um novo departamento: Redes.

Abriram uma vaga para estagiário de redes e eu me candidatei. Foi a melhor decisão que tomei na vida. Um novo horizonte se abriu e nunca mais se fechou!

Recebi o Diploma de Engenheiro Eletricista no dia 16 de dezembro de 1968. No dia seguinte minha carteira estava assinada. Fui o empregado de número 104 da Telepar. no cargo constava “Engenheiro”.

Comecei elaborando projetos de redes e seis meses depois fui designado Chefe do Setor de Projeto e Construção de Redes Interior. A palavra “interior” era bem ampla. Com exceção de Curitiba, assumi a responsabilidade de coordenar projeto e construção de redes telefônicas no estado todo, exceto na capital. Em pouco mais de três anos, sob minha coordenação, a Telepar implantou mais de oitenta redes telefônicas. Do litoral até as fronteiras do Paraguai e da Argentina e de São Paulo até Santa Catarina.

Com a experiência adquirida, passei a representar a Telepar em eventos e seminários fora do Estado do Paraná.

Em janeiro de 1970, me mandaram para Estocolmo, onde fiz um curso de especialização em redes telefônicas na LM Ericsson. Quando regressei, fui indicado para presidir três comissões técnicas: Comissão Permanente de Padronização de Materiais, Comissão de Elaboração Plano de Transmissão do Estado do Paraná e Comissão Elaboração do Plano Diretor de Telecomunicações de Curitiba para a década de 70.

Com exceção da Comissão de padronização de Materiais, que se tornou permanente, os trabalhos do Plano de Transmissão e o Plano Diretor de Curitiba chegaram ao final e obtiveram grande êxito.

Em setembro de 1970, participei de um Evento de Redes em São Paulo, onde apresentei o Plano de Transmissão da Telepar. Na mesa diretora do evento, estava Hélio Kestelman, Secretário de Telecomunicações do Minicom. Ele gostou do que viu e decidiu adotar nacionalmente o Plano de Transmissão da Telepar. Com isto, fiquei conhecido no Brasil todo.

Em Novembro de 1971, participei do I Simpósio Nacional de Telecomunicações no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Durante o evento, fui convidado para ocupar o cargo de Superintendente de Estudos de Rede da CTB em São Paulo, que havia vagado. Tinha 26 anos de idade e 4 anos de formado quando assumi minha nova função: a mais alta posição que um engenheiro de projetos de redes poderia ocupar naquela época.

A oportunidade de crescimento profissional, o aumento salarial e o fato de meus pais morarem no interior do Estado de São Paulo foram decisivos na hora que decidi deixar a Telepar para trás.

Esta foi a segunda mais acertada decisão que fiz na vida. Na CTB (que passou a se chamar Telesp no dia 11 de abril de 1973), vivi uma experiência profissional sem precedentes.

Em média, cada mil assinantes novos exigiam a implantação de uma rota de cabo telefônico. No início de 1972, a rede da cidade estava passando por uma expansão de 180 mil linhas, número que saltou para 400 mil em meados daquele ano.

Assim, passei a coordenar a elaboração de projetos de 580 rotas de cabos de assinantes e 200 rotas de cabos troncos. Na época, era o maior projeto de expansão de redes do mundo!

Ao mesmo tempo, a tecnologia de redes estava evoluindo rapidamente:  novos cabos e novas técnicas de construção estavam sendo usadas nos países mais desenvolvidos. Por este motivo, a diretoria da empresa decidiu enviar alguém para os EUA. E fui o escolhido!

Quando a decisão da viagem foi tomada, meu segundo filho tinha acabado de nascer. Esposa e filhos foram para Botucatu SP e eu fui para os EUA.

Meu primeiro ponto de parada foi a General Telephone of California, Santa Monica CA, eempresa que tinha 4 milhões de assinantes na região metropolitana de Los Angeles, ou seja era dez vezes maior do que a Telesp na época. De lá, fui para Nova Iorque, onde estagiei na New York Tel. Depois para a Centel na Virgínia, sediada numa cidade próxima de Washington DC, depois Chicago e região, onde vidsitei fabricantes de caixas de emenda e de acessórios para redes telefônicas.

Regressei a São Paulo em outubro, com dezenas de novidades na bagagem e muitas ideias na cabeça! Naquela viagem, descobri que os norte-americanos eram mais ricos e mais desenvolvidos do que nós, não por serem mais capazes, nem mais inteligentes. Mas, porque planejavam muito bem, antes de projetar e construir qualquer coisa. Atitude muito diferente do que se fazia no Brasil na época e que, infelizmente, pouco mudou até os dias de hoje!

Assim que voltei, introduzi conceitos de engenharia econômica nos projetos de redes da Telesp, ou seja, as redes começaram a ser dimensionadas pelo horizonte de vida útil dos cabos (20 anos para cabos aéreos e 30 anos para cabos subterrâneos) e não mais com base na quantidade inicial de assinantes. Foi um verdadeiro divisor de águas.

Em em agosto de 1974, troquei a Telesp pela Telebrás, onde assumi a chefia da Divisão de Engenharias de Redes Externas. No cinco anos que trabalhei em Brasília, além das atividades normais do cargo, tive a oportunidade de trocar experiências com profissionais dos EUA, França, Itália, Bélgica, Inglaterra, Japão, Canadá e Austrália e também trabalhei com profissionais de alto nível espalhados por todo o Brasil.

Naquele peródo, a família tornou a aumentar: nasceram um filho e uma filha. Em meados de 1979, após passar seis meses trabalhando num projeto em Lagos, Nigéria, a Telebrás me empresou para a Telepar, onde prestei serviços para o Departamento de Planejamento.

Em novembro de 1981, fui transferido para o CPqD de Campinas SP, com a missão de criar e gerenciar o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes.

Em outubro de 1988, decidi que havia chegado a hora de trabalhar para a iniciativa privada. Entre aquele ano e 2002, trabalhei para Cook Electric, Enetele, Pan Engenharia, Stratcom, Nextel e Vésper, ocupando sempre cargos de direção ou de alta gerência.

Em 2003, já aposentado, passei a trabalhar como consultor para CPqD e, em junho de 2005, assinei meu primeiro contrato de consultoria com a RNP, que vem sendo renovado até os dias atuais.

Minhas atividades na RNP abrangem redação de normas, manuais, práticas e especificações, desenvolvimento e estudos para introdução de novas tecnologias, atividades de acompanhamento de obras e serviços, fiscalização, aceitação, auditoria técnica em redes ópticas existentes e cursos de treinamento, onde ensino, desde noções básicas para artíficese,até conhecimentos especializados para pessoal de nível superior.

Minha esposa e companheira, Maria do Rocio Esmanhoto Fanton, me acompanha desde os tempos de namoro, que começou em 1964.

Quando comecei a trabalhar para a RNP, tinha quatro filhos adultos. Nas duas últimas décadas ganhei cinco netos e uma neta.

Posso afirmar, sem medo de errar: estes tem sido os melhores anos de minha vida!

Campinas, junho de 2026.

Joaquim Carlos Fanton

O QUE TENHO FEITO…

Comecei a trabalhar com redes externas de telecomunicações em 1969: projetar redes físicas de telecomunicações que atendessem à demanda quando e onde ela surgisse era uma atividade extremamente desafiadora.

Até 2010, as redes físicas de telecomunicações eram constituidas de cabos multipares que transmitiam sinais analógicos. Além de caros os cabos eram grossos e muito pesados. Quando aéreos tinham no máximo 200 pares. A ocupação média dos cabos primários era de 60%, ou seja, eram necessários 100 pares para cada 60 assinantes. Por norma, 10 mil assinantes exigiam a instalação de um caco primário de 1.800 pares.  Assim cada 10 mil linhas de comutação exigiam um cabo de 1.800 pares.

Cabos de fibras ópticas começaram a ser instalados no Brasil no início da década de 80. Inicialmente, foram usados no entroncamento de centrais telefônicas, depois em rotas de longa distância e, fnalmente, nas redes de distribuição local, também chamadas de last mile.

Comecei a trabalhar com cabos de fibras ópticas no exato momento em que eles foram introduzidos no Brasil. Na ocasião, gerenciava o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes do CPqD e, por esse motivo, participei do projeto ECO-I, que consistiu na instalação de um cabo tronco óptico entre a estação telefônica de Irajá (pertencente à antiga Cetel) e uma estação telefônica da TELERJ localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.

Permaneci no CPqD até outubro de 1988, ocasião em que me transferi para a iniciativa privada. Trabalhei para indústrias e empresas de serviços até o final de década de 90. Em 1999, voltei a trabalhar para operadoras de telecomunicações: Inicialmente, Nextel, depois Vésper.

Quando me aposentei no final de 2002, decidi continuar trabalhando como consultor. Passaram-se 24 anos e continuo na ativa. Meu cliente principal tem sido a RNP, onde atuo sob demanda. Realizo atividades como redação e atualização de normas e práticas de projeto, construção, aceitação, manutenção e outras, oriento supervisiono e fiscalizo obras e serviços, coordeno atividades de auditoria técnica, oriento atividades de planejamento e projeto e dou treinamento.

A´pos realizar as primeiras auditorias técnicas nas redes do Sistema Comep, percebi que a maioria dos problemas encontrados estavam associados a falta de treinamento, insuficiência gerencial e, principamente, inobservância de boas práticas por parte do pessoal de campo encarregado de operar a manter as redes.

Por este motivo, comecei a ministrar cursos, seminários e workshops sobre o assunto. O público alvo abrange de artífices a gerentes de nível superior e as aulas não visam apenas aperfeiçoamento profissional. Elas são motivacionais! Apesar de recente em meu portfólio, este trabalho tem sido sido um dos mais gratificantes que já realizei na vida.

Sempre trabalhei com inovação. No início da década de 70, no meu primeiro emprego, que foi a Telepar, introduzi o conceito de redes flexíveis. Usando esse novo método, a Telepar aumentou de 60% para 80% a ocupação média de ocupação de seus cabos primários.

Naquela época, como a Telepar decidiu usar cabos com capa e isolamento de polietileno, coordenei o projeto e a construção de mais de 80 redes telefônicas usando esse novo tipo de cabos e acessórios a eles associados, como caixas de emenda ventiladas e dutos de PVC.

No meu segundo emprego, que foi a Telesp, coordenei a introdução de um método de projeto baseado em engenharia econômica, que usava um programa de computador denominado “control point analysis”, introduzi a roda de medir distâncias que substituiu o uso de trenas e redigi o Manual de Projetos de Redes Internas da empresa, posteriormente usado em todo o Brasil..

Na Telebrás, coordenei a introdução de cabos telefônicos com capa APL, caixas CEV, braçadeiras BAP, conceito de Engenharia Econômica em Redes, sistema de pressurização de cabos e outras inoovações.

No CPqD, chefiando o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes, coordenei projetos voltados ao desenvolvimento de plásticos e resinas, controle de corrosão, proteção elétrica, novos métodos de construção, caixas subterrâneas pré-moldadas, cabos soprados, projetos CAD/CAM, usinagem de peças de precisão, testes para certificação de produtos e componentes, suporte de informática, empacotamento de tecnologias e redação de pedidos de patentes.

No início dos anos 2000, trabalhando para o CPqD, fui responsável pela implantação física da RedeGiga, rede acadêmica de altíssima velocidade, com backbone de 960 Km de extensão, interligando 7 aneis locais: Campinas, São Paulo, São José dos Campos, Cachoeira Paulista, Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis. A rede Giga atendia o CPqD, UNICAMP, PUC Campinas, USP, INCOR,  MACKENZIE, LNLS, INPE, ITA, UFRJ, UFF, PUC Rio, IME, IMPA, LNCC e outras instituições.

Em 2005, passei a trabalhar para a RNP: minhas atividades são ligadas a inovação, projetos estratégicos, otimizações técnicas visando redução de custos, introdução e atualização de normas técnicas, documentação, governança, auditorias e transferência de conhecimento.

Durante 3 anos, por conta de um convênio de cooperação técnica assinado entre RNP e Ministério das Comunicações. coordenei 81 aceitações finais em redes construídas pelo projeto Cidades Digitais.

Também atuei nos projetos Cidade Digital Salvador, Rede Metropolitana de Vitória, Piaui Conectado e Goiás de Fibra.  

FISCALIZAÇÃO, ACEITAÇÃO e AUDITORIA

Atuo nesta atividade desde meus tempos de Vésper, na virada do milênio.

Meu principais clientes tem sido CPqD e RNP.

Acompanho obras e serviços.

Realizei cerca de 30 aceitações de redes ópticas para a RNP. Coordenei 19 auditorias em Redes Ópticas Comunitárias da RNP, pertencentes ao Projeto RedeComep.

A partir de junho de 2016 comecei a inspecionar e aceitar Redes Comunitárias implantadas pelo MCTIC, conhecidas como Cidades Digitais. Fui responsável pela inspeção e aceitação de redes em 81 cidades

TREINAMENTO

A partir de 2012, preparo e ministro cursos, palestras e workshops para profissionais de todos os níveis, que atuam em projeto, construção e operação de redes ópticas