JOAQUIM CARLOS FANTON

20160708_171010Comecei a trabalhar para a Telepar, como estagiário de engenharia, no dia 02 de junho de 1967, faltando um ano e meio para me formar em engenharia. A empresa devia ter uns 50 empregados, entre estes uns 10 engenheiros. Muita coisa a ser feita e pouca gente para fazer. Comecei a gostar de telecomunicações e nunca mais parei!

Inicialmente, me deram projetos para analisar, depois me pediram para elaborar projetos e, em seguida, passei a executá-los. No início de 1968, já viajava pelo interior do estado do Paraná, instalando malhas de aterramento em torres de rádio.

A vida de estagiário não era nada fácil. Os mandantes exigiam perfeição. Caso algo desse errado, a degola era certa. Fazendo tudo certo, tinha cumprido a obrigação!

No decorrer de 1968 a Telepar adquiriu a Companhia Telefônica Nacional, empresa de capital americano que operava telefonia em Curitiba e em outras cinquenta cidades do interior do Paraná.

Após essa aquisição, o organograma da Telepar, que contava com departamentos de comutação, transmissão e infraestrutura, ganhou um novo departamento: Redes.

Abriram uma vaga para estagiário de redes e eu me candidatei. Foi a melhor decisão que tomei na vida. Um novo horizonte se abriu e nunca mais se fechou!

Recebi o Diploma de Engenheiro Eletricista no dia 16 de dezembro de 1968. No dia seguinte minha carteira estava assinada. Fui o empregado de número 104 da Telepar. no cargo constava “Engenheiro”.

Comecei elaborando projetos de redes e seis meses depois fui designado Chefe do Setor de Projeto e Construção de Redes Interior. A palavra “interior” era bem ampla. Com exceção de Curitiba, eu assumi a responsabilidade de projetar e construir redes em todo o estado. Em pouco mais de três anos, sob minha coordenação, foram projetadas e construídas mais de oitenta redes telefônicas. Do litoral até as fronteiras do Paraguai e da Argentina. De São Paulo a Santa Catarina. Com a experiência que fui adquirindo, passei a representar a Telepar em eventos e seminários fora do Estado do Paraná.

Em janeiro de 1970 me mandaram para Estocolmo, onde frequentei um curso de especialização em redes telefônicas promovido pela LM Ericsson. Quando regressei, a empresa havia decidido criar várias comissões técnicas. Fui indicado para presidir três delas: Comissão Permanente de Padronização de Materiais, Comissão de Elaboração do Plano de Transmissão do Estado do Paraná e Comissão do Plano Diretor de Telecomunicações da Cidade de Curitiba para a década de 70.

Com exceção da Comissão de padronização de Materiais, que se tornou permanente, as comissões envolvendo o Plano de Transmissão e Plano Diretor de Curitiba chegaram a um final e obtiveram grande êxito.

Em setembro de 1970, participei de um Seminário de Redes em São Paulo, onde apresentei de improviso o Plano de Transmissão da Telepar. Entre os participantes estava o Secretário de Telecomunicações do Minicom, Hélio Kestelman. O Plano de Transmissão da Telepar ganhou asas e eu fiquei conhecido além das fronteiras do Paraná.

Em Novembro de 1971, aconteceu o I Simpósio Nacional de Telecomunicações no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Durante o evento, fui convidado para ocupar o cargo de Superintendente de Estudos de Rede da CTB em São Paulo. Tinha apenas 26 anos de idade e 4 anos de formado quando assumi a Superintendência de Estudos da Rede da CTB, em São Paulo. A mais alta posição que um engenheiro de projetos de redes poderia ocupar.

A estas alturas, estava casado e já tinha um filho. Meus pais moravam no interior de São Paulo, o que me ajudou na hora de decidir se deixava a Telepar para trás.

Foi a segunda mais acertada decisão profissional que fiz na vida, na CTB, que virou Telesp em 11 de abril de 1973, vivi experiências sem precedentes. As expansões eram medidas em quantidade de rotas de cabos e, em média, era aberta uma rota de projeto para cada mil assinantes. São Paulo passava por uma expansão de 180 mil linhas e estava sendo iniciada uma nova fase de expansão, envolvendo 400 mil novos assinantes. O programa englobava a implantação de 580 novas rotas de cabos de assinantes e 200 novos cabos troncos. Não havia cidade nenhuma no mundo cujo sistema telefônico estivesse crescendo naquela velocidade.

Com novos tipos de cabos sendo introduzidos e com a tecnologia mudando, a CTB precisava modificar com urgência suas práticas de serviço. Na volta, tive a oportunidade de propor muitas inovações. Quando a decisão da viagem foi tomada, meu segundo filho tinha acabado de nascer.

Passei três meses nos EUA. Estive em Los Angeles, Nova Iorque, Washington DC e Chicago. Trouxe comigo muitas novidades e inovações. Durante aquela viagem descobri que os norte-americanos eram mais ricos e desenvolvidos do que nós, não por serem mais capazes, nem mais inteligentes. Mas, porque costumavam planejar muito bem antes de projetar e construir qualquer coisa, prática usual no Brasil daquela época, que infelizmente continua a ser adotada nos dias de hoje!

Assim que voltei, introduzi conceitos de engenharia econômica em projetos. Nossas redes começaram a ser dimensionadas pelo horizonte de ocupação e não mais com base em carga inicial de assinantes. Foi um divisor de águas.

Em em agosto de 1974 deixei a Telesp para assumir a chefia da Divisão de redes Externas da Telebrás. Trabalhei em Brasília durante cinco anos. Lá, tive a chance de de trocar experiências com empresas e profissionais dos EUA, França, Inglaterra, Japão, Canadá, Austrália e de outros países. Também conheci e trabalhei com profissionais de alto nível de todo o Brasil. Em Brasília a família tornou a aumentar. Nasceram um filho e uma filha. Retornei a Curitiba em 1989, onde permaneci até novembro de 1981, ocasião em que fui transferido para Campinas, onde permaneço até os dias atuais.

Gerenciei programas de desenvolvimento no CPqD durante sete anos. Em outubro de 1988 me transferi para a iniciativa privada. Trabalhei para Cook Electric, Enetele, Pan Engenharia, Stratcom, Nextel e Vésper. Sempre em cargos de direção ou de alta gerência. Também tive minha própria empresa.

Em 2003, já aposentado, passei a atuar como consultor. Inicialmente, prestei serviços para CPqD. Em 2005 comecei a trabalhar para a RNP.

Minhas atividades na RNP abrangem redação de normas, manuais, práticas e especificações, desenvolvimento e estudos para introdução de novas tecnologias, atividades de acompanhamento de obras e serviços, fiscalizações, aceitações, auditorias em redes ópticas e treinamento.

Comecei a ministrar cursos de treinamento em 2012. O nível das palestras e apresentações é bem amplo. Procuro passar desde noções básicas de transmissão para artífices, até conhecimentos especializados para pessoal de nível superior.

Minha esposa e companheira, Maria do Rocio Esmanhoto Fanton, me acompanha desde os tempos de namoro, que começou em 1964.

Quando comecei a trabalhar para a RNP, tinha quatro filhos adultos. Nesta última década ganhei seis netos. Posso afirmar, sem medo de errar, que estes tem sido os melhores anos de minha vida.

Campinas, setembro de 2018.
Joaquim Carlos Fanton

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