Comecei a trabalhar com redes externas de telecomunicações em 1969: projetar redes físicas de telecomunicações que atendessem à demanda quando e onde ela surgisse era uma atividade extremamente desafiadora.
Até 2010, as redes físicas de telecomunicações eram constituidas de cabos multipares que transmitiam sinais analógicos. Além de caros os cabos eram grossos e muito pesados. Quando aéreos tinham no máximo 200 pares. A ocupação média dos cabos primários era de 60%, ou seja, eram necessários 100 pares para cada 60 assinantes. Por norma, 10 mil assinantes exigiam a instalação de um caco primário de 1.800 pares. Assim cada 10 mil linhas de comutação exigiam um cabo de 1.800 pares.
Cabos de fibras ópticas começaram a ser instalados no Brasil no início da década de 80. Inicialmente, foram usados no entroncamento de centrais telefônicas, depois em rotas de longa distância e, fnalmente, nas redes de distribuição local, também chamadas de last mile.
Comecei a trabalhar com cabos de fibras ópticas no exato momento em que eles foram introduzidos no Brasil. Na ocasião, gerenciava o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes do CPqD e, por esse motivo, participei do projeto ECO-I, que consistiu na instalação de um cabo tronco óptico entre a estação telefônica de Irajá (pertencente à antiga Cetel) e uma estação telefônica da TELERJ localizada na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.
Permaneci no CPqD até outubro de 1988, ocasião em que me transferi para a iniciativa privada. Trabalhei para indústrias e empresas de serviços até o final de década de 90. Em 1999, voltei a trabalhar para operadoras de telecomunicações: Inicialmente, Nextel, depois Vésper.
Quando me aposentei no final de 2002, decidi continuar trabalhando como consultor. Passaram-se 24 anos e continuo na ativa. Meu cliente principal tem sido a RNP, onde atuo sob demanda. Realizo atividades como redação e atualização de normas e práticas de projeto, construção, aceitação, manutenção e outras, oriento supervisiono e fiscalizo obras e serviços, coordeno atividades de auditoria técnica, oriento atividades de planejamento e projeto e dou treinamento.
A´pos realizar as primeiras auditorias técnicas nas redes do Sistema Comep, percebi que a maioria dos problemas encontrados estavam associados a falta de treinamento, insuficiência gerencial e, principamente, inobservância de boas práticas por parte do pessoal de campo encarregado de operar a manter as redes.
Por este motivo, comecei a ministrar cursos, seminários e workshops sobre o assunto. O público alvo abrange de artífices a gerentes de nível superior e as aulas não visam apenas aperfeiçoamento profissional. Elas são motivacionais! Apesar de recente em meu portfólio, este trabalho tem sido sido um dos mais gratificantes que já realizei na vida.
Sempre trabalhei com inovação. No início da década de 70, no meu primeiro emprego, que foi a Telepar, introduzi o conceito de redes flexíveis. Usando esse novo método, a Telepar aumentou de 60% para 80% a ocupação média de ocupação de seus cabos primários.
Naquela época, como a Telepar decidiu usar cabos com capa e isolamento de polietileno, coordenei o projeto e a construção de mais de 80 redes telefônicas usando esse novo tipo de cabos e acessórios a eles associados, como caixas de emenda ventiladas e dutos de PVC.
No meu segundo emprego, que foi a Telesp, coordenei a introdução de um método de projeto baseado em engenharia econômica, que usava um programa de computador denominado “control point analysis”, introduzi a roda de medir distâncias que substituiu o uso de trenas e redigi o Manual de Projetos de Redes Internas da empresa, posteriormente usado em todo o Brasil..
Na Telebrás, coordenei a introdução de cabos telefônicos com capa APL, caixas CEV, braçadeiras BAP, conceito de Engenharia Econômica em Redes, sistema de pressurização de cabos e outras inoovações.
No CPqD, chefiando o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes, coordenei projetos voltados ao desenvolvimento de plásticos e resinas, controle de corrosão, proteção elétrica, novos métodos de construção, caixas subterrâneas pré-moldadas, cabos soprados, projetos CAD/CAM, usinagem de peças de precisão, testes para certificação de produtos e componentes, suporte de informática, empacotamento de tecnologias e redação de pedidos de patentes.
No início dos anos 2000, trabalhando para o CPqD, fui responsável pela implantação física da RedeGiga, rede acadêmica de altíssima velocidade, com backbone de 960 Km de extensão, interligando 7 aneis locais: Campinas, São Paulo, São José dos Campos, Cachoeira Paulista, Rio de Janeiro, Niterói e Petrópolis. A rede Giga atendia o CPqD, UNICAMP, PUC Campinas, USP, INCOR, MACKENZIE, LNLS, INPE, ITA, UFRJ, UFF, PUC Rio, IME, IMPA, LNCC e outras instituições.
Em 2005, passei a trabalhar para a RNP: minhas atividades são ligadas a inovação, projetos estratégicos, otimizações técnicas visando redução de custos, introdução e atualização de normas técnicas, documentação, governança, auditorias e transferência de conhecimento.
Durante 3 anos, por conta de um convênio de cooperação técnica assinado entre RNP e Ministério das Comunicações. coordenei 81 aceitações finais em redes construídas pelo projeto Cidades Digitais.
Também atuei nos projetos Cidade Digital Salvador, Rede Metropolitana de Vitória, Piaui Conectado e Goiás de Fibra.
Mesmo que o tensionamento excessivo não provoque a ruptura da fibra, seu estressamento pode causar o enrugamento da interface casca / núcleo, fenômeno conhecido como micro curvatura, extremamente prejudicial à transmissão.
Uma caixa subterrânea típica para cabos ópticos possui as seguintes dimensões:
Caixa construída no “pé do poste” precisa ficar a uma distância mínima de 100 cm do mesmo, para não abalar sua estabilidade e permitir que a curva rígida instalada sob o cano lateral complete seu curso e fique na horizontal. Esta caixa também deveria estar equipada com tampa de ferro fundido.
Um detalhe importante a ser conferido durante as aceitações é a altura de fixação dos cabos aéreos e também seu tensionamento.
Muitas vezes, um pequeno detalhe é essencial para garantir vida longa à rede. O ajustador é um exemplo clássico. Não há nenhum argumento que justifique o fato dessa peça não estar sendo usada.