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No jardim da Prefeitura de Regeneração PI descansa um cofre. Está deitado de lado, fundo encostado na mureta que faz divisa com a rua e suas pesadas portas estão voltadas para o jardim, numa pose parecida com alguém que dorme. Se estivesse de costas, eu diria que estava morto!
Pela aparência, está ali há anos, debaixo de uma árvore que para mim é uma figueira, mas, não tenho certeza disso. Conhecimentos de botânica nunca foram o meu forte.
Sua impávida presença é tão antiga que pessoas da cidade e funcionários da prefeitura já não lhe prestam atenção. Apenas forasteiros como eu devem achar estranho ele estar ali esquecido, num lugar tão visível, a poucos metros da porta de entrada da prefeitura.
Cheguei na prefeitura um pouco antes das 8 horas: quando viajo, gosto de começar bem cedo. O tempo precisa ser bem aproveitado, pois sempre surgem imprevistos e coisas a serem feitas, das quais não me lembrei no momento que planejei a viagem.
O expediente de trabalho oficial nas prefeituras das pequenas cidades do nordeste do Brasil é das sete e trinta às treze e trinta. Na prática, é das oito ao meio-dia. Quando vai chegando a hora do almoço o pessoal debanda e cada um vai cuidar de sua vida em outro lugar.
Num primeiro momento pode parecer um abuso, mas, considerando a paga modesta, o pouco que se tem para fazer e o calor escaldante das tardes, o expediente matutino bem que se justifica.
Não encontrei o funcionário que estava procurando e dele ninguém soube dar notícias, de forma que decidi esperar. Para matar o tempo, puxei papo com um funcionário que me olhava curioso, de longe: Naquelas plagas sempre pensam que sou estrangeiro e alguns ficam espantados quando descobrem que falo português. Perguntei se ele se sabia porque aquele cofre estava ali, há quanto tempo, e qual seria seu destino.
Meu novo amigo não sabia responder o motivo do cofre estar ali, mas em compensação, me contou sua história e ela era interessantíssima.
O cofre foi doado à prefeitura por um Banco que fechou a agência na cidade. Na época em que isto ocorreu devia ser mais barato comprar um cofre novo do que transportar um cofre antigo e pesado como aquele para outra cidade.
Como prefeitura quase nunca tem dinheiro em caixa, passaram a guardar documentos importantes dentro do cofre. Certo dia, um funcionário descuidado alterou inadvertidamente o segredo da fechadura e não conseguiu mais abrir a porta. Muitos funcionários tentaram abrir e não conseguiram.
Decidiram chamar o faz tudo da cidade, homem rude, mas muito bom no que fazia. Quando ele chegou, ninguém se preocupou em perguntar o preço do serviço. Em parte, porque achavam que seria apenas mais uma tentativa frustrada. Mexe daqui, cutuca dali, dez minutos depois, o cofre estava aberto!
Na hora que a secretária da prefeitura perguntou o preço, levou um susto!
“São cem reais”, disse o homem, tratando de garantir a féria do dia, pois eram de vacas magras, os dias naqueles tempos.
“Cem reais por dez minutos de serviço? Você pensa que eu sou boba? Dou vinte e cinco e estamos conversados”!
O homem voltou ligeiro até o cofre e tornou a fechá-lo. “Se você acha caro o meu serviço, procure outro que abra”. Disse isso e foi embora.
Passaram-se semanas. Dezenas de pessoas foram chamadas e nada do cofre abrir. Esgotadas todas as possibilidades, a secretária chamou de volta o faz tudo.
“Pode abrir o cofre, decidi pagar os cem reais que você me pediu”, disse ela.
“O preço agora aumentou” disse o homem. “Agora, quero duzentos”!
Dito e feito, foi o que aconteceu…
Nos dias de hoje, vazio e esquecido, o cofre não vale mais nada. Transformou-se num estorvo. Seu preço, se for vendido por quilo, não remunera sequer o custo do transporte até o sucateiro da cidade vizinha.
Fazendo uma analogia entre a história do cofre e a das pessoas, podemos concluir que valemos pelo nosso conteúdo. Não adianta ser forte, pesado e robusto.
A secretária da prefeitura deve ter também ter aprendido que um bom profissional não ganha fama por acaso. Bom conceito se conquista. Bons profissionais são como os bons vinhos: Não importa a aparência do rótulo, com o passar do tempo, o conteúdo melhora!.
Quando temos pressa e precisamos garantir resultados, devemos confiar a missão a um profissional idôneo e experiente.
“O barato sai caro”, diz o ditado popular. Recomeçamos do zero e pagamos dobrado.
A pequena São José do Divino no Piauí estava em festa este mês. E não é só pela chegada do mês de junho. No bojo de um ambicioso projeto do governo federal, concebido para levar serviços de banda larga para o interior, havia entrado em operação um Wi-Fi de acesso público na praça central da cidade.
Esta história se passa em Faltesgoto, uma distante cidade de um remoto país. Por coincidência, talvez o leitor conheça alguma cidade igual a Faltesgoto aqui no Brasil.
Inspecionar e aceitar três redes ópticas em cidades afastadas entre si por centenas de quilômetros não é tarefa trivial. É preciso racionalizar o uso do tempo e compartilhar tarefas para dar conta de tudo. As estradas no interior do Piauí são boas, mas, passam dentro de inúmeras povoações. Na proximidade de qualquer uma delas, há sempre intenso trânsito de motocicletas, que requer extremo cuidado. Para variar, existem muitas lombadas. Muitas mesmo! Daquelas que exigem que você realmente pare. Ao todo, rodamos mil e setecentos quilômetros.
No dia 30 de junho de 1973, eu e dois colegas viajamos para os EUA com o objetivo de estudar novas técnicas de projeto e construção de redes, novas ferramentas e novos materiais. A viagem teve duração de 12 semanas. Tínhamos um roteiro bem definido a ser cumprido. Nosso primeiro destino seria a General Telephone of California. Como não havia voos diretos para a costa oeste naquela época, tivemos que fazer conexão em Nova Iorque. Partimos de Viracopos bem cedo. Nosso voo deveria chegar em NY por volta de 16 horas, com conexão imediata para Los Angeles. Uma forte tempestade se abateu sobre Nova Iorque e descemos em Philadelphia. Dezenas de voos também foram desviados para lá e o aeroporto congestionou. Ficamos presos no avião durante cinco horas. Era verão e fazia um calor infernal. Acabou água e comida e os banheiros entupiram.
Assim que terminou a Segunda Guerra Mundial, o mundo foi inundado com novas matérias primas. Apareceram borrachas sintéticas, polietileno, polipropileno, poliestireno, acetatos, acrilatos, vinil e vai por aí afora.
A roda de medir distâncias que aparece na foto acima é parecida com a que eu trouxe de minha histórica viagem aos EUA em 1973. A que veio comigo parecia mais um monociclo. A roda era metálica, possuía raios de roda de bicicleta e o corpo era de aço tubular.
Quando fui trabalhar na Telebrás, a empresa funcionava no Edifício Embaixador, Setor Comercial Sul de Brasília. A Divisão de Engenharia de Redes Externas ocupava um pequeno conjunto no primeiro andar do prédio, constituído de sala e banheiro. A sala comportava seis mesas e uma prancheta. Por sorte, o banheiro tinha um box para chuveiro. Na época não havia computadores pessoais. A gente escrevia bilhetes e memorandos e, quando se tratava de norma ou prática, a secretária da divisão datilografava os textos manuscritos. Os documentos eram guardados em arquivos que ficavam no banheiro.
Quando viajamos, ficamos encantados com o cenário à nossa volta e, muitas vezes, deixamos de prestar atenção em detalhes importantes.