CONTROL POINT ANALYSIS

Foto-Gentel-e1469455306798-1024x576No dia 30 de junho de 1973, eu e dois colegas viajamos para os EUA com o objetivo de estudar novas técnicas de projeto e construção de redes, novas ferramentas e novos materiais. A viagem teve duração de 12 semanas. Tínhamos um roteiro bem definido a ser cumprido. Nosso primeiro destino seria a General Telephone of California. Como não havia voos diretos para a costa oeste  naquela época, tivemos que fazer conexão em Nova Iorque.  Partimos de Viracopos bem cedo. Nosso voo deveria chegar em NY por volta de 16 horas, com conexão imediata para Los Angeles. Uma forte tempestade se abateu sobre Nova Iorque e descemos em Philadelphia. Dezenas de voos também foram desviados para lá e o aeroporto congestionou. Ficamos presos no avião durante cinco horas. Era verão e fazia um calor infernal. Acabou água e comida e os banheiros entupiram.

Depois de passar pela imigração e alfândega, estressados e irritados, nos vimos perdidos no saguão do aeroporto. Os dois companheiros, que viajavam para o exterior pela primeira vez, me pediam coisas a todo momento: “Diz isto, fala aquilo”! Descobri que tinha ônibus levando passageiros até Kennedy, mas, a viagem levava umas três horas e ainda chovia. Uma funcionária do balcão de turismo nos orientou a procurar pela United Airlines. Acabei conseguindo um voo que partiria de Philadelphia para Los Angeles às dez da manhã do dia seguinte, que era um domingo.

Dormimos no hotel do aeroporto. Já era quase meia-noite quando finalmente entramos no quarto. Tinha uma cama de solteiro e uma de casal. Os dois reclamaram, mas, fiquei com a cama de solteiro. Afinal, eu havia negociado o quarto. Pedi para nos acordarem às sete. Dava tempo de folga para tomar café e embarcar.

Lá pelas cinco, alguém começou a bater forte na nossa porta. Minha cama ficava no fundo e pedi que um deles tratasse de dispensar o homem. Um de meus colegas que era nissei e, portanto muito bem educado, ao invés bronquear ficava repetindo baixinho, “tankiu, tankiu, tankiu”. O homem acabou percebendo que estava batendo na porta do quarto errado e foi embora. Com o incidente, acabamos não dormindo direito. Parecia que tudo ia dar errado naquela viagem, mas, não deu. Ao contrário disto, foi uma das melhores e mais produtivas missões que realizei no exterior.

O voo da UA decolou às dez e às onze da manhã estávamos em LA: Cinco horas de voo menos quatro de fuso. Pegamos um táxi e rumamos para Santa Mônica, onde ficava a sede da General Telephone of Califórnia. Permanecemos por lá durante seis semanas que valeram por quase uma vida. Nos deram um crachá que dizia “Telesp Contractor” e fomos integrados numa equipe de projeto. Fizemos dezenas de incursões em campo. Vimos e aprendemos muitas coisas novas.

De tudo o que observamos, o ponto alto foi o sistema computadorizado de projetos da GENTEL. Eles dividiam a rede em alimentação e distribuição. A rede de distribuição era projetada de forma muito simples: Os assinantes eram agrupados dentro de “Seções de Serviço” e o dimensionamento de pares era extremamente simples:

  1. Consideravam que todo prédio ou terreno abrigaria clientes. Portanto, todos eram levados em consideração na hora da contagem de pares.
  2. Os imóveis eram separados em classes. Imóvel classe A, 5 pares por domicílio, classe B, 3 pares, e assim por diante.
  3. Não havia nenhuma preocupação em economizar pares já que esta parte da rede era muito curta. O importante era ter sempre pares disponíveis quando surgisse a demanda.

Já a rede alimentadora era objeto de estudos de crescimento de demanda muito acurados, pois nela estava concentrada a maior parte dos investimentos. A rede alimentadora era dividida em segmentos de rede. Cada segmento era determinado por dois Pontos de Controle, um no início e outro no final de cada um deles.

Ponto de Controle era, por definição, um ponto ao longo da rede onde algum cabo era emendado, derivado, ou sofria mudança de bitola ou de capacidade. A quantidade e a evolução de pares defeituosos, ocupados e livres era rigorosamente controlada em cada Ponto de Controle, através de um programa de computador.

O processo era conhecido como Control Point Analysis. Na época, não havia computadores de pequeno porte, de forma que o programa rodava em Main Frame e os resultados eram impressos em formulários contínuos, como os da foto acima.

O responsável pelo projeto era um engenheiro de redes de grande experiência, apaixonado por computação. Em meu relatório, recomendei fortemente a adoção do Control Point Analysis. Um ano depois, o sistema foi implantado. Os projetos de cabos primários da Telesp passaram a levar em conta princípios de engenharia econômica, com horizonte de ocupação de cinco anos. Este programa, além de proporcionar economia para a empresa, melhorou a qualidade de vida dos paulistanos, pois diminuiu consideravelmente a quantidade e a frequências das intervenções que eram feitas na rede. Pouca gente sabe, mas, muitas das intervenções resultavam obrigatoriamente na abertura de valas e buracos em ruas e avenidas da cidade.

Infelizmente, não pude acompanhar de perto os resultados do novo processo. Quando foi implantado, já estava trabalhando na Telebrás.

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