TEORIA DAS  JANELAS QUEBRADAS

A teoria das janelas quebradas ou “broken windows theory” é um modelo que os norte-americanos criaram para enfrentar e combater o crime, classificando a desordem como fator que eleva os índices da criminalidade.

A teoria defendia que a falta de repressão de pequenos delitos produzia, inevitavelmente, condutas criminosas de maior gravidade.

Há cerca de 50 anos, pesquisadores da Universidade de Stanford realizaram uma interessante experiência no campo da psicologia social: abandonaram dois carros idênticos, da mesma marca, modelo e cor. Um foi deixado numa rua do Bronx, bairro pobre e conflituoso de Nova York e o outro numa rua da cidade de Palo Alto Califórnia, no Silicon Valey. E uma equipe formada por especialistas em psicologia social analisou e estudou a conduta das pessoas em cada local.

Poucas horas após ser abandonado, o carro do Bronx começou a ser vandalizado: rodas, espelhos e rádio  foram roubadas e depois o motor. Levaram embora tudo o que foi possível carregar e o que restou foi destruído. Enquanto isso, o carro abandonado em Palo Alto permaneceu intacto.

Essa foi apenas a primeira fase da pesquisa: os pesquisadores quebraram um dos vidros do automóvel de Palo Alto e isso desencadeou o mesmo processo que havia ocorrido no Bronx: roubo, violência e vandalismo reduziram o veículo a uma situação idêntica à que havia ocorrido no bairro pobre e violento de Nova York.

Por que um vidro quebrado numa viatura abandonada em um bairro de uma cidade rica e considerado seguro foi capaz de desencadear todo um processo delituoso? Evidentemente, teve a ver com psicologia humana e com relações sociais.

Um vidro quebrado num veículo ou numa casa, transmite uma ideia de deterioração, desinteresse e despreocupação, quebra códigos de convivência, faz as pessoas suporem que a lei se encontra  ausente e que não existem normas ou regras naquele lugar.

Um simples vidro quebrado provocou o “vale-tudo”: cada novo ataque depredador reafirmou essa ideia. A escalada de atos cada vez piores se tornou incontrolável e desembocou uma violência irracional.

Com base nessa, e em outras experiências análogas, foi desenvolvida a “Teoria das Janelas Quebradas“. A conclusão é que os delitos são maiores em zonas onde descuido, sujeira e desordem são maiores.

Quando, por alguma razão, o vidro da janela de um edifício desocupado quebra e não é reparado, logo todos os demais estarão quebrados. Da mesma forma, quando uma comunidade exibe sinais de deterioração e parece que ninguém se importa, esse fato gera delitos.

Origem da teoria das Vidraças Quebradas:

Essa teoria começou a ser desenvolvida em 1982, quando o cientista político James Q. Wilson e pelo psicólogo criminologista George Kelling publicaram um estudo na revista Atlantic Monthly, estabelecendo uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.

No estudo, os autores utilizaram a imagem das janelas quebradas para explicar como desordem e criminalidade se infiltram aos poucos numa comunidade, causando sua decadência e a consequente queda da qualidade de vida. O estudo realizado levou em consideração a experiência dos carros abandonados no Bronx e em Palo Alto.

Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se por exemplo uma janela de um imóvel fosse quebrada e não fosse consertada, quem por ali passasse iria concluir que ninguém se importava com a situação e que, naquele local não havia ninguém responsável por manter a ordem, começando naquele momento a deterioração do bairro todo.

Em decorrência do mau aspecto, pessoas de bem deixariam a comunidade, que ficaria à mercê de gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para residir em uma rua cuja decadência se torna evidente. Pequenas desordens, portanto, levam sempre a desordens maiores e ao crime.

Da mesma forma, os defensores da teoria concluíram que, quando são cometidas “pequenas faltas”, como estacionar em local proibido, exceder o limite de velocidade, “furar” sinal vermelho e não sofrer nenhuma consequência induzem o ofensor a cometar delitos mais graves.

Quando pais e responsáveis admitem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, estas se ficam  mais violentas quando adultas.

A teoria das Janelas Quebradas definiu um novo marco no estudo da criminalidade ao apontar que a relação de causalidade entre a criminalidade e outros fatores sociais, tais como a pobreza ou a “segregação racial” é menos importante do que a relação entre a desordem e a criminalidade. Não seriam somente fatores ambientais (mesológicos) ou pessoais (biológicos) que teriam influência na formação da personalidade criminosa, contrariando os estudos da criminologia clássica.

Experiência no metrô de Nova York

Há 50 anos, a criminalidade em Nova York havia atingido níveis que preocupavam a população e as autoridades responsáveis pela segurança pública.

Por esse motivo, foi implementada uma política chamada Tolerância Zero, baseada na teoria das “Janelas Quebradas“.

As autoridades entenderam que parques e outros espaços públicos haviam se deteriorado por terem sido progressivamente abandonados pela administração pública e pela maioria dos moradores de bem e, em consequência, tinham sido ocupados por delinquentes.

Em meados da década de 80, a teoria das Janelas Quebradas começou a ser aplicada no metrô de Nova York, que se havia convertido no ponto mais perigoso da cidade.

Começaram combatendo pequenas transgressões: lixo jogado no chão das estações, alcoolismo entre os passageiros, não pagamento de passagem, pequenos furtos e desordens. Os resultados foram rápidos e evidentes. Começando pelo pequeno, conseguiram fazer com que o metrô se tornasse um lugar seguro.

Em 1994, o  prefeito Rudolph Giuliani adotou a política de “tolerância zero” nas rua da cidade, com o objetivo de criar comunidades limpas e ordenadas. O resultado foi uma enorme redução de todos os índices criminais da cidade de Nova York.

A política de “tolerância zero” corre o risco de se tornar uma medida autoritária, repressiva e opressora, caso seja aplicada de modo unilateral por alguma autoridade de plantão, mas, seus defensores afirmam que o conceito principal é a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança.

Não se trata de linchar o delinquente, mas de impedir que este se envolva em processos criminais mais graves. O método preconiza que abusos de autoridade da polícia e de governantes também devem ser objeto de Tolerância Zero ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular.

Não se trata de tolerância zero com relação aos que cometem pequenos delitos, mas tolerância zero em relação delitos. O objetivo é criar comunidades ordenadas, que respeitem as leis e os códigos básicos de convivência social humana.

A  Tolerância Zero e a  teoria das Janelas Quebradas, colocaram Nova York na lista das metrópoles mundiais mais seguras do mundo.

Caso essa teoria fosse adotada no Brasil (hoje assolado por casos de vandalismo, criminalidade, impunidade, amoralidade e corrupção), e desde que usada com equidade e equilíbrio, com certeza ajudaria a criar uma sociedade melhor e mais segura para todos.