RedeComep 10 anos

Placa 10 anos

Carta enviada aos colegas da RNP no dia 25 de agosto de 2015, sobre a cerimônia de comemoração dos 10 anos do projeto RedeComep:

RedeComep 10 anos

Campinas, 25/08/2015

Na última segunda-feira fui homenageado pela RNP por ter participado da iniciativa RedeComep durante seus dez anos de existência.

Quando recebi o email do Takashi me convidando para participar das festividades dos 10 anos no dia 24, desconfiei que iria receber algum tipo de homenagem. Mas, nem me passou pela cabeça (santa inocência) que teria que me dirigir à plateia na ocasião, caso viesse mesmo a ser homenageado.

Falei de improviso e estou incomodado até hoje por ter deixado de mencionar alguns fatos importantes que o grupo de engenharia precisa saber.

Como ficou dito e redito, nos últimos dez anos tive o privilégio de participar deste importante projeto. Hoje ainda existem diversos problemas de ordem operacional a serem resolvidos, mas, quando tudo começou, havia dúvidas até mesmo sobre o acerto da própria iniciativa.

Ao longo dos anos, as dúvidas desapareceram e hoje acho que ninguém duvida que a RedeComep chegou para fazer história.

Devido ao seu sucesso indiscutível, tornou-se paradigma para iniciativas mais abrangentes, como o Projeto Cidades Digitais do MC e outras redes que estão surgindo por este Brasil afora, por iniciativa de Estados e Municípios.

Mas, retornando à sessão solene, caso tivesse organizado melhor meus pensamentos, teria dito que o sucesso da iniciativa se deve a quatro fatores básicos:

  1. Firme determinação da diretoria da RNP em levar o projeto adiante;
  2. Modelo de gestão baseado na capacidade empreendedora das comunidades locais;
  3. Conjunto de Normas técnicas simples e racionais;
  4. Diligente trabalho realizado pela equipe da engenharia ao longo destes dez anos,

Teria sido oportuno mencionar aos presentes a dedicação de Cybelle e Celso nos primeiros e decisivos meses, e que os dois contribuíram, e muito, para o aprimoramento e complementação dos documentos e tabelas que Sílvio Lopes e eu minutamos quando as redes nem existiam.

Deveria ter citado nominalmente cada um dos elementos que hoje fazem parte do seleto grupo da engenharia e que vieram agregando valor ao longo dos anos. Em ordem alfabética: Dalila, Douglas, Helmann, Marco, Oswaldo e Rodrygo. Parabéns a eles, que me acompanham nas incursões pelo Brasil, e que aguentam estoicamente as mesmas piadas e as histórias de sempre. 

Para completar, deveria ter mencionado Aquino e Juan, consultores como eu, que vieram depois, mas, que também labutaram bastante e, melhor do que tudo, são hoje meus grandes amigos.

Finalmente, deveria ter-me dirigido, sem mencionar nomes, aos membros de comitês gestores e técnicos, coordenadores e colaboradores de Pops, que estão se revezando para “carregar o andor”, muitas vezes sem estrutura e sem recursos suficientes para esta missão.  

Considerem, portanto, que a placa que recebi também é de vocês!

Parabéns a todos nós!

J C Fanton

 

 

PORQUE ESTUDEI EM CURITIBA

Kombi luxo 1964Não consegui achar na Internet uma Kombi luxo saia e blusa ano 1963, da mesma cor da que me levou para Curitiba, que era branca e cinza.

Meu futuro foi selado no dia primeiro de janeiro de 1964. Decidi sair de casa para arejar um pouco a cabeça. A namorada da época estava passando o final de ano com os pais na colônia de férias do SESC em Bertioga e eu não tinha nenhum programa melhor para fazer naquela noite.

Como morava com meus pais num sobrado bem no centro de Botucatu, decidi ir andando até o cine Casino (só um s mesmo) para ver se encontrava algum amigo na saída da primeira seção.

Eram nove horas da noite quando atravessei a rua Amando de Barros, na esquina do Bosque. Nesse exato momento vinha passando a Kombi. Se eu tivesse atravessado um minuto antes, ou um minuto depois, teria seguido meu caminho sem cruzar com dois irmãos, meus colegas de classe, Antônio Carlos Menegon “Caicai” e seu irmão José Roberto Menegon “Beto”. Não teria estudado em Curitiba.

A Kombi vinha devagar, Caicai na direção. Quando me viu, brecou.

Eu havia acabado de concluir científico. No ano anterior havia sido eleito presidente do Grêmio Estudantil 16 de Maio do Instituto de Educação Cardoso de Almeida. Aulas de segunda a sábado, das 7:20 às 12:30. De tarde, ajudava meu pai em seu modesto armazém de secos e molhados. No ano que acabara de acabar, tinha andado tão ocupado que não achava tempo nem para comer. Com 18 anos e 1,80 m, pesava apenas 67 quilos. Era um varapau. Por conta do Grêmio faltei muito às aulas: Congressos, encontros, palestras, a reforma dos instrumentos da fanfarra do IECA e outras atividades tinham consumido meu tempo.  Não me sentia preparado para o vestibular e, para complicar, tinha ainda o Tiro de Guerra. Precisaria me apresentar em março.

Começamos a conversar. Trocamos desejos de Feliz Ano Novo, conversamos sobre o filme que estava passando no Cine Casino, sobre quem-estava-paquerando-quem e coisas assim. A conversa rumou para o vestibular. Comentei ter tirado da cabeça a ideia de prestar vestibular naquele ano. Além de não estar bem preparado, teria que servir a Pátria. Vestibular, só em 1965.

Caicai comentou que se eu fizesse o vestibular (e passasse), o problema do Tiro de Guerra estaria resolvido. Me contou que uma lei recente, de autoria do Senador Auro Moura Andrade, estabelecia que estudantes cursando nível superior poderiam ser incluídos no excesso de contingente das forças armadas.

Fiquei sabendo que os dois estavam indo com a Kombi até o posto de gasolina da Avenida Marechal Floriano para completar o tanque, conferir o nível do óleo e calibrar os pneus, pois partiriam para Curitiba naquela madrugada. Caicai ia se inscrever nos vestibulares de medicina da Federal e da Católica e Beto no vestibular de engenharia.

Fiquei curioso, quis saber mais detalhes. Perguntei se a escola de engenharia era do governo e ele disse que sim. Além deles, estavam indo três amigos que não eram do IECA. Perguntei quem ia dirigir. Seria um tio que trabalhava na polícia e que estaria de folga no começo da semana.

Senti uma vontade danada de ir com eles. Nem tanto pelo vestibular, queria mesmo passear. Perguntei se não caberia mais um na Kombi. “Cabe sim, desde que você ajude no racha da gasolina”, disse ele.

Pedi um tempo para ir até em casa. Fui num pé e voltei no outro. Sim, meu pai havia concordado que eu fosse com eles para Curitiba. Às quatro horas da madrugada já estávamos na estrada, 450 quilômetros pela frente, 300 de asfalto, 150 de terra. Entramos em Curitiba às três da tarde, cansados e animados.

Nosso motorista parou a Kombi na Rua Amintas de Barros, bem na frente da faculdade de Filosofia. Naquele tempo, a mão de trânsito era no sentido da descida. Hoje sobe. A tarde estava ensolarada e quente. Fato que depois descobri ser raro na cidade. Garotas loiras, que achei lindas, por todo lado! Comecei a querer estudar em Curitiba.

Conseguimos um lugar barato para dormir. Pensão Amália na Rua José Loureiro. Um sobrado antigo, demolido há décadas, onde hoje funciona um templo da Igreja Internacional do Reino de Deus. Ocupamos dois quartos. Um grande com cinco camas, outro menor com duas.

Na manhã seguinte, bem cedo, o porteiro da pensão nos ensinou como fazer para chegar na escola de engenharia. Era só pegar o ônibus da linha Jardim das Américas, onde se localizava o recém-inaugurado Centro Politécnico da Universidade. O ponto inicial era na Praça Carlos Gomes, em frente do Posto Garoto e ao lado do prédio da Gazeta do Povo, a três quadras da pensão.

Ao descer do ônibus, ficamos deslumbrados. O conjunto de prédios era impressionante, Estava tudo tinindo de novo. No caminho até a secretaria, entramos numa sala de aula que estava com a porta aberta. Carteiras marca Cimo, novinhas. Lousas verdes sem nem um furinho! Iluminação perfeita. Janelas amplas com brises horizontais externos que impediam que o sol batesse direto nas carteiras. Decidi que ia estudar em Curitiba!

Fomos até a secretaria. Tinha uma pequena fila, mas, logo chegou a nossa vez. Fui atendido por uma senhora que depois fiquei sabendo ser a Secretária do Diretor da escola, Jorge Ralf Leitner. “RG, Certificado de Conclusão do Colegial e Histórico Escolar, por favor”, disse ela.

Levei um susto, tinha trazido comigo só o RG. Na pressa, nem me lembrei de detalhes e formalidades. Beto também só tinha a identidade. Ao saber de nossas dificuldades, a secretária disse gentilmente: “Não tem importância. As inscrições só se encerram na sexta-feira. Dá tempo de vocês providenciarem tudo”.

Não havia chance alguma disto acontecer. Um dia perdido para voltar até Botucatu, outros dois para conseguir os documentos, mais um para regressar a Curitiba. Adeus vestibular. Começamos a nos lamentar ali mesmo. Comentamos que estávamos perdendo a chance de estudar naquela maravilhosa escola e de morar numa cidade onde tinha tanta moça bonita! Foi o que bastou para amolecer o coração da mulher que, usando de sua autoridade, sentenciou: “Gostei de vocês. Quero que os dois venham estudar aqui. Vou aceitar as inscrições em caráter condicional”.

Como o vestibular começaria no dia 16, combinamos de trazer os documentos requeridos até o dia 12. Com isto, ganhamos uma semana.

Na tarde daquele mesmo dia iniciamos a viagem de volta. Decidimos retornar pela BR-2 (atual BR 116). Trajeto mais longo, porém, totalmente pavimentado. Quando a noite caiu, não estávamos nem no meio do percurso. Baixou uma névoa espessa e a gente não enxergava mais nada na estrada. Não tivemos alternativa senão parar e dormir. A grana tinha acabado e dormimos na Kombi. Dois em cada banco e eu em cima do motor. O lugar estava infestado de pernilongos. Quando começou a clarear, acordamos doloridos e cheios de picadas. Tomamos café com leite e comemos um pão com manteiga num posto de beira de estrada e tocamos até Juquiá, onde deixamos a BR-2. Seguimos por uma estrada que ia na direção de Sorocaba. Cem quilômetros em trecho de serra. Curvas intermináveis. Não dava para ir a mais de 30 por hora. A Rodovia Castelo Branco ainda não existia. Depois de Sorocaba, passamos por Tietê, Laranjal Paulista e Conchas. Por volta de duas da tarde estava em casa e pude matar a fome de quase dois dias. Como estava boa a comida requentada da minha mãe!

No dia 12 de janeiro meus documentos estavam nas mãos da secretária da escola. A segunda viagem foi de ônibus. Havia ônibus de São Paulo para Curitiba a partir de 22 horas. Na primeira viagem peguei esse. Descobri que não era nada bom chegar muito cedo em Curitiba. Ao longo das incontáveis viagens que acabei fazendo, aperfeiçoei o processo. Saia de Botucatu às duas da tarde e às sete da noite estava na rodoviária velha de São Paulo. Dava tempo de jantar, andar até a Avenida São João, assistir um filme num dos cinemas que havia por lá e retornar a tempo de pegar o ônibus da meia-noite. Às sete da manhã estava em Curitiba.

Prestei os exames. Cinco ônibus pintados de azul e branco pertencentes à Universidade partiam da frente do Teatro Guaíra as sete da manhã e nos traziam de volta ao meio-dia. Cinco manhãs de provas: Português, Física, Química, Matemática e Desenho. Não tinha teste de múltipla escolha. Era tudo na base da escrita e da conta. Na volta das provas, ouvia os comentários dos colegas e ia ficando cada vez mais apreensivo. Invariavelmente, tinham dado respostas diferentes das minhas.

Quando acabou a última prova, ficamos sabendo que os resultados sairiam no carnaval. E o carnaval chegou! Eu estava na idade de “pular” de noite e de dia e fazia valer essa prerrogativa. Na terça-feira à tarde, no meio da folia, um dos colegas da Kombi entrou na quadra do Botucatu Tênis Clube. Trazia na mão um telegrama. Me viu, começou a acenar e veio na minha direção.

“Fanton, você foi aprovado no vestibular, está escrito aqui neste telegrama”. Curiosamente, dos seis que viajaram na Kombi, fui o único que passou.

E pensar que tudo isso aconteceu só porque decidi sair de casa para ver quem tinha ido à primeira seção do cinema!

UMA HISTÓRIA PARA PESCADOR NENHUM BOTAR DEFEITO!

RelógioEm agosto de 1975 viajei para Japão e Austrália. Os dois países possuíam programas de substituição do cobre pelo alumínio em cabos telefônicos. O governo brasileiro tinha estabelecido uma Política de substituição de insumos. O Brasil possuía imensas reservas de bauxita, nenhuma reserva significativa de cobre.

Na época, os cartões de crédito emitidos no Brasil vinham com uma tarja que dizia “valid only in Brasil”. Para pagar despesas com hotéis, refeições e outras coisas, a gente se valia de dólares americanos e de “travelers checks”.

Novidades tecnológicas no Brasil eram raras e caras. Pelas ruas de Tóquio, havia uma tentação atrás de outra. Uma profusão de produtos despertava o meu interesse. Preços inacreditáveis. Tudo exposto em vitrines de lojas e em bancas nas calçadas. Mas, era preciso ser cauteloso. A viagem tinha apenas começado. O dinheiro na carteira e os travelers precisavam durar até o fim. Tinha pela frente a missão na Austrália e o retorno para casa, que incluía duas paradas obrigatórias.

Acabei comprando uma máquina fotográfica Olympus XA2 com flash lateral acoplável que conservo até hoje e um relógio Seiko quase igual ao da foto que baixei da Internet. A única diferença é que o mostrador do meu era azul. Mas, a sensação estava no fato do relógio dar corda com o movimento do braço.

No final do ano, viajei de férias. Saí de Brasília com a família com destino ao litoral de Santa Catarina, com escalas intermediárias. Natal em Botucatu, ano novo em Curitiba. Cheguei em Botucatu com o meu relógio novo no braço faltando poucos dias para o Natal de 1975.

Combinamos uma pescaria em família. Era tradição. Participaram, além de mim, meu pai, meu cunhado Zé Amat e dois primos. A pescaria valia pela companhia e pela farra. A gente foi pescar lambari com vara de bambu e anzol miúdo. A isca era massa de pão. Embora Tietê e Paranapanema passem perto de Botucatu, fomos pescar no Rio das Pedras, no município de Itatinga. Rio bem pequeno, águas limpíssimas, leito encascalhado, era possível ver os peixes!

Logo na chegada, na pressa de jogar o anzol e fisgar um lambari de rabo vermelho antes dos outros, escorreguei e só não caí porque me agarrei a um galho de árvore. Mas, um ramo da bendita árvore enroscou na pulseira do relógio, que se partiu. Lá se foi o meu relógio novo para o fundo do rio.

Sem perda de tempo, tirei sapato, meia, calça e camisa e entrei no rio. Quanto mais me mexia, mais a água sujava. Procurei por um bom tempo e nada de encontrar! Para não acabar com a alegria da pescaria, desisti da busca e dei o relógio por perdido. Só que a história não terminou aí…

Em 1982, me mudei para Campinas e as idas a Botucatu ficaram mais frequentes. Meu cunhado, comerciante, industrial e vereador da cidade, fazia parte de um seleto grupo de amigos, que se reunia religiosamente nas manhãs de sábado para “aperitivar”. O encontro era no bar do Chaillot Hotel e se repetiu por décadas. O aperitivo semanal era famoso pelas histórias e fofocas que por lá circulavam. As esposas odiavam os encontros, não só pelos atrasos para o almoço e pela fala mole dos maridos quando voltavam para casa, mas, porque sabiam que muitas vezes eram o objeto das conversas.

Os anos foram passando e num sábado de 1995 o doutor Lilo, médico pediatra da cidade (não sei o nome dele e pouca gente por lá sabe), chegou muito animado e foi logo contando:

“Pessoal, vocês não vão acreditar, ontem à tarde fui pescar no rio das Pedras. O anzol enroscou e, para não perder linha e chumbada, fui puxando bem devagar.
O enrosco veio vindo, veio vindo, e descobri que era um relógio! A pulseira estava enferrujada, mas, o relógio não. Tirei ele da água, dei uma limpada e umas batidas e não é que ele estava funcionando?”

“Mentiroso, mentiroso”, gritou a turma em coro. Mas, meu cunhado interviu, confirmando a história.

“É verdade, esse relógio era do meu cunhado Joaquim Carlos, estava junto quando ele perdeu”!

É inacreditável como são bons esses relógios japoneses. O meu ficou embaixo d’água por vinte anos e não estragou. Estava funcionando. Sensacional! Penso até que pode ter ficado balançando sob o efeito da corrente de água e ganhando sempre um pouco de corda.

Vocês podem pensar que se trata de mais uma história de pescador, mas, juro que é verdade!

Diariamente, somos bombardeados por imensas e desconhecidas energias. A maior parte vem do sol, outras procedem do mais longínquo cosmos.

Essa energia é distribuída de forma regular, para todos. No caso desta história, um galho submerso pode ter mantido em movimento um mecanismo feito pelo homem.

Quantas coisas mais pode ter feito aquele pequeno pedaço de galho? Só Deus sabe...

EQUIPE DE ACEITAÇÃO SÃO JOSÉ DO DIVINO

Equipe CJD 1

Durante os dias 13, 14 e 15 de junho de 2016, trabalhamos na inspeção e aceitação da rede óptica de São José do Divino. Na foto, está a equipe que colaborou para o sucesso do trabalho

Nessa mesma sala ocorreu também um workshop sobre redes de fibras ópticas. Por um grande lapso de nossa parte, deixamos de registrar a turma em foto.

 

JOAQUIM CARLOS FANTON

20160708_171010Comecei a trabalhar para a Telepar, como estagiário de engenharia, no dia 02 de junho de 1967, faltando um ano e meio para me formar em engenharia. A empresa devia ter uns 50 empregados, entre estes uns 10 engenheiros. Muita coisa a ser feita e pouca gente para fazer. Comecei a gostar de telecomunicações e nunca mais parei!

Inicialmente, me deram projetos para analisar, depois me pediram para elaborar projetos e, em seguida, passei a executá-los. No início de 1968, já viajava pelo interior do estado do Paraná, instalando malhas de aterramento em torres de rádio.

A vida de estagiário não era nada fácil. Os mandantes exigiam perfeição. Caso algo desse errado, a degola era certa. Fazendo tudo certo, tinha cumprido a obrigação!

No decorrer de 1968 a Telepar adquiriu a Companhia Telefônica Nacional, empresa de capital americano que operava telefonia em Curitiba e em outras cinquenta cidades do interior do Paraná.

Após essa aquisição, o organograma da Telepar, que contava com departamentos de comutação, transmissão e infraestrutura, ganhou um novo departamento: Redes.

Abriram uma vaga para estagiário de redes e eu me candidatei. Foi a melhor decisão que tomei na vida. Um novo horizonte se abriu e nunca mais se fechou!

Recebi o Diploma de Engenheiro Eletricista no dia 16 de dezembro de 1968. No dia seguinte minha carteira estava assinada. Fui o empregado de número 104 da Telepar. no cargo constava “Engenheiro”.

Comecei elaborando projetos de redes e seis meses depois fui designado Chefe do Setor de Projeto e Construção de Redes Interior. A palavra “interior” era bem ampla. Com exceção de Curitiba, eu assumi a responsabilidade de projetar e construir redes em todo o estado. Em pouco mais de três anos, sob minha coordenação, foram projetadas e construídas mais de oitenta redes telefônicas. Do litoral até as fronteiras do Paraguai e da Argentina. De São Paulo a Santa Catarina. Com a experiência que fui adquirindo, passei a representar a Telepar em eventos e seminários fora do Estado do Paraná.

Em janeiro de 1970 me mandaram para Estocolmo, onde frequentei um curso de especialização em redes telefônicas promovido pela LM Ericsson. Quando regressei, a empresa havia decidido criar várias comissões técnicas. Fui indicado para presidir três delas: Comissão Permanente de Padronização de Materiais, Comissão de Elaboração do Plano de Transmissão do Estado do Paraná e Comissão do Plano Diretor de Telecomunicações da Cidade de Curitiba para a década de 70.

Com exceção da Comissão de padronização de Materiais, que se tornou permanente, as comissões envolvendo o Plano de Transmissão e Plano Diretor de Curitiba chegaram a um final e obtiveram grande êxito.

Em setembro de 1970, participei de um Seminário de Redes em São Paulo, onde apresentei de improviso o Plano de Transmissão da Telepar. Entre os participantes estava o Secretário de Telecomunicações do Minicom, Hélio Kestelman. O Plano de Transmissão da Telepar ganhou asas e eu fiquei conhecido além das fronteiras do Paraná.

Em Novembro de 1971, aconteceu o I Simpósio Nacional de Telecomunicações no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Durante o evento, fui convidado para ocupar o cargo de Superintendente de Estudos de Rede da CTB em São Paulo. Tinha apenas 26 anos de idade e 4 anos de formado quando assumi a Superintendência de Estudos da Rede da CTB, em São Paulo. A mais alta posição que um engenheiro de projetos de redes poderia ocupar.

A estas alturas, estava casado e já tinha um filho. Meus pais moravam no interior de São Paulo, o que me ajudou na hora de decidir se deixava a Telepar para trás.

Foi a segunda mais acertada decisão profissional que fiz na vida, na CTB, que virou Telesp em 11 de abril de 1973, vivi experiências sem precedentes. As expansões eram medidas em quantidade de rotas de cabos e, em média, era aberta uma rota de projeto para cada mil assinantes. São Paulo passava por uma expansão de 180 mil linhas e estava sendo iniciada uma nova fase de expansão, envolvendo 400 mil novos assinantes. O programa englobava a implantação de 580 novas rotas de cabos de assinantes e 200 novos cabos troncos. Não havia cidade nenhuma no mundo cujo sistema telefônico estivesse crescendo naquela velocidade.

Com novos tipos de cabos sendo introduzidos e com a tecnologia mudando, a CTB precisava modificar com urgência suas práticas de serviço. Na volta, tive a oportunidade de propor muitas inovações. Quando a decisão da viagem foi tomada, meu segundo filho tinha acabado de nascer.

Passei três meses nos EUA. Estive em Los Angeles, Nova Iorque, Washington DC e Chicago. Trouxe comigo muitas novidades e inovações. Durante aquela viagem descobri que os norte-americanos eram mais ricos e desenvolvidos do que nós, não por serem mais capazes, nem mais inteligentes. Mas, porque costumavam planejar muito bem antes de projetar e construir qualquer coisa, prática usual no Brasil daquela época, que infelizmente continua a ser adotada nos dias de hoje!

Assim que voltei, introduzi conceitos de engenharia econômica em projetos. Nossas redes começaram a ser dimensionadas pelo horizonte de ocupação e não mais com base em carga inicial de assinantes. Foi um divisor de águas.

Em em agosto de 1974 deixei a Telesp para assumir a chefia da Divisão de redes Externas da Telebrás. Trabalhei em Brasília durante cinco anos. Lá, tive a chance de de trocar experiências com empresas e profissionais dos EUA, França, Inglaterra, Japão, Canadá, Austrália e de outros países. Também conheci e trabalhei com profissionais de alto nível de todo o Brasil. Em Brasília a família tornou a aumentar. Nasceram um filho e uma filha. Retornei a Curitiba em 1989, onde permaneci até novembro de 1981, ocasião em que fui transferido para Campinas, onde permaneço até os dias atuais.

Gerenciei programas de desenvolvimento no CPqD durante sete anos. Em outubro de 1988 me transferi para a iniciativa privada. Trabalhei para Cook Electric, Enetele, Pan Engenharia, Stratcom, Nextel e Vésper. Sempre em cargos de direção ou de alta gerência. Também tive minha própria empresa.

Em 2003, já aposentado, passei a atuar como consultor. Inicialmente, prestei serviços para CPqD. Em 2005 comecei a trabalhar para a RNP.

Minhas atividades na RNP abrangem redação de normas, manuais, práticas e especificações, desenvolvimento e estudos para introdução de novas tecnologias, atividades de acompanhamento de obras e serviços, fiscalizações, aceitações, auditorias em redes ópticas e treinamento.

Comecei a ministrar cursos de treinamento em 2012. O nível das palestras e apresentações é bem amplo. Procuro passar desde noções básicas de transmissão para artífices, até conhecimentos especializados para pessoal de nível superior.

Minha esposa e companheira, Maria do Rocio Esmanhoto Fanton, me acompanha desde os tempos de namoro, que começou em 1964.

Quando comecei a trabalhar para a RNP, tinha quatro filhos adultos. Nesta última década ganhei seis netos. Posso afirmar, sem medo de errar, que estes tem sido os melhores anos de minha vida.

Campinas, setembro de 2018.
Joaquim Carlos Fanton