RedeComep 10 anos

Placa 10 anos

Carta enviada aos colegas da RNP no dia 25 de agosto de 2015, sobre a cerimônia de comemoração dos 10 anos do projeto RedeComep:

RedeComep 10 anos

Campinas, 25/08/2015

Na última segunda-feira fui homenageado pela RNP por ter participado da iniciativa RedeComep durante seus dez anos de existência.

Quando recebi o email do Takashi me convidando para participar das festividades dos 10 anos no dia 24, desconfiei que iria receber algum tipo de homenagem. Mas, nem me passou pela cabeça (santa inocência) que teria que me dirigir à plateia na ocasião, caso viesse mesmo a ser homenageado.

Falei de improviso e estou incomodado até hoje por ter deixado de mencionar alguns fatos importantes que o grupo de engenharia precisa saber.

Como ficou dito e redito, nos últimos dez anos tive o privilégio de participar deste importante projeto. Hoje ainda existem diversos problemas de ordem operacional a serem resolvidos, mas, quando tudo começou, havia dúvidas até mesmo sobre o acerto da própria iniciativa.

Ao longo dos anos, as dúvidas desapareceram e hoje acho que ninguém duvida que a RedeComep chegou para fazer história.

Devido ao seu sucesso indiscutível, tornou-se paradigma para iniciativas mais abrangentes, como o Projeto Cidades Digitais do MC e outras redes que estão surgindo por este Brasil afora, por iniciativa de Estados e Municípios.

Mas, retornando à sessão solene, caso tivesse organizado melhor meus pensamentos, teria dito que o sucesso da iniciativa se deve a quatro fatores básicos:

  1. Firme determinação da diretoria da RNP em levar o projeto adiante;
  2. Modelo de gestão baseado na capacidade empreendedora das comunidades locais;
  3. Conjunto de Normas técnicas simples e racionais;
  4. Diligente trabalho realizado pela equipe da engenharia ao longo destes dez anos,

Teria sido oportuno mencionar aos presentes a dedicação de Cybelle e Celso nos primeiros e decisivos meses, e que os dois contribuíram, e muito, para o aprimoramento e complementação dos documentos e tabelas que Sílvio Lopes e eu minutamos quando as redes nem existiam.

Deveria ter citado nominalmente cada um dos elementos que hoje fazem parte do seleto grupo da engenharia e que vieram agregando valor ao longo dos anos. Em ordem alfabética: Dalila, Douglas, Helmann, Marco, Oswaldo e Rodrygo. Parabéns a eles, que me acompanham nas incursões pelo Brasil, e que aguentam estoicamente as mesmas piadas e as histórias de sempre. 

Para completar, deveria ter mencionado Aquino e Juan, consultores como eu, que vieram depois, mas, que também labutaram bastante e, melhor do que tudo, são hoje meus grandes amigos.

Finalmente, deveria ter-me dirigido, sem mencionar nomes, aos membros de comitês gestores e técnicos, coordenadores e colaboradores de Pops, que estão se revezando para “carregar o andor”, muitas vezes sem estrutura e sem recursos suficientes para esta missão.  

Considerem, portanto, que a placa que recebi também é de vocês!

Parabéns a todos nós!

J C Fanton

 

 

PORQUE ESTUDEI EM CURITIBA

Kombi luxo 1964Não achei na Internet uma Kombi luxo saia e blusa ano 1963 da mesma cor da que me levou para Curitiba no dia 2 de janeiro de 1964, que era branca e cinza.

Meu futuro foi selado na véspera. Minha namorada da época estava passando as festas de final de ano com os pais na Colônia de Ferias do SESC em Bertioga. Como não tinha nenhum programa melhor para fazer na noite do dia 31, decidi sair de casa para arejar um pouco a cabeça.

Eu morava com meus pais num sobrado no centro de Botucatu e fui andando até o cine Casino (só um s mesmo) para ver se encontrava algum amigo na saída da primeira seção.

Eram exatamente nove horas da noite quando atravessei a rua Amando de Barros, na esquina do Bosque. Se eu tivesse atravessado a rua um minuto antes, ou um minuto depois, não teria sido visto pelo motorista de uma Kombi que vinha passando e não teria estudado em Curitiba!

O motorista era Antônio Carlos Menegon (Caicai) e o passageiro era seu irmão José Roberto Menegon (Beto). Quando Caicai me viu, brecou e me chamou.

Havíamos acabado de concluir científico. No ano anterior eu havia sido eleito presidente do Grêmio Estudantil 16 de Maio do Instituto de Educação Cardoso de Almeida. Aulas das 7:20 às 12:30 de segunda a sábado e à tarde, ajudava meu pai em seu modesto armazém de secos e molhados.

Em 1963, tinha andado tão ocupado que mal achava tempo para comer. Com 18 anos e 1,80 m, pesava apenas 67 quilos. Era um varapau e, por conta das atividades do Grêmio faltei muits aulas. Congressos, encontros, palestras, reforma dos instrumentos da fanfarra do IECA e outras atividades haviam consumido meu tempo e eu não me sentia preparado para o vestibular. Para complicar, tinha me alistado para fazer o Tiro de Guerra, que começaria em março de 1964.

Trocamos desejos de Feliz Ano Novo, conversamos sobre o filme que estava passando no Cine Casino, sobre quem estava paquerando quem e coisas assim. A conversa rumou para o vestibular e comentei ter tirado da cabeça a ideia de prestar vestibular naquele ano: além de não estar bem preparado, teria que servir a Pátria. Vestibular para mim, só em 1965.

Caicai comentou que se eu fizesse o vestibular (e passasse), o problema do Tiro de Guerra estaria resolvido. Me contou que uma lei recente, de autoria do Senador Auro Moura Andrade, estabelecia que estudantes cursando nível superior seriam incluídos no excesso de contingente das forças armadas.

Em seguida, também me contou que estavam indo até um posto de gasolina para completar o tanque, conferir o nível do óleo e calibrar os pneus, pois partiriam para Curitiba naquela madrugada. Caicai ia se inscrever para prestar vestibulares em medicina e beto no vestibular de engenharia.

Fiquei curioso e perguntei se a escola de engenharia era do governo e ele disse que sim. Além deles, estavam indo na Kombi três amigos que estudavam em outras escolas. Fiquei sabendo que o motorista seria um policial amigo do pai deles, que estaria de folga no início da semana.

Senti uma vontade de ir com eles, nem tanto pelo vestibular, queria mesmo era passear. Perguntei se não caberia mais um na Kombi. “Cabe sim, desde que você ajude no racha da gasolina”.

Pedi que dessem umas voltas e corri de volta até minha casa. Fui num pé e voltei no outro. Sim, meu pai havia concordado que eu fosse com eles para Curitiba. Às quatro horas da madrugada estávamos na estrada, 450 Km pela frente, 300 Km de asfalto e 150 Km de terra. Entramos em Curitiba às três da tarde, cansados e animados.

O motorista estacionou a Kombi na Rua Amintas de Barros, bem na frente da faculdade de Filosofia. Tarde ensolarada e quente (fato que depois descobri ser raro na cidade), garotas loiras que achei lindas, por todo lado . Naquele momento, comecei a querer estudar em Curitiba.

Pernoitamos na pensão Amália na Rua José Loureiro, onde hoje existe um templo da Igreja Internacional do Reino de Deus. Ocupamos dois quartos: um grande com cinco camas, outro menor com duas camas.

Na manhã seguinte, beto e eu descobrimos como chegar na escola de engenharia: era só pegar o ônibus da linha Jardim das Américas, bairro onde se localizava o recém-inaugurado Centro Politécnico da UFPR. O ponto inicial ficava a 3 quadras da Praça Carlos Gomes, a três quadras da pensão.

Ao desembarcar, ficamos deslumbrados. O conjunto de prédios era impressionante e tinia de novo. No caminho até a secretaria, entramos numa sala de aula que estava com a porta aberta. Carteiras marca Cimo novinhas, lousas verdes sem nem um furinho, iluminação perfeita e janelas amplas com brises horizontais externos que impediam que o sol batesse direto nas carteiras. Decidi que ia estudar em Curitiba!

Fomos até a secretaria. Tinha uma pequena fila, mas, logo chegou a nossa vez. Fui atendido por uma senhora que depois fiquei sabendo ser a Secretária do Diretor da escola, Jorge Ralf Leitner. Ela me pediu o RG, Certificado de Conclusão do Colegial e Histórico Escolar.

Levei um susto, pois tinha levado só o RG, e Beto também. Ao saber de nossa dificuldade, a secretária tentou nos acalmar: “As inscrições vão até sexta-feira, dá tempo para vocês providenciarem tudo”.

Não havia chance disso poder acontecer: um dia para voltar a Botucatu, dois dias para conseguir os documentos, outro dia para regressar a Curitiba, adeus vestibular!

Começamos a nos lamentar em voz alta que estávamos perdendo a chance de estudar naquela maravilhosa escola e de morar numa cidade onde tinha tanta moça bonita! Foi o que bastou para amolecer o coração da mulher que, usando de sua autoridade, sentenciou: “Gostei de vocês e quero que os dois venham estudar aqui. Vou aceitar as inscrições em caráter condicional”. Como o vestibular começaria no dia 16 de janeiro, prometemos entregar os documentos faltantes até o dia 12.

Naquela tarde, iniciamos a viagem de volta. Decidimos retornar pela BR-2 (atual BR 116). Trajeto um pouco maior, porém, totalmente pavimentado. Quando a noite caiu, não estávamos nem no meio do percurso. Baixou uma névoa espessa e a gente não enxergava mais nada. Não tivemos alternativa senão parar e dormir. Como a grana tinha acabado, dormimos na Kombi. Dois em cada banco e eu em cima do motor. O lugar estava infestado de pernilongos. Quando clareou o dia, acordamos doloridos e cheios de picadas. Tomamos café com leite e comemos um pão com manteiga num posto de beira de estrada e tocamos até Juquiá, onde deixamos a BR-2 e seguimos rumo a Sorocaba. Cem quilômetros de serra, curvas intermináveis, 30 Km por hora. A  Depois de Sorocaba, passamos por Tietê, Laranjal Paulista e Conchas, pois a rodovia castelo Branco ainda não existia. Ás duas da tarde, estava de volta em casa e matei a fome de quase dois dias. Como estava boa a comida requentada da minha mãe!

No dia 12 de janeiro meus documentos estavam nas mãos da secretária da escola.

Na segunda viagem fui de ônibus. Havia ônibus de São Paulo para Curitiba a partir de 22 horas. Na primeira viagem peguei ônibus nesse horário e descobri que não era bom chegar muito cedo em Curitiba. Ao longo das incontáveis viagens fiz nos anos que estudei em Curitiba, aperfeiçoei o processo. Saia de Botucatu às duas da tarde, chegava na rodoviária velha de São Paulo às 19 horas, jantava, ia à pé até a Avenida São João, assistia um filme num dos muitos cinemas que existiam por lá e retornava a tempo de pegar o ônibus da meia-noite. Às sete da manhã estava em Curitiba.

Prestei os exames: 5 ônibus da UFPR partiam às 7 da manhã da frente do Teatro Guaíra com destino ao Centro Politécnico e regressavam de lá ao meio-dia.

Foram 5 manhãs de provas, português, física, Química, Matemática e Desenho. Não havia teste de múltipla escolha. Era tudo na base da escrita e da conta. No ônibus, regressando para o centro da cidade, ouvia os comentários dos colegas sobre as questões ia ficando cada vez mais apreensivo, pois, invariavelmente, tinham dado respostas diferentes das minhas.

Na sexta-feira, ficamos sabendo que os resultados seriam publicados num jornal, durante o carnaval. Na terça-feira à tarde, no meio da folia, um dos colegas da Kombi entrou na quadra do Botucatu Tênis Clube, trazendo na mão um telegrama. Pulando e dançando, veio na minha direção. No telegrama, enviado por um amigo que estudava em Curitiba, estava escrito: Só o Fanton passou no vestibular!.

Até hoje, tenho uma dúvida: foi uma séria de felizes coincidências,? ou contei com a ajuda do meu Anjo da Guarda? 

UMA HISTÓRIA PARA PESCADOR NENHUM BOTAR DEFEITO!

RelógioEm agosto de 1975 viajei para Japão e Austrália. Os dois países possuíam programas de substituição do cobre pelo alumínio em cabos telefônicos. O governo brasileiro tinha estabelecido uma Política de substituição de insumos. O Brasil possuía imensas reservas de bauxita, nenhuma reserva significativa de cobre.

Na época, os cartões de crédito emitidos no Brasil vinham com uma tarja que dizia “valid only in Brasil”. Para pagar despesas com hotéis, refeições e outras coisas, a gente se valia de dólares americanos e de “travelers checks”.

Novidades tecnológicas no Brasil eram raras e caras. Pelas ruas de Tóquio, havia uma tentação atrás de outra. Uma profusão de produtos despertava o meu interesse. Preços inacreditáveis. Tudo exposto em vitrines de lojas e em bancas nas calçadas. Mas, era preciso ser cauteloso. A viagem tinha apenas começado. O dinheiro na carteira e os travelers precisavam durar até o fim. Tinha pela frente a missão na Austrália e o retorno para casa, que incluía duas paradas obrigatórias.

Acabei comprando uma máquina fotográfica Olympus XA2 com flash lateral acoplável que conservo até hoje e um relógio Seiko quase igual ao da foto que baixei da Internet. A única diferença é que o mostrador do meu era azul. Mas, a sensação estava no fato do relógio dar corda com o movimento do braço.

No final do ano, viajei de férias. Saí de Brasília com a família com destino ao litoral de Santa Catarina, com escalas intermediárias. Natal em Botucatu, ano novo em Curitiba. Cheguei em Botucatu com o meu relógio novo no braço faltando poucos dias para o Natal de 1975.

Combinamos uma pescaria em família. Era tradição. Participaram, além de mim, meu pai, meu cunhado Zé Amat e dois primos. A pescaria valia pela companhia e pela farra. A gente foi pescar lambari com vara de bambu e anzol miúdo. A isca era massa de pão. Embora Tietê e Paranapanema passem perto de Botucatu, fomos pescar no Rio das Pedras, no município de Itatinga. Rio bem pequeno, águas limpíssimas, leito encascalhado, era possível ver os peixes!

Logo na chegada, na pressa de jogar o anzol e fisgar um lambari de rabo vermelho antes dos outros, escorreguei e só não caí porque me agarrei a um galho de árvore. Mas, um ramo da bendita árvore enroscou na pulseira do relógio, que se partiu. Lá se foi o meu relógio novo para o fundo do rio.

Sem perda de tempo, tirei sapato, meia, calça e camisa e entrei no rio. Quanto mais me mexia, mais a água sujava. Procurei por um bom tempo e nada de encontrar! Para não acabar com a alegria da pescaria, desisti da busca e dei o relógio por perdido. Só que a história não terminou aí…

Em 1982, me mudei para Campinas e as idas a Botucatu ficaram mais frequentes. Meu cunhado, comerciante, industrial e vereador da cidade, fazia parte de um seleto grupo de amigos, que se reunia religiosamente nas manhãs de sábado para “aperitivar”. O encontro era no bar do Chaillot Hotel e se repetiu por décadas. O aperitivo semanal era famoso pelas histórias e fofocas que por lá circulavam. As esposas odiavam os encontros, não só pelos atrasos para o almoço e pela fala mole dos maridos quando voltavam para casa, mas, porque sabiam que muitas vezes eram o objeto das conversas.

Os anos foram passando e num sábado de 1995 o doutor Lilo, médico pediatra da cidade (não sei o nome dele e pouca gente por lá sabe), chegou muito animado e foi logo contando:

“Pessoal, vocês não vão acreditar, ontem à tarde fui pescar no rio das Pedras. O anzol enroscou e, para não perder linha e chumbada, fui puxando bem devagar.
O enrosco veio vindo, veio vindo, e descobri que era um relógio! A pulseira estava enferrujada, mas, o relógio não. Tirei ele da água, dei uma limpada e umas batidas e não é que ele estava funcionando?”

“Mentiroso, mentiroso”, gritou a turma em coro. Mas, meu cunhado interviu, confirmando a história.

“É verdade, esse relógio era do meu cunhado Joaquim Carlos, estava junto quando ele perdeu”!

É inacreditável como são bons esses relógios japoneses. O meu ficou embaixo d’água por vinte anos e não estragou. Estava funcionando. Sensacional! Penso até que pode ter ficado balançando sob o efeito da corrente de água e ganhando sempre um pouco de corda.

Vocês podem pensar que se trata de mais uma história de pescador, mas, juro que é verdade!

Diariamente, somos bombardeados por imensas e desconhecidas energias. A maior parte vem do sol, outras procedem do mais longínquo cosmos.

Essa energia é distribuída de forma regular, para todos. No caso desta história, um galho submerso pode ter mantido em movimento um mecanismo feito pelo homem.

Quantas coisas mais pode ter feito aquele pequeno pedaço de galho? Só Deus sabe...

EQUIPE DE ACEITAÇÃO SÃO JOSÉ DO DIVINO

Equipe CJD 1

Durante os dias 13, 14 e 15 de junho de 2016, trabalhamos na inspeção e aceitação da rede óptica de São José do Divino. Na foto, está a equipe que colaborou para o sucesso do trabalho

Nessa mesma sala ocorreu também um workshop sobre redes de fibras ópticas. Por um grande lapso de nossa parte, deixamos de registrar a turma em foto.

 

JOAQUIM CARLOS FANTON

20160708_171010Comecei a trabalhar para a Telepar, como estagiário, no dia 02 de junho de 1967, faltando um ano e meio para me formar em engenharia. A empresa devia ter uns 50 empregados, entre estes uns 10 engenheiros. Muita coisa a ser feita e pouca gente para fazer. Comecei a gostar de telecomunicações e nunca mais parei!

Inicialmente, me deram projetos para analisar, depois me pediram para elaborar projetos e, em seguida, passei a executá-los. No início de 1968, já viajava pelo interior do estado do Paraná, instalando malhas de aterramento em torres de rádio.

A vida de estagiário não era nada fácil. Os mandantes exigiam perfeição. Caso algo desse errado, a degola era certa. Fazendo tudo certo, tinha cumprido a obrigação!

No decorrer de 1968 a Telepar adquiriu a Companhia Telefônica Nacional, empresa de capital americano que operava telefonia em Curitiba e em outras cinquenta cidades do interior do Paraná.

Após essa aquisição, o organograma da Telepar, que contava com departamentos de comutação, transmissão e infraestrutura, ganhou um novo departamento: Redes.

Abriram uma vaga para estagiário de redes e eu me candidatei. Foi a melhor decisão que tomei na vida. Um novo horizonte se abriu e nunca mais se fechou!

Recebi o Diploma de Engenheiro Eletricista no dia 16 de dezembro de 1968. No dia seguinte minha carteira estava assinada. Fui o empregado de número 104 da Telepar. no cargo constava “Engenheiro”.

Comecei elaborando projetos de redes e seis meses depois fui designado Chefe do Setor de Projeto e Construção de Redes Interior. A palavra “interior” era bem ampla. Com exceção de Curitiba, assumi a responsabilidade de coordenar projeto e construção de redes telefônicas no estado todo, exceto na capital. Em pouco mais de três anos, sob minha coordenação, a Telepar implantou mais de oitenta redes telefônicas. Do litoral até as fronteiras do Paraguai e da Argentina e de São Paulo até Santa Catarina.

Com a experiência adquirida, passei a representar a Telepar em eventos e seminários fora do Estado do Paraná.

Em janeiro de 1970, me mandaram para Estocolmo, onde fiz um curso de especialização em redes telefônicas na LM Ericsson. Quando regressei, fui indicado para presidir três comissões técnicas: Comissão Permanente de Padronização de Materiais, Comissão de Elaboração Plano de Transmissão do Estado do Paraná e Comissão Elaboração do Plano Diretor de Telecomunicações de Curitiba para a década de 70.

Com exceção da Comissão de padronização de Materiais, que se tornou permanente, os trabalhos do Plano de Transmissão e o Plano Diretor de Curitiba chegaram ao final e obtiveram grande êxito.

Em setembro de 1970, participei de um Evento de Redes em São Paulo, onde apresentei o Plano de Transmissão da Telepar. Na mesa diretora do evento, estava Hélio Kestelman, Secretário de Telecomunicações do Minicom. Ele gostou do que viu e decidiu adotar nacionalmente o Plano de Transmissão da Telepar. Com isto, fiquei conhecido no Brasil todo.

Em Novembro de 1971, participei do I Simpósio Nacional de Telecomunicações no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. Durante o evento, fui convidado para ocupar o cargo de Superintendente de Estudos de Rede da CTB em São Paulo, que havia vagado. Tinha 26 anos de idade e 4 anos de formado quando assumi minha nova função: a mais alta posição que um engenheiro de projetos de redes poderia ocupar naquela época.

A oportunidade de crescimento profissional, o aumento salarial e o fato de meus pais morarem no interior do Estado de São Paulo foram decisivos na hora que decidi deixar a Telepar para trás.

Esta foi a segunda mais acertada decisão que fiz na vida. Na CTB (que passou a se chamar Telesp no dia 11 de abril de 1973), vivi uma experiência profissional sem precedentes.

Em média, cada mil assinantes novos exigiam a implantação de uma rota de cabo telefônico. No início de 1972, a rede da cidade estava passando por uma expansão de 180 mil linhas, número que saltou para 400 mil em meados daquele ano.

Assim, passei a coordenar a elaboração de projetos de 580 rotas de cabos de assinantes e 200 rotas de cabos troncos. Na época, era o maior projeto de expansão de redes do mundo!

Ao mesmo tempo, a tecnologia de redes estava evoluindo rapidamente:  novos cabos e novas técnicas de construção estavam sendo usadas nos países mais desenvolvidos. Por este motivo, a diretoria da empresa decidiu enviar alguém para os EUA. E fui o escolhido!

Quando a decisão da viagem foi tomada, meu segundo filho tinha acabado de nascer. Esposa e filhos foram para Botucatu SP e eu fui para os EUA.

Meu primeiro ponto de parada foi a General Telephone of California, Santa Monica CA, eempresa que tinha 4 milhões de assinantes na região metropolitana de Los Angeles, ou seja era dez vezes maior do que a Telesp na época. De lá, fui para Nova Iorque, onde estagiei na New York Tel. Depois para a Centel na Virgínia, sediada numa cidade próxima de Washington DC, depois Chicago e região, onde vidsitei fabricantes de caixas de emenda e de acessórios para redes telefônicas.

Regressei a São Paulo em outubro, com dezenas de novidades na bagagem e muitas ideias na cabeça! Naquela viagem, descobri que os norte-americanos eram mais ricos e mais desenvolvidos do que nós, não por serem mais capazes, nem mais inteligentes. Mas, porque planejavam muito bem, antes de projetar e construir qualquer coisa. Atitude muito diferente do que se fazia no Brasil na época e que, infelizmente, pouco mudou até os dias de hoje!

Assim que voltei, introduzi conceitos de engenharia econômica nos projetos de redes da Telesp, ou seja, as redes começaram a ser dimensionadas pelo horizonte de vida útil dos cabos (20 anos para cabos aéreos e 30 anos para cabos subterrâneos) e não mais com base na quantidade inicial de assinantes. Foi um verdadeiro divisor de águas.

Em em agosto de 1974, troquei a Telesp pela Telebrás, onde assumi a chefia da Divisão de Engenharias de Redes Externas. No cinco anos que trabalhei em Brasília, além das atividades normais do cargo, tive a oportunidade de trocar experiências com profissionais dos EUA, França, Itália, Bélgica, Inglaterra, Japão, Canadá e Austrália e também trabalhei com profissionais de alto nível espalhados por todo o Brasil.

Naquele peródo, a família tornou a aumentar: nasceram um filho e uma filha. Em meados de 1979, após passar seis meses trabalhando num projeto em Lagos, Nigéria, a Telebrás me empresou para a Telepar, onde prestei serviços para o Departamento de Planejamento.

Em novembro de 1981, fui transferido para o CPqD de Campinas SP, com a missão de criar e gerenciar o Departamento de Estudos e Desenvolvimento de Redes.

Em outubro de 1988, decidi que havia chegado a hora de trabalhar para a iniciativa privada. Entre aquele ano e 2002, trabalhei para Cook Electric, Enetele, Pan Engenharia, Stratcom, Nextel e Vésper, ocupando sempre cargos de direção ou de alta gerência.

Em 2003, já aposentado, passei a trabalhar como consultor para CPqD e, em junho de 2005, assinei meu primeiro contrato de consultoria com a RNP, que vem sendo renovado até os dias atuais.

Minhas atividades na RNP abrangem redação de normas, manuais, práticas e especificações, desenvolvimento e estudos para introdução de novas tecnologias, atividades de acompanhamento de obras e serviços, fiscalização, aceitação, auditoria técnica em redes ópticas existentes e cursos de treinamento, onde ensino, desde noções básicas para artíficese,até conhecimentos especializados para pessoal de nível superior.

Minha esposa e companheira, Maria do Rocio Esmanhoto Fanton, me acompanha desde os tempos de namoro, que começou em 1964.

Quando comecei a trabalhar para a RNP, tinha quatro filhos adultos. Nas duas últimas décadas ganhei cinco netos e uma neta.

Posso afirmar, sem medo de errar: estes tem sido os melhores anos de minha vida!

Campinas, junho de 2026.

Joaquim Carlos Fanton