
Trenamento realizado no final da auditoria técnica da rede, realizada em 2014

Trenamento realizado no final da auditoria técnica da rede, realizada em 2014

Participantes do Workshop realizado na UFGO em 2015, por ocasião do término da Auditoria Técnica da Rede Comep de Goiânia GO

Em 19 de setembro de 2015, coordenei um Workshop sobre Redes Ópticas com duração de um dia, em Seminário promovido pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, em Vitória da Conquista, BA. Por este trabalho, recebi o Certificado acima, que muito me honrou e que guardo com muito zelo.

Em 14 de setembro de 2016, apresentei o Workshop Redes Ópticas, com duração de quatro horas, no Instituto Federal do Rio de Janeiro, Campus Engenheiro Paulo de Frontin. Pelas palestras apresentadas, fui agraciado com o Certificado acima, que muito me honrou.
No início de outubro de 2016, estive em Santana do Acaraú CE, onde fui aceitar mais uma rede do projeto Cidades Digitais. Trata-se de um município do Ceará, com cerca de 30 mil habitantes, que fica a 267 Km de distância de Fortaleza e a 28 Km de Sobral.
A expectativa da população de Santana do Acaraú com relação à rede de cabos ópticos lá implantada era grande. Maior do que em muitas das cidades anteriormente inspecionadas. E tem um bom motivo: Lá, a rede é totalmente subterrânea. Sua implantação foi precedida de obras de infraestrutura que exigiram o emprego de tratores e de máquinas perfuratrizes de grande porte. Teve barulho e fumaça por lá, por bastante tempo. E é claro que a população da cidade, que acompanhou e sofreu com as obras, tenha ficado muito curiosa a respeito da rede.
Depois de construída, ao contrário das redes ópticas hoje existentes nas capitais e grandes cidades brasileiras, a rede óptica de Santana do Acarai ficou totalmente invisível.
A rede óptica implantada pelo MCTIC em Santana do Acaraú acessa 24 locais e dispõe de 03 pontos de atendimento público.
As atividades de inspeção incluíram a visitação de todos os pontos de terminação, que abrangem secretarias municipais, hospital, postos de saúde e escolas. Uma delas é a escola João Cordeiro, incluída neste relato.
O estabelecimento corresponde ao PAG-02, ponto muito importante da rede. Chegamos cedo e nos dirigimos diretamente à sala de equipamentos. Qual não foi nossa surpresa quando descobrimos que estes tinham sido instalados numa sala de aulas e que esta estava em pleno funcionamento naquele momento. Pela janelinha de vidro da porta, avistamos o rack do equipamento, a sala cheia de crianças e decidimos deixar a inspeção para outra hora.
Mas, através do mesmo postigo, a professora também nos avistou. Abriu a porta e convidou-nos para entrar. Pedimos desculpas. Dissemos que voltaríamos mais tarde. Mas dona Sônia Carneiro não nos deixou ir embora. Acabamos entrando. Ela disse que nossa visita era muito oportuna. Que estava ensinando Educação Social Moral e Cívica e que as crianças vinham perguntando para que servia aquela caixa na parede. Era uma classe da terceira série. Cerca de 20 crianças, na faixa dos nove anos de idade. Na foto aparece só a metade delas. Não coube a classe toda.
Em poucos minutos, contei para eles que as comunicações sempre foram muito importantes para a vida em sociedade e que, milênios atrás, os homens já se comunicavam com seus vizinhos. Usaram sinais de fumaça, tambores, bandeiras, e os meios foram se aperfeiçoando, até chegar ao telefone. E este está dando lugar à caixa na parede. Que ela era muito importante e que eles precisariam ajudar a tomar conta dela.
Não sei se entenderam muita coisa, mas, pelos sorrisos, dá para ver que ficaram muito felizes de serem chamados para ajudar.
Está de parabéns a professora Sônia. Ela está ensinando crianças a conviverem em sociedade quando crescerem. Está plantando em solo fértil sementes de solidariedade e de justiça. Daqui a dez ou quinze anos, Santana do Acaraú colherá os frutos desta plantação.
Naquele momento, me vieram à mente ensinamentos que recebi de Dona Linda, minha professora do terceiro ano primário no Grupo Escolar Paulo Thomaz da Silva, lá em Itatinga, interior de São Paulo.
Escolas primárias modestas localizadas em cidades pequenas e pobres precisam ensinar não apenas o ABC, história, geografia e aritmética. Precisam investir também na formação moral dos alunos. Agindo desta forma, estão construindo um futuro melhor para todos os brasileiros.
Um bom exemplo a ser seguido!
07/10/2016
Participaram do workshop pessoas ligadas à prefeitura municipal e à empresa integradora XN.
Esta foi a primeira cidade da fase dois do projeto que aceitei.
As redes da fase dois possuem duas características que as diferem de todas as cidades da fase um: São totalmente subterrâneas e utilizam tecnologia PON.

Da esquerda para a direita: José Luiz Mota (1), Vidal Araujo (2), Dener Davi (3), Joaquim Fanton e Mauro Baldini (4)
(1) Responsável pela Rede, gerente de Informática da prefeitura e professor de TI
(2) Servidor Público e professor de informática
(3) Servidor Público Municipal e estudante de engenharia
(4) Mauro Baldini, Engenheiro responsável pela implantação da rede, representante da empresa integradora XN,
12 de setembro de 2016
O workshop foi aberto à comunidade. Participaram alunos e professores do IF RJ, responsáveis pela empresa integradora e funcionários municipais.
A implantação desta rede foi dificultada pela topologia da cidade, que é formada por três núcleos bem distintos: Sede, Sacra Família e Morro Azul. Sendo que o Campus Engenheiro Paulo de Frontin do IF RJ fica entre os dois últimos.
As autoridades locais já estão se mobilizando para estender a rede até o núcleo central, onde se encontra a sede da administração municipal.
Fotos do Workshop:
Foram 4 horas de palestra, transferido conhecimentos básicos para a comunidade local, que agora conhece melhor o potencial da rede e certamente saberá o que fazer quando ocorrerem problemas de operação e manutenção.
Grupo que participou do workshop
Com este certificado, recebido das mãos do professor Rodney Cezar de Albuquerque, posso acrescentar no meu currículo que sou professor “ad hoc” do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, Campus Engenheiro Paulo de Frontin
01 de setembro de 2016


Começo por recordar um episódio ocorrido na minha infância. Quando eu tinha oito anos, fui a uma festa junina que acontece até hoje em Itatinga, a pequena cidade do interior de São Paulo onde morei na infância. Meu pai comprou várias cartelas de bingo e me deu uma para marcar. Tive muita sorte e completei minha cartela antes dos outros concorrentes.
Em exposição, no fundo da barraca, havia dez prendas, numeradas de um a dez. Tinha sabonete, bibelô, brinquedos e outras coisas.
A prenda de número 8 era um lindo caminhão de bombeiros vermelho. Quem completava a cartela tinha o direito de enfiar a mão num saquinho e de lá puxar uma pedra numerada.
Com muita fé, enfiei a mão e puxei o número…3, que correspondia a um crucifixo. Muito decepcionado, comecei a chorar. E dona Ester, responsável pela barraca e mãe adotiva de meu melhor amigo, Chico Craco Prado, trocou o número do caminhão de 8 para 3. Com esta manobra ganhei o caminhão e, no final da festa, fui com ele para casa, feliz a vida.
Em fevereiro de 1954, teve a festa de meus nove anos. Ao abrir o pacote do Chico tive uma grande surpresa. Ele me trouxe de presente o crucifixo desprezado por mim no bingo da quermesse. Até hoje me lembro do remorso que senti naquela hora.
Até certo ponto, foi uma malvadeza o que dona Ester fez comigo, mas, foi também uma grande lição de vida. Tinha passado pouco mais de meio ano e eu já nem lembrava direito do caminhão de bombeiros, que havia quebrado a roda na manhã seguinte em que o ganhei.
Já o crucifixo que ganhei de presente no meu aniversário de nove anos tem me acompanhado por toda a vida. Sempre encontro um lugar para ele nas casas onde moro. Afinal, eu sou dele. Foi ele que me escolheu!
Passo agora à história do oratório do Mangueirão, melhor e único restaurante de São José do Divino, pequena cidade do norte do Piauí com cerca de 5.000 habitantes, importante produtora de leite. Arrisco dizer que o nome se deve ao fato do lugar ter sido usado para ordenha de vacas no passado. Pelo menos na minha cidade do interior de São Paulo, a gente chamava o local de ordenha de “mangueira”.
Trata-se de um empreendimento familiar, como quase todo o comércio e serviço da cidade. Nenhum dos membros da família soube me dizer de onde vieram os ancestrais, mas, era como se eu estivesse almoçando numa cidade do oeste catarinense. Todos da família eram muito claros, galegos como se diz no sul. O patriarca, na faixa dos 80 anos, olhos azuis muito claros, sentado numa cadeira no fundo do estabelecimento, supervisionando calado as atividades.
A esposa, também entrada nos anos, e duas filhas na faixa dos quarenta, trabalhavam na cozinha. Um filho mais ou menos na mesma faixa etária das irmãs era o garçom. Não vi nenhum agregado nas três vezes em que lá almocei, embora imagine que tenha havido pelo menos um, pois circulava pelo local um rapazote na faixa dos quinze anos, cara escarrada do avô.
O serviço era self service. A tabela dizia: Almoço R$ 10,00, com direito a salada, arroz, feijão e macarrão à vontade. As “misturas” possuíam limite. Cada cliente tinha direito a um pedaço de galinha, carne de vaca ou de porco. Cada pedaço extra representava um real de acréscimo no preço da refeição.
Tinha uma TV que estava sempre ligada na hora do almoço. Ficava dentro da cozinha, mas, virada para fora, numa espécie de janela. Estabelecimento aberto, janela aberta. Estabelecimento fechado, janela fechada. Simples assim.
Fiquei fascinado por um oratório lotado de santos, que ficava na sombra das árvores do jardim. Para proteger as imagens, tinha um vidro. Era uma espécie de vitrine, semelhante às que se vê em túmulos, só que maior. Não comentei nada no primeiro dia, mas, no segundo não me aguentei e fui atrás de uma das mulheres, certo que uma delas era quem cuidava dos santos. Mas ela me contou que o oratório era do irmão, que me explicou que, no começo, o oratório só tinha uma imagem da Sagrada Família. Aconteceu que um freguês trouxe uma imagem de casa e pediu para colocar lá. Depois veio outro, mais outro, e a coleção não parou mais de aumentar.
Olhando de perto dá para ver que tem três imagens de Santo Antonio, três de Nossa Senhora Aparecida, duas de Nossa Senhora de Fátima e assim por diante. Vários tamanhos e várias procedências. Tem uma imagem que um freguês de fora mandou pelo correio. De forma espontânea, nasceu um santuário.
O local tem programação de reza semanal e celebrações especiais em datas específicas do ano. Tudo com muita fé e respeito. Depois da igreja matriz de São José, este deve ser o lugar mais visitado da cidade.
De um modo geral, a gente tem dificuldade de se desfazer de coisas velhas. Mais ainda quando se trata de uma imagem que pertenceu à mãe, ao pai ou ao avô. Todas tem história. Ninguém joga fora coisas assim.
Agora, sei de um bom lugar para onde posso mandar meu velho crucifixo, caso um dia mude de ideia sobre ele…
Em meados de julho, o Ministério das Comunicações determinou que fosse realizada a inspeção final da rede da Cidade Digital de Coari Amazonas e a viagem foi combinada com a empresa integradora para acontecer na semana de 15 a 19 de agosto.
Descobri que viajar para cidades do interior da amazônia exige um certo grau de logística. Não se trata de algo trivial. O estado é imenso, coberto de florestas e recortado de rios. E as distâncias entre as cidades são sempre grandes. O município de Coari, por exemplo, é maior do que o estado da Paraíba.
Como todos sabem, o meio de transporte mais usado na região amazônica é o fluvial. Existem diversos tipos de barcos fazendo a rota Manaus-Coari. A duração da viagem, dependendo da embarcação escolhida, varia de oito horas até vários dias. Os barcos mais lentos podem viajar à noite e, por isto, partem em horários que permitem aos passageiros chegarem ao destino de manhã cedo. A viagem nesses barcos é mais barata, mas, para sentar, deitar e dormir, cada passageiro leva e instala sua própria rede. Esses barcos dispõem de cabines, mas, ocupar uma delas faz com que o preço da passagem iguale o das lanchas mais rápidas
Por motivo de segurança, os barcos que fazem o percurso em oito horas não viajam à noite. Partem de Manaus bem cedo e chegam a Coari na metade da tarde. Isto significa perder um dia de trabalho na ida e outro na volta.
Contrariando minha vontade inicial de fazer uso de transporte fluvial para conhecer de perto o rio Solimões, o bom senso determinou que eu optasse por avião. Antes do final de julho, pesquisando voos entre Manaus e Coari na Internet, encontrei voos bate-e-volta nas segundas e sextas-feiras, oferecidos por uma empresa sediada em Manaus chamada MAP.
Decidi ir no dia 15 e voltar no dia 19. Porém, duas semanas depois, no momento em que as passagens iam ser adquiridas, os voos nas datas escolhidas tinham desaparecido. Como havia voos nos dias 08 e 12 de agosto, a viagem foi antecipada de uma semana.
O avião que operava na rota era um ATR-42. Aeronave bastante confortável. Depois de uma hora de voo muito tranquilo, cheguei ao destino.
Na sexta-feira, voltei ao Aeroporto Municipal Danilson Aires para pegar o voo de volta a Manaus. Momentos antes da partida, um funcionário da empresa pediu a atenção dos passageiros que aguardavam na sala de embarque. Agradeceu a todos por terem escolhido a MAP e comunicou que aquele seria o último voo da empresa entre Manaus e Coari. Diante da reação de protesto de alguns clientes, acrescentou que a empresa estava vendo com empresas parceiras o que poderia ser feito para voltar a oferecer viagens aéreas entre Manaus e Coari.
Ficou claro que o número de passageiros não está sendo suficiente para manter a linha em operação. Pude observar, na ida e na volta, que metade dos assentos estavam vazios. Nos quatro dias que passei em Coari, tive a oportunidade de conversar com o pessoal do hotel e de restaurantes onde fiz as refeições. Todos reclamaram de queda no movimento e disseram que o número de pessoas que visitam a cidade diminuiu muito nos dois últimos anos.
Para os que não sabem, a economia de Coari depende fortemente da Petrobrás. Desde os anos oitenta, a empresa explora petróleo e gás na região. Os cortes nos contratos da Petrobrás estão atingindo também as empresas prestadoras de serviços que atuam em Urucu e afetando a vida de todos na cidade.
No voo de volta a Manaus havia um comissário e uma comissária dando atendimento aos passageiros. O comissário de bordo era um cine-maníaco. Durante os sessenta minutos que durou a viagem, comentou uns dez filmes com a colega. Como a cabine é pequena, os passageiros viajaram escutando as histórias. Título, resumo de cada filme, atores, atrizes, diretores, produtores e roteiristas.
Em momento algum, demonstrou qualquer sentimento por estar voando pela última vez entre Coari e Manaus, nem pareceu minimamente preocupado com o seu emprego que está certamente em risco.
As resenhas de filmes que ouvi me fizeram traçar um paralelo com a cena final do filme Casablanca, quando o velho bimotor DC-3 decolou pela última vez daquela cidade, levando Lisa Lund (Ingrid Bergman) e deixando para trás Rick Blaine (Humphrey Bogart).
Em Casablanca, e em todo o norte da África, a vida parou por cinco anos e só voltou ao normal quando a guerra terminou.
Como não estamos em guerra, espero que a crise em Coari dure muito menos!