Micro curvaturas

 

Micro curvaturas2Mesmo que o tensionamento excessivo não provoque a ruptura da fibra, seu estressamento pode causar o enrugamento da interface casca / núcleo, fenômeno conhecido como  micro curvatura, extremamente prejudicial à transmissão.

Micro curvaturas3

Tensões em excesso durante a instalação, ou tensões prolongadas ao longo da vida de uma fibra podem produzir micro curvaturas, que são fatais para a transmissão, notadamente em trechos longos

FISCALIZAÇÃO, ACEITAÇÃO e AUDITORIA

Atuo nesta atividade desde meus tempos de Vésper, na virada do milênio.

Meu principais clientes tem sido CPqD e RNP.

Acompanho obras e serviços.

Realizei cerca de 30 aceitações de redes ópticas para a RNP. Coordenei 19 auditorias em Redes Ópticas Comunitárias da RNP, pertencentes ao Projeto RedeComep.

A partir de junho de 2016 comecei a inspecionar e aceitar Redes Comunitárias implantadas pelo MCTIC, conhecidas como Cidades Digitais. Fui responsável pela inspeção e aceitação de redes em 81 cidades

CAIXA SUBTERRÂNEA CS-2

Tenho visto muita coisa errada em infraestrutura subterrânea para cabos ópticos. O caso mais comum é o uso de caixas quadradas, 40 cm x 40 cm, dotadas de tampas de concreto, adequadas para cabos elétricos, mas, inadequadas para cabos de telecomunicações.

Abaixo, estão as dimensões da caixa CS2, o tipo mais usado pela RNP:

Caixa CS2Uma caixa subterrânea típica para cabos ópticos possui as seguintes dimensões:

Comprimento 107 cm; Largura 52 cm; Profundidade 60 cm

As paredes podem ser de alvenaria de tijolos, de concreto, ou de outro material.

No fundo da caixa é importante que haja um dreno. Normalmente, um buraco circular com 100 cm de profundidade e 10 cm de diâmetro. esse buraco deve ser preenchido com brita número 2. Ao invés de laje, o fundo da caixa pode ser feito com uma camada de 10 cm de brita número 2.

As paredes devem ser equipadas com suportes para degraus.

Sobre as paredes deve ser fixado um chassis de aço, perfil “L” zincado a quente. O chassis deve receber uma tampa de aço fundido cinza com recartilhado anti-derrapante, tipo QC da Telebrás.

Nunca levar ao pé da letra a expressão “no pé do poste”:

Caixa de pé de poste Caixa construída no “pé do poste” precisa ficar a uma distância mínima de 100 cm do mesmo, para não abalar sua estabilidade e permitir que a curva rígida instalada sob o cano lateral complete seu curso e fique na horizontal. Esta caixa também deveria estar equipada com tampa de ferro fundido.

 

ALTURAS DE CABOS AÉREOS

AlturasUm detalhe importante a ser conferido durante as aceitações é a altura de fixação dos cabos aéreos e também seu tensionamento.

Alturas mínimas recomendadas no meio do vão:

Em calçadas: 4,50 metros

Em travessias de ruas: 5,00 metros

Em travessias de estradas: 6,00 metros

No tocante a tensionamento, as normas recomendam um tensionamento tal que produza uma flecha de 1%.

Relação entre vãos e flechas:

30 metros:   Flecha 30 cm

40 metros:   Flecha 40 cm

50 metros:  Flecha 50 cm

60 metros:  Flecha 60 cm

AJUSTADOR

Ajustador

Ajustador 1Muitas vezes, um pequeno detalhe é essencial para garantir vida longa à rede. O ajustador é um exemplo clássico. Não há nenhum argumento que justifique o fato dessa peça não estar sendo usada.

Ajustador 2

Falta de ajustador significa cano lateral solto e cano solto significa cabo danificado

UM COFRE NO JARDIM

22/06/2016

CofreNo jardim da Prefeitura de Regeneração PI descansa um cofre. Está deitado de lado, fundo encostado na mureta que faz divisa com a rua e suas pesadas portas estão voltadas para o jardim, numa pose parecida com alguém que dorme. Se estivesse de costas, eu diria que estava morto!

Pela aparência, está ali há anos, debaixo de uma árvore que para mim é uma figueira, mas, não tenho certeza disso. Conhecimentos de botânica nunca foram o meu forte.

Sua impávida presença é tão antiga que pessoas da cidade e funcionários da prefeitura já não lhe prestam atenção. Apenas forasteiros como eu devem achar estranho ele estar ali esquecido, num lugar tão visível, a poucos metros da porta de entrada da prefeitura.

Cheguei na prefeitura um pouco antes das 8 horas: quando viajo, gosto de começar bem cedo. O tempo precisa ser bem aproveitado, pois sempre surgem imprevistos e coisas a serem feitas, das quais não me lembrei no momento que planejei a viagem.

O expediente de trabalho oficial nas prefeituras das pequenas cidades do nordeste do Brasil é das sete e trinta às treze e trinta. Na prática, é das oito ao meio-dia. Quando vai chegando a hora do almoço o pessoal debanda e cada um vai cuidar de sua vida em outro lugar.

Num primeiro momento pode parecer um abuso, mas, considerando a paga modesta, o pouco que se tem para fazer e o calor escaldante das tardes, o expediente matutino bem que se justifica.

Não encontrei o funcionário que estava procurando e dele ninguém soube dar notícias, de forma que decidi esperar. Para matar o tempo, puxei papo com um funcionário que me olhava curioso, de longe: Naquelas plagas sempre pensam que sou estrangeiro e alguns ficam espantados quando descobrem que falo português. Perguntei se ele se sabia porque aquele cofre estava ali, há quanto tempo, e qual seria seu destino.

Meu novo amigo não sabia responder o motivo do cofre estar ali, mas em compensação, me contou sua história e ela era interessantíssima.

O cofre foi doado à prefeitura por um Banco que fechou a agência na cidade. Na época em que isto ocorreu devia ser mais barato comprar um cofre novo do que transportar um cofre antigo e pesado como aquele para outra cidade.

Como prefeitura quase nunca tem dinheiro em caixa, passaram a guardar documentos importantes dentro do cofre. Certo dia, um funcionário descuidado alterou inadvertidamente o segredo da fechadura e não conseguiu mais abrir a porta. Muitos funcionários tentaram abrir e não conseguiram.

Decidiram chamar o faz tudo da cidade, homem rude, mas muito bom no que fazia. Quando ele chegou, ninguém se preocupou em perguntar o preço do serviço. Em parte, porque achavam que seria apenas mais uma tentativa frustrada. Mexe daqui, cutuca dali, dez minutos depois, o cofre estava aberto!

Na hora que a secretária da prefeitura perguntou o preço, levou um susto!

“São cem reais”, disse o homem, tratando de garantir a féria do dia, pois eram de vacas magras, os dias naqueles tempos.

“Cem reais por dez minutos de serviço? Você pensa que eu sou boba? Dou vinte e cinco e estamos conversados”!

O homem voltou ligeiro até o cofre e tornou a fechá-lo. “Se você acha caro o meu serviço, procure outro que abra”. Disse isso e foi embora.

Passaram-se semanas. Dezenas de pessoas foram chamadas e nada do cofre abrir. Esgotadas todas as possibilidades, a secretária chamou de volta o faz tudo.

“Pode abrir o cofre, decidi pagar os cem reais que você me pediu”, disse ela.

“O preço agora aumentou” disse o homem. “Agora, quero duzentos”!

Dito e feito, foi o que aconteceu…

Nos dias de hoje, vazio e esquecido, o cofre não vale mais nada. Transformou-se num estorvo. Seu preço, se for vendido por quilo, não remunera sequer o custo do transporte até o sucateiro da cidade vizinha.

Fazendo uma analogia entre a história do cofre e a das pessoas, podemos concluir que valemos pelo nosso conteúdo. Não adianta ser forte, pesado e robusto.

A secretária da prefeitura deve ter também ter aprendido que um bom profissional não ganha fama por acaso. Bom conceito se conquista. Bons profissionais são como os bons vinhos: Não importa a aparência do rótulo, com o passar do tempo, o conteúdo melhora!.

Quando temos pressa e precisamos garantir resultados, devemos confiar a missão a um profissional idôneo e experiente.

“O barato sai caro”, diz o ditado popular. Recomeçamos do zero e pagamos dobrado.